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Belzebu

LIPSEY, Roger. Gurdjieff Reconsidered: The Life, the Teachings, the Legacy. Erscheinungsort nicht ermittelbar: Shambhala, 2019.

  • O Belzebu de Gurdjieff não é o Belzebu bíblico nem inimigo da humanidade, mas um ser de brilhantismo excepcional que, ainda jovem, serviu ao Absoluto Solar antes de ser exilado em nosso sistema solar por eras imensas.
    • A razão ainda não formada e o pensamento impetuoso da juventude de Belzebu o levaram a enxergar algo “ilógico” no governo do Mundo e a interferir no que não lhe cabia.
    • A interferência de Belzebu e seus companheiros levou o reino central do Megalocosmos quase à beira de uma revolução, forçando Sua Imensidão a bani-los a um canto remoto do Universo.
    • Quando o leitor encontra Belzebu pela primeira vez, eões se passaram desde o banimento, o perdão foi concedido e ele pode novamente circular livremente pelo universo.
  • Em aparência Belzebu assemelha-se aos humanos, embora possua cauda que disfarça nas visitas à Terra e chifres que lhe foram removidos como parte da punição e restaurados ao fim das Histórias num capítulo de rara comovência.
    • Gurdjieff oferece uma explicação exuberante e cômica para a escolha de Belzebu como herói e narrador, centrada na vaidade do personagem, que o levaria a auxiliar qualquer autor que o lisonjeie.
    • A juventude impetuosa de Belzebu, os erros, a longa penitência, o arrependimento, o exílio, o engajamento em missões benéficas e o surgimento de sabedoria e compaixão lúcida guardam semelhança com o próprio Gurdjieff.
    • Irmis Popoff registrou que certas pessoas, ao ouvir elogios ao Gurdjieff maduro, respondiam com indignação: “Mas você não o conheceu quando era jovem. Ele era um diabo” — ao que Popoff replicava que o ponto essencial era ele ter se redimido.
    • A possibilidade de passar da juventude ardente e seus tropeços à maturidade e à velhice marcadas pelo conhecimento e pela bondade é central nas Histórias, e o Belzebu de Gurdjieff encarna um ideal elevado.
  • Gurdjieff falava frequentemente das energias clara e sombria presentes nos seres e da necessidade de reconciliá-las continuamente, recorrendo a ambas com certo autodomínio adquirido.
    • C. G. Jung formulou essa mesma tensão em termos da sombra e da anima ou animus negligenciados a nosso próprio risco; Freud convocou a exploração e a compreensão do inconsciente em vez de deixar seus impulsos conduzirem a vida.
    • Já na Rússia Gurdjieff havia formulado esse pensamento como lei cósmica e psicológica, a Lei dos Três: afirmação, negação ou resistência, e a reconciliação de ambas.
    • Durante os anos do Prieuré, o emblema do Instituto visualizava esse pensamento como anjo, diabo e a integração de suas energias na presença contida da figura humana central.
    • Em encontro de 1943, Gurdjieff declarou: “Deus tem três faces. Sua religião também diz isso. Uma face não é o todo, nem tampouco duas. O anjo sem o diabo não pode fazer nada. O anjo sozinho é uma nulidade. O diabo também, se estiver sozinho, é uma nulidade. É somente juntos que podem fazer algo. Se você fizer tudo como um anjo, não irá muito longe.”
    • Dorothy Phillpotts recordou Gurdjieff dizendo: “O Diable vai ajudá-lo. O Ange está muito ocupado — não vai escutar”, ao que ele agitava os braços acima da cabeça numa representação inimitável de um anjo louvando a Deus.
  • Belzebu, que foi ao mesmo tempo diabo e anjo — arquidiabo na juventude e arcanjo da compreensão e da sabedoria na velhice —, encarna a síntese que Gurdjieff considerava indispensável à existência neste mundo.
    • Solita Solano registrou a afirmação de Gurdjieff: “Anjo não presta, diabo não presta neste mundo. Tem que ser os dois.”
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