Gafar caminha impaciente pelo aposento aguardando notícias de Rossoula sobre Zeinab, a mulher encontrada no bazar há um mês, e percebe com espanto que algo inteiramente novo lhe acontece: ele, sempre altivo e indiferente, tornou-se irritável, desconfiado e perturbado por trivialidades.
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Em casos anteriores, o interesse por uma mulher desaparecia enquanto Rossoula cuidava do assunto; com Zeinab, ao contrário, o pensamento se intensifica a cada dia.
Rossoula entra visivelmente abatido e anuncia que todos os esforços fracassaram: Zeinab recusou todos os presentes enviados, incluindo tecidos indianos bordados a ouro, cavalos árabes, chineses e persas, peles siberianas, um colar de esmeraldas dado pelo Rajá de Kolhapur ao avô de Gafar, a famosa pérola azul chamada Lágrima do Ceilão e até o castelo da família, o Sopro do Paraíso.
Gafar, perplexo, reconhece que não tem forças para se conformar com a recusa e que Zeinab é a causa de seu estado mental incomum; ao mesmo tempo, surpreende a si mesmo por estar quase satisfeito com o fato de os métodos ordinários de Rossoula serem insuficientes nesse caso.
Ao refletir sobre sua relação com as mulheres em geral, Gafar constata que, desde os dezessete anos rodeado de mulheres e com harém próprio, nunca encontrou uma de cujo amor e devoção pudesse confiar verdadeiramente.
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Em todas as mulheres que o atraíram, o que se ocultava sob as palavras de amor era o interesse pela juventude e beleza, pela luxúria que ele podia proporcionar ou pela vaidade de ser favorita de um nobre.
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As mulheres tornaram-se para ele parte de sua coleção de objetos preciosos, e há muito cessou de buscar nelas mais do que o gozo momentâneo.
Diante da singularidade de Zeinab, Gafar resolve que, se não pode seduzi-la pelos meios habituais, só resta casá-la: deve tomar uma esposa de qualquer modo, e mais bela do que ela jamais encontrará.
Para distrair-se enquanto espera, Gafar, a contragosto, concorda com uma sugestão de Rossoula, e músicos com instrumentos afegãos, indianos e turquestaneses entram e começam a tocar.
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As doze dançarinas do harém, trazidas de diferentes países e consideradas as mais belas e habilidosas da região, entram aos pares e dançam com abandono excepcional: uma tibetana, uma armênia de Mousha, uma osetinca do Cáucaso, uma cigana, uma árabe, uma baluchistanesa, uma georgiana, uma persa e uma nautch-girl indiana, cada uma manifestando pela dança a alma e o temperamento de sua terra.
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Gafar, que sempre se deleitou com suas dançarinas, mal as vê, tão absorto está em seus pensamentos.
As emissárias retornam com a proposta recusada; Gafar entra em fúria, expulsa todos do aposento e fica a sós com Rossoula, jamais tendo experimentado tamanhas humilhação em sua vida.
Após breve luta interior, Gafar cede à proposta de Rossoula, que vai contra seus sentimentos mais profundos, mas que o desejo de vingança pela humilhação faz aceitar.
Uma velha feiticeira é convocada: mulher baixa e curvada, de nariz adunco, cabelos grisalhos desgrenhados, rosto moreno com uma verruga peluda na face, unhas longas e sujas, vestida em casaco violeta sujo e chuddar preto remendado.
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Gafar pergunta se ela pode enfeitiçar Zeinab para que se apaixone por ele; a feiticeira responde afirmativamente, mas ao ouvir o nome de Zeinab treme de medo e declara ser impotente nesse caso.
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Ela indica, porém, que existe uma pessoa capaz de fazê-lo, mediante muito ouro.
Gafar e Rossoula decidem partir imediatamente, e a feiticeira consente em guiá-los; servos trazem dos aposentos internos sacos repletos de presentes, e todos partem pela porta do jardim.