====== Ravi Ravindra. Primeira Pergunta ====== //Ravi Ravindra, Pilgrim Without Boundaries (Sandpoint, Idaho: Morning Light Press, 2003)// * A luta para conhecer a própria identidade em verdade e espírito constitui-se como a busca espiritual. * O movimento interno do indivíduo, que vai da máscara ao rosto, da personalidade à pessoa, do ator que representa ao governante da câmara interior, configura-se como a jornada espiritual. * Viver, trabalhar e sofrer neste mundo com fidelidade aos sussurros vindos do outro mundo consiste na vida espiritual. * Manter viva a chama do anseio espiritual significa estar radicalmente aberto ao presente e recusar-se a contentar-se com dogmas religiosos consoladores, certezas filosóficas e sanções sociais. * O questionamento sobre a própria identidade surge a partir da traição a si mesmo, movida pelo medo e pelo desejo. * O indivíduo torna-se aquilo que não é, cobrindo o rosto com muitas máscaras, chegando a tornar-se as próprias máscaras. * Há uma ocupação excessiva em representar o que se pensa ser, o que impede o conhecimento de quem realmente se é. * O receio é o de não ser nada além do que se aparenta, preferindo-se um algo fantasioso a um nada real, decorando e protegendo a máscara. * Busca-se conforto na adesão ao rebanho, com o qual se tecem vestes variadas para encobrir a nudez. * O segredo do próprio nada é guardado com agilidade ansiosa, para que não seja descoberto. * Uma voz, oriunda de um recôndito escuro do ser, é ocasionalmente percebida, manifestando-se como o choro de uma criança solitária, o clamor angustiado de uma consciência testemunha ou o comando trovejante de um rei. * Ao se perguntar “Quem és tu?”, obtém-se como resposta “EU SOU”. * A pergunta “Quem sou eu?” não busca um catálogo de fatos científicos, mas sim expressa uma inquietação, um tatear e uma exploração. * As respostas aceitáveis não são um gráfico de relações genealógicas e sociais, uma lista de características raciais e biológicas ou um catálogo de traços psicológicos, pois todas essas coisas moldam a personalidade, sem responder de quem é essa personalidade. * O que se busca é ver e tocar o rosto daquele que chama, em resposta a uma pequena batida na porta da consciência, onde nenhuma nomeação é suficiente. * O questionamento sobre a própria identidade marca o início de um movimento em direção à luz, à clareza e à visão do todo. * Trata-se da recusa em permanecer na escuridão, fragmentado e na superfície de si mesmo. * Configura um estado de busca por significado, abrangência e profundidade, expressando o desejo de despertar. * O impulso inicial é traído, sendo o indivíduo embalado de volta ao sono por carícias e contos de fadas. * No sono, sonham-se grandes aventuras e buscas por tesouros escondidos, sonhando-se com muitas jornadas, picos e leões que guardam os passes das montanhas. * Ao acordar por um momento, descobre-se prisioneiro do que se sabe e do que se é, permanecendo na prisão mesmo com a porta aberta, por medo de sair, contando e recontando as próprias posses e testemunhos. * Muitas paredes são compartilhadas com outros, com quem se colabora vigorosa e imaginativamente na construção de castelos da ciência, da arte, da filosofia e da religião. * O propósito dessas construções é o de se descansar seguro, desatento à ignorância sobre quem se é, por que se está aqui e por que se faz o que se faz. * A testemunha silenciosa no interior do indivíduo indaga: “O que buscas?”.