====== Hamlet ====== //Conversations with Peter Brook, 1970–2000// P: O final do seu “Hamlet” levou muitas pessoas a pensar que seu interesse pelo trabalho de Gurdjieff influenciou o desfecho — o chamado questionamento em nível metafísico: Quem sou eu? Quem está ali? O que é a morte? E assim por diante. PB: Eu evito rigorosamente, a cem por cento, usar qualquer elemento do Trabalho. [O ensinamento de Gurdjieff é conhecido como o Trabalho.] Quando os dois se unem trabalhando nesse campo, como na obra de Grotowski e Joe Chaikin, há certos exercícios e princípios de trabalho, como sentar-se em círculo, ouvir, fazer exercícios com o corpo, que têm uma relação natural com elementos do Trabalho de Gurdjieff. Mas eu nunca, jamais, usaria um método, um princípio, uma ideia do Trabalho e diria que essa é uma estrutura ou uma fórmula que podemos usar no teatro. Obviamente, ninguém pode se envolver em uma busca interior sem aumentar de alguma forma a própria capacidade de resposta. Isso torna você mais sensível; não o torna melhor, mas o torna um pouco mais aberto. Eu não me sento para fazer um ensaio pensando na teoria de Gurdjieff. Certamente nada seria mais horrível do que se eu tivesse reunido os atores e dito a eles que agora teriam uma experiência religiosa, que iríamos pegar essa peça e buscar sua espiritualidade. Você consegue imaginar algo mais terrível? P: Mas o Trabalho de Gurdjieff afetou você. Então, algo tem que transparecer. PB: O que transparece, transparece. Não há nada que eu faça deliberadamente de forma consciente.