Os “três princípios, sete propriedades” de Boehme delineiam três estágios de “protocriação” antes que o mundo visível venha a existir: no primeiro, as propriedades um, dois e três interagem para produzir a quarta, o fogo; no segundo, o fogo se transforma em luz/amor, a quinta propriedade; no terceiro, som e substância são gerados, esta última contendo o modelo para recapitular toda a sequência.
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Somente após esse conjunto completo de propriedades ter percorrido seu caminho pode o Terceiro Princípio, o mundo visível, efetivamente vir à existência.
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O que a Bíblia chama de “no princípio” é, na visão de Boehme, na verdade o quarto estágio de um processo cósmico já em andamento.
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A questão que se impõe é se as sete propriedades de Boehme não são simplesmente uma sequência numérica a priori, mas surgem umas das outras segundo o princípio familiar de que o entrelaçamento de três produz um quarto numa nova dimensão.
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A hipótese é a de que as quatro primeiras propriedades assumem os papéis de afirmação, negação e reconciliação entre si para dar origem à quinta propriedade, e que esta se torna a nova terceira força reconciliadora para a sexta, e a sexta para a sétima.
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Boehme não parece notar isso, pois não estava em seu horizonte.
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Caso se demonstre, sem violentar seu pensamento, que o processo que ele descreve por meio de seu brilho visionário intuitivo está de fato subsumido na
Lei do Três, então por trás desse grande metafísico ternário cristão se vislumbraria uma mão ainda maior movendo a pena.