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Lei de Sete – Lei de Três

KING, Daly; ORAGE, Alfred. The Force of Gurdjieff 3. Bucharest: Magisteria, 2014.

  • A posição da humanidade no universo pode ser descrita numa sequência de sete graus de magnitude que parte dos sistemas galácticos e desce até a humanidade, passando pela Via Láctea, pelo Sol, pelo sistema planetário, pela Terra e pelo reino orgânico.
    • Nenhum elemento fundamental é omitido nem incluído artificialmente nessa sequência
    • A sequência orienta o ser humano em relação ao universo de modo geral, porém preciso
    • A estrutura dessa sequência não foi inventada artificialmente, mas surgiu por seu próprio movimento e natureza em resposta à pergunta proposta

Sistemas galácticos (ou Universo)
Via Láctea (um único sistema galáctico)
Sol (uma única estrela no sistema galáctico acima)
Sistema planetário (ligado ao Sol)
Terra (um único planeta do sistema planetário)
Reino orgânico (uma parte da Terra)
Humanidade (uma parte do reino orgânico)

  • A sequência apresentada constitui uma instância específica da Lei Universal do Sete, denominada Heptaparaparshinokh nos escritos de Gurdjieff, Lei da Oitava na Versão Orageana e Lei das Oitavas na proposta científica de J. A. R. Newlands.
    • Seu reconhecimento tradicional é tão antigo que se perde em névoas da antiguidade
    • Aparece nos teclados dos pianos nas oitavas musicais, embora com temperamento que não reproduz exatamente as relações puras do princípio octávico
    • Sua aplicação é visível na tabela periódica dos elementos químicos e nas estruturas deduzidas e campos eletromagnéticos dos átomos estudados pela física
    • A constituição do sistema planetário tomada por si mesma mostra as mesmas relações
    • Quanto mais fundamentais os fenômenos investigados, mais claramente o princípio octávico se manifesta
New octave do 1 unit (subsuming octave below)
Seventh step si 1 1/2 units
Sixth step la 1 unit
Fifth step sol 1 unit
Fourth step fa 1 1/2 units
Third step mi 1 unit
Second step re 1 unit
First step do 1 unit
  • A relação octávica é uma sequência simples composta de três passos unitários sucessivos, seguidos de um passo uma vez e meia maior, seguidos de dois passos unitários e depois mais um passo uma vez e meia maior, repetindo-se em seguida.
    • Essa é a forma pura da relação octávica
    • Como cada passo ou nota geralmente compreende outra oitava, raramente a relação se apresenta na natureza de modo tão óbvio
    • As unidades são relevantes para o fenômeno em questão e podem ser de comprimento, tempo, magnitude, entre outros
    • A desigualdade do quarto e do sétimo passos em relação aos demais constitui a característica definitória do princípio octávico
    • Nesses pontos especiais a progressão natural é interrompida por dois intervalos estranhos: um entre o terceiro e o quarto passos, outro entre o sétimo passo e o início da oitava seguinte
  • Os intervalos especiais constituem barreiras à continuação da sequência natural de um passo ao seguinte, de modo que a progressão, que pode ter avançado por seu próprio impulso, cessará nesses pontos a menos que seja reforçada por energia externa de caráter não pertencente ao fenômeno octávico em questão.
    • Na propagação do som musical, a nota do pode se transformar em re sem assistência externa, mas a transformação de mi para fa só ocorre quando, além da nota, ruído também está disponível
    • No caso da estrutura atômica, os elétrons adicionais não são acrescentados uniformemente, mas tomam posições sucessivas em anéis ou órbitas de espaçamento diferente que se enquadram na relação octávica
    • Cada anel acomoda exatamente os elétrons necessários, após o que o próximo elétron orbita o núcleo a uma distância correspondente ao próximo anel octávico
    • Disso resulta a série geral da estrutura atômica e, como as propriedades dos elementos químicos dependem dos arranjos dos elétrons externos, resulta também a tabela periódica, que manifesta arranjo octávico similar
  • A energia pode percorrer escalas octávicas para cima ou para baixo, sofrendo transformações comparáveis, sempre em conformidade com o princípio octávico, ou seja, em ambas as direções serão encontrados os intervalos especiais entre mi e fa e entre si e do, exigindo reforço de energia externa para que o movimento continue.
    • No caso da progressão atômica, essa energia externa é talvez fornecida pelo próprio campo eletromagnético do átomo
  • O princípio octávico se aplica a muitos outros casos, desde curvas de aprendizado, onde se aplica ao dispêndio de energia, até fenômenos sociológicos e o espectro visível da luz.
    • O espectro visível é apenas uma oitava entre as taxas totais de vibração conhecidas pela ciência
    • Esse total abrange desde as longas ondas do rádio até as ondas cósmicas, uma série contínua de mais de quarenta oitavas e possivelmente, quando plenamente explorada, de quarenta e nove
    • Ao longo de toda essa faixa as leis da relação octávica exercem domínio incontestado
  • A segunda lei primária do universo, denominada Triamasikamno nos escritos de Gurdjieff e Lei do Três na Versão Oragena, afirma que em todo fenômeno total estão sempre presentes três fatores ou forças independentes: a força positiva, a força negativa e a força neutralizante.
    • As duas primeiras podem ser observadas com pouca dificuldade, mas a terceira parece misteriosa e difícil de apreender porque em grande parte os seres são cegos à terceira força
    • Com esforço, a presença da terceira força pode ser percebida e seu efeito apreciado
    • No átomo, núcleo positivo e elétrons negativos são distinguíveis imediatamente, mas o terceiro fator é o campo eletromagnético que permeia seus componentes
    • A teoria de campos desenvolvida pela física moderna resultou da busca por compreender esse tipo de problema
  • Todos os fenômenos são resultado das três forças atuando em conjunto, podendo-se tomar como exemplos a resolução de uma disputa, a constituição de uma cidade, o corpo humano e o ser humano em sua totalidade.
    • Na resolução de uma disputa, o autor representa a força positiva, o réu a força negativa e o juiz a força neutralizante; o resultado é a resolução, e é fácil ver que a terceira força é ativa
    • Numa cidade, a força positiva são os desejos e planos de quem deseja ocupar o lugar, a força negativa é o trabalho de construção e a força neutralizante é o próprio sítio geográfico; Nova York em Manhattan teve de crescer verticalmente com arranha-céus, enquanto Newark pôde se expandir horizontalmente
    • No corpo humano, a força positiva é o consumo de energia, a força negativa são os constituintes químicos das células e órgãos, e a força neutralizante é o campo elétrico de corrente contínua em estado estável do organismo como um todo
    • No ser humano, a experiência subjetiva é o fator positivo, o funcionamento neurológico objetivo é o fator negativo e a consciência é o fator neutralizante que medeia a transformação da atividade neuronal em conteúdo experiencial

