A emoção de observar o único rato que, entre dezenas, de repente dava indicações de ter se tornado consciente do labirinto poderia parecer que logo iria diminuir, mas, pelo contrário, a excitação compartilhada dessa descoberta simples, porém magnífica, nunca deixou de impressionar como algo nada menos que apoteótico.
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Um rato atinge a clarividência do labirinto e seus olhos parecem, de alguma forma, ao mesmo tempo mais velhos e mais jovens.
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A postura geral e o comportamento em relação ao ambiente e a si mesmo mostram sinais radicais de alteração.
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O rato parece menos frenético, mais autoconfiante e notavelmente menos autodestrutivo.
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Ao mesmo tempo, podem-se ver sinais visíveis de excitação à medida que uma nova sensação de liberdade desce sobre ele de forma avassaladora.
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Essa é a mesma sensação de liberdade que os humanos que descobriram o que chamam de “iluminação” experimentam.
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Para os humanos, esse primeiro vislumbre da verdadeira liberdade, não do labirinto, mas dos limites autoinduzidos, puramente psicoemocionais, não dura muito tempo, e logo a atividade primata habitual e monótona se reafirma.
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Sob a aparência da existência ordinária, o labirinto é ainda mais diabólico porque foi escondido por si mesmo, mas, em última análise, é o mesmo complexo macrodimensional expansivo de corredores e câmaras, aberturas e fechamentos, voltas e reviravoltas reduzido às paredes planas e duras da realidade orgânica.
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Assim como os ratos complacentes que caem tão facilmente na apatia — se é que algum dia emergem dela — especialmente após o primeiro lampejo de consciência rudimentar do labirinto ter se apresentado, os primatas humanos cuja percepção se tornou momentaneamente aberta para toda a visão macrodimensional do labirinto desobstruído parecem estar com uma pressa terrível de se trancar em um armário novamente.
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Pode ser possível induzir artificialmente a consciência do labirinto e a transição para o espaço macrodimensional, mas é de se esperar plenamente que qualquer entendimento momentâneo que possa ter sido obtido será, quase instantaneamente, mutilado, esmagado e dilacerado nas mandíbulas que tudo devoram da convenção primata e considerado completamente indigesto.
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Ao mesmo tempo, apresenta-se a primeira oportunidade real de penetrar muito além do espectro da realidade comum, em uma visão abrangente e de longo alcance.
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A estrutura macromolecular pura torna-se visível, a matéria é revelada como padrões giratórios de energia bruta, e o tempo torna-se inexistente — um simples expediente para encapsular um evento ou para se mover de um tableau de energia congelada para outro.
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Então, sabe-se que se está começando a ver as coisas como elas realmente são.
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No entanto, não se deve mencionar isso a ninguém com um jaleco de laboratório, a menos que se queira passar o resto da vida interpretando manchas de Rorschach, adivinhando cartas de Rhine e cantando doda kupanga udoda kukala, doda kupanga ukala shatti como vocal de fundo para Leon Russell.
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Quando se tiver desenvolvido total confiabilidade, demonstrado fortitude e entusiasmo contínuo diante da repetição interminável, exibido claramente sinais de lealdade inabalável ao Trabalho, e se separado com sucesso dos modos e atitudes do primata, ter-se-á conquistado o direito de se envolver em um tipo diferente de trabalho, algo além do primata.
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Esse “outro tipo de trabalho” só pode resultar de esforços sérios e concentrados para entrar e realizar obrigações de trabalho em câmaras macrodimensionais, em domínios inimagináveis.
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O melhor, então, é ser levado a todos os lugares pela mão e ser mostrado, mas de que adianta, se não se pode também, ao mesmo tempo, despertar por iniciativa própria e contemplar a própria altura e largura do labirinto?
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É preciso primeiro reconhecer que existe um labirinto e que se está dentro dele.
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A ajuda, a ajuda real, está disponível apenas para aqueles que já estão bem encaminhados em direção à vida não primata.
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Esses mostram uma aptidão já profundamente enraizada para o labirinto.
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Demonstraram ser viajantes corajosos, apesar dos medos pessoais dos aspectos mais aterrorizantes do labirinto.
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Mostraram a capacidade potencial de realizar trabalho especial sob condições muito difíceis e frequentemente avassaladoras.
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O mais importante é que não exibem o tipo de natureza psicoemocional delicada que seria provavelmente vista em crianças que deixaram o acampamento de verão na primeira ou segunda semana.
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Quando se considera o profundo limite de tempo imposto a uma escola de trabalho e o pequeno número com quem se pode trabalhar seriamente, faz sentido que qualquer esforço de treinamento seja concentrado naqueles que mostram o maior potencial.
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Há, entre os novos viajantes — a