O Mágico Branco entra: homem alto e bem constituído, de rosto benigno, barba branca longa, robe branco de mangas largas e o símbolo do
eneagrama em pedras preciosas pendurado ao peito por uma grossa corrente de ouro.
-
Ao receber as profundas reverências dos alunos, o Mágico responde com um sorriso bondoso e os abençoa.
-
Ao sentar no trono, o símbolo no espaldar se ilumina; os alunos beijam-lhe a mão um a um e retornam aos seus lugares.
Zeinab entra atrasada e ofegante, beija a mão do Mágico — que a acolhe com evidente afeto, indicando ser uma de suas pupilas favoritas — e vai contar aos outros alunos suas impressões recentes sobre a mendiga e o menino.
Um aluno pede ao Mágico uma explicação, e gradualmente todos se reúnem ao redor para ouvir; o Mágico se levanta, o símbolo no trono se apaga, e ele passa a demonstrar algo no microscópio e depois no telescópio apontado para o céu estrelado.
-
A ideia central da exposição é: o que está acima é semelhante ao que está abaixo, e o que está abaixo é semelhante ao que está acima; cada unidade é um cosmos, e as
leis que governam o
Megalocosmos governam igualmente todos os cosmos menores até o Microcosmos.
-
Estudando um cosmos, conhecem-se todos os outros; o cosmos mais próximo para o estudo é o Tritocosmos, e para cada ser o objeto de estudo mais próximo é ele mesmo; conhecendo-se completamente, conhece-se tudo, até
Deus, pois os homens foram criados à sua semelhança.
Um servo anuncia a presença de alguém pedindo entrada, e a mendiga com o menino é conduzida à presença do Mágico, lançando-se a seus pés e implorando ajuda; Zeinab também intercede pelo menino.
-
O Mágico examina o ferimento e dois alunos trazem da sala interior uma varinha de marfim com bola de prata, um lenço, um copo e um frasco com líquido.
-
O Mágico embebe o lenço no líquido, aplica sobre a ferida e passa a varinha várias vezes sobre o braço do menino sem tocá-lo; ao retirar o lenço, a ferida desapareceu.
-
A mendiga, atônita, ajoelha-se e beija a borda do robe do Mágico, que afaga a cabeça do menino e os despede.
Após circular pela sala examinando o trabalho dos alunos, o Mágico os convoca para as danças sagradas, e eles se dispõem em fileiras executando movimentos que lembram danças, enquanto o assistente corrige posturas.
-
As danças sagradas são consideradas um dos principais objetos de estudo em todas as escolas esotéricas do Oriente, na antiguidade e no presente.
-
Os movimentos têm duplo propósito: expressam e contêm certo conhecimento e servem como método para atingir um estado harmonioso do ser; suas combinações expressam diferentes sensações, produzem graus variados de concentração do pensamento, criam esforços necessários em diferentes funções e mostram os limites possíveis da força individual.
Ao amanhecer, o Mágico levanta a cortina da janela e, com o surgimento dos primeiros raios do sol, ele, o assistente e os alunos ajoelham-se e oram, e o pano desce lentamente.