Physics

First force, positive nucleus (positrons, neutrons, etc.)
Second force, negative outer elements (electrons)
Third force, neutralizing electromagnetic field (including “exclusion principle,” etc.)
Total phenomenon atom

Engineering

First force, positive architectural design and planning
Second force, negative constructional work
Third force, neutralizing geographical site
Total phenomenon city

Law

First force, positive plaintiff
Second force, negative defendant
Third force, neutralizing judge
Total phenomenon settlement of dispute

Biology

First force, positive thermo-dynamic energies
Second force, negative chemical entities
Third force, neutralizing electro-dynamic organic field
Total phenomenon biological organism

Psychology

First force, positive experiential content (e.g., blue, anger, introspection)
Second force, negative neurological functioning (sensory, basal gangliar and cerebro-integrative processes)
Third force, neutralizing conscious entity (whose transforming mediation is consciousness or pure awareness)
Total phenomenon human being
  • O erro mais ingênuo em relação à Lei do Três é supor que as forças positiva e negativa, por sua interação, produzem por si mesmas a terceira força neutralizante, o que constitui uma falha em fazer as distinções adequadas entre os fatores e o produto envolvidos.
    • O autor e o réu juntos não constituem o juiz nem a resolução da disputa
    • As intenções arquitetônicas mais o trabalho construtivo nunca criam a localização geográfica real da cidade
  • Um erro menos ingênuo mas aparentemente inevitável consiste em atribuir à terceira força uma importância primária, como se ela gerasse os demais fatores, erro que ocorreu na física, na psicologia gestaltista e na biologia quando as teorias de campo foram introduzidas.
    • Na física, quando a significância da terceira força foi deduzida, surgiu a tendência de atribuir ao campo eletromagnético a criação do próprio núcleo e dos elétrons
    • Na psicologia, a concepção gestaltista sustentou que o fenômeno total se deve unicamente ao fator de padronização, que é a terceira força, ou que esse fator deve ser identificado com o próprio fenômeno total; essa falácia não foi ainda inteiramente refutada
    • Na biologia, quando as teorias de campo estabeleceram o campo elétrico de corrente contínua em estado estável do organismo, surgiu o impulso de atribuir importância primária à força do campo
  • Não há nada de primário na terceira força, pois as forças positiva, negativa e neutralizante são todas igualmente necessárias para que qualquer fenômeno ocorra, como se vê claramente no exemplo da cidade e no do organismo biológico.
    • Na ausência do sítio geográfico certamente não pode haver cidade, mas o próprio sítio não cria nem pode criar a cidade
    • Um organismo biológico, na ausência de energias termodinâmicas e entidades químicas constituintes, permanece apenas uma potencialidade não atualizada no campo orgânico eletrodinâmico em estado estável
    • No ovo não fertilizado de uma rã, o campo orgânico em estado estável que pode contribuir para a formação típica da rã adulta já foi medido e manifesta sempre o padrão orgânico típico; se o ovo é fertilizado, a rã aparece, mas se não, as forças do campo permanecem enquanto o ovo vive, porém a rã não resulta
    • As três forças são incomensuráveis entre si, mas isso não significa que qualquer uma delas seja superior ou primária em relação às outras
  • A Lei da Oitava é uma lei operacional, aplicando-se ao que acontece e sendo determinante da sequência e progressão desse acontecimento, enquanto a Lei do Três se aplica ao que é, sendo no sentido criacional a lei mais básica.
    • Não pode haver interação ou acontecimento até que exista algo entre o qual a interação possa ocorrer ou em relação ao qual algo possa acontecer
    • Nesse sentido, a Lei do Três é a lei criacional mais fundamental
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