A palavra “qualidade”, embora desvalorizada, é um guia intuitivo para atitudes e decisões, sendo usada para apreciar pessoas, sentir suas presenças e julgar ações em hierarquias não escritas.
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Vive-se de acordo com um sentido intuitivo de seu significado, mesmo com a desconfiança atual em relação aos “juízos de valor”.
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A arte ilustra isso ao transformar a natureza das percepções e abrir um senso de admiração, pois certas frequências de vibração evocam frequências correspondentes com qualidades específicas.
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A Seção Áurea no retângulo é um exemplo de proporção que invariavelmente produz uma sensação de harmonia, onde a experiência psicológica é inseparável de sua descrição matemática.
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Arquitetura, pintura, escultura e poesia operam refinando o trabalho para que a casca externa ceda lugar ao sentimento interno verdadeiro, criando uma nova força que transforma a energia das impressões em quem a recebe.
Grande parte da arte é subjetiva por provir de uma fonte individual, mas existem obras de “objetividade” universal que se comunicam a partir de um nível além da experiência pessoal, cuja compreensão exige a análise da fonte dos impulsos criativos.
Embora se tenda a explicar experiências artísticas e religiosas pelo condicionamento psicológico e cultural, a qualidade verdadeira possui uma realidade objetiva governada por
leis exatas.
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Todo fenômeno sobe e desce, nível por nível, de acordo com uma escala natural de valores, um princípio ilustrado pela música, onde a passagem de uma nota a outra transforma sua qualidade.
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A “ciência objetiva”, como
Gurdjieff a chama, usa a analogia musical para representar um universo de energias que se transformam ao subir ou descer na escala, assumindo naturezas mais grosseiras ou mais sutis.
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Em cada nível específico, uma energia corresponde a um grau de inteligência, e é a própria consciência, flutuando em uma ampla gama de
vibrações, que determina a experiência humana.
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Além das energias que podem subir a novos níveis de intensidade,
Gurdjieff afirma a realidade de um nível absoluto de qualidade pura, cujo contato com energias grosseiras pode mudar o significado das ações e sua influência no mundo.
A vida comum se desenrola dentro de um campo de energias de limites circunscritos, onde o nível de consciência é baixo e o poder de pensamento é limitado.
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Em cada escala, existem dois pontos exatos onde um movimento ascendente para, sendo necessária a introdução de uma nova vibração de qualidade precisa para transpor o intervalo.
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Sem essa nova vibração, a energia ascendente inevitavelmente retorna ao ponto de partida, um princípio que explica o declínio de vidas, empreendimentos e ideais quando não se aplica a força exata no momento crucial.
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No ponto onde a primeira energia começa a se esgotar, um “choque” pode ocorrer, que é a introdução consciente de um novo impulso para continuar o movimento ascendente.
A mudança de qualidade ocorre quando as energias em ação entram em contato com energias de uma ordem diferente no momento crucial.
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Esse contato pode levar a experiências artísticas intensas e transformações sociais, mas o processo pode continuar.
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Ao se misturar com energias mais sutis, a consciência sobe para uma escala mais alta que transcende a arte, podendo levar ao despertar espiritual e, eventualmente, à pureza absoluta e ao sagrado.
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O sagrado, nessa perspectiva, é compreendido como uma qualidade de energia que os instrumentos são incapazes de registrar.
Gurdjieff reformula a divisão entre espírito e
corpo presente nas tradições esotéricas, afirmando que o ser humano não nasce com uma alma pronta, mas sim incompleto.
A transformação do ser humano tem início quando as fontes no
corpo, chamadas por
Gurdjieff de “centros”, de onde emanam movimentos, pensamentos e sentimentos, cessam de produzir explosões de energia espasmódicas e erráticas.
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Quando esses centros começam a funcionar harmoniosamente em conjunto, uma nova qualidade chamada “presença” aparece pela primeira vez.
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À medida que a intensidade da presença se eleva, a matriz de reações e desejos chamada de ego se torna elástica e transparente, formando-se um novo espaço no centro da estrutura automática de comportamento onde uma verdadeira individualidade pode surgir.