Os alunos presentes na caverna são homens e mulheres de idades variadas, todos de aparência desagradável, alguns deformados, de olhos esquivos e cabelos desgrenhados, vestidos de modo desleixado em casacos violeta curtos e calças pretas, com atitude hostil e zombeteira uns para com os outros.
Um dos alunos começa a fazer movimentos rítmicos estranhos perto do trono, e os demais vão aderindo até formarem um círculo que gira freneticamente; ao ápice do frenesi, um ruído interrompe tudo e os alunos correm de volta aos seus lugares fingindo nunca ter parado.
O Mágico Negro entra da caverna interior: homem de estatura média, magro, com barba grisalha curta, olhos negros de cílios longos, cabelos despenteados e movimentos bruscos; veste casaco preto de seda sobre traje carmesim, carrega um longo chicote e traz no peito um pentáculo dourado pendurado por cordão preto.
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Todos se prostram; ele vai ao trono sem olhar para ninguém, chega a pisar num aluno, senta-se e o símbolo acima do trono se ilumina.
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Abre o casaco expondo o ventre, e os alunos vão um a um beijá-lo; com um chute derruba um deles, e os outros o escarnece com malevolência covarde.
A velha feiticeira entra pela entrada exterior com uma vela, beija o ventre do Mágico e, de modo servil, aponta para a entrada; após breve reflexão, ele consente, e ela retorna com Gafar, Rossoula e dois servos carregando os sacos de presentes.
Gafar expõe seu pedido ao Mágico, mas ao ouvir o nome de Zeinab este recusa categoricamente, sabendo, como a feiticeira, que ela é aluna do Mágico Branco.
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Gafar insiste e empilha diante do Mágico o conteúdo dos sacos, a bolsa, um anel e joias preciosas; à vista do ouro, o Mágico hesita e consente em lançar o feitiço, desde que Gafar forneça algo que tenha estado recentemente em contato com Zeinab.
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Gafar lembra-se do lenço de seda comprado à mendiga e o entrega ao Mágico.
O Mágico ordena que seus alunos preparem a cerimônia: uma mesa coberta com pano preto bordado com signos do Zodíaco e símbolos cabalísticos é colocada no centro, sobre ela um livro de hieróglifos estranhos com o símbolo do hexagrama, uma urna com um osso da coxa humana e um bloco de argila mole.
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O Mágico unge o
corpo com ungüento, veste um robe bordado com os signos do Zodíaco e o símbolo do pentagrama, e coloca na cabeça um chapéu pontudo bordado de estrelas.
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Enfia o lenço de Zeinab na argila e modela com ela a figura de um ser humano, que coloca sobre a mesa; traça no chão um grande círculo onde os alunos se dispõem em corrente alternada de homens e mulheres, enquanto ele próprio fica junto à mesa.
O Mágico segura a varinha de ébano e faz movimentos e sussurra encantamentos; os alunos da corrente se contorcem em movimentos convulsivos, alguns caem e são substituídos por outros para que a corrente não se rompa.
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A figura de argila começa a se iluminar progressivamente, o fogo na fornalha cresce com chamas longas, e acima do caldeirão surge e se ilumina lentamente a sombra de Zeinab.
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O ruído na caverna aumenta até soar como trovões, e numa explosão terrível a caverna mergulha na escuridão.
A luz retorna aos poucos: a sombra de Zeinab desapareceu, o fogo se apagou e os alunos jazem exaustos no chão; o próprio Mágico está semideitado no trono, fraco e esgotado.
Gafar e Rossoula, paralisados pela impressão do que viram, partem lentamente acompanhados da velha feiticeira.
O Mágico, já recuperado, espalha pelo chão o conteúdo dos sacos de presentes, e os alunos se lançam sobre eles com alegria selvagem e dançam em círculo ao redor do Mágico enquanto o pano desce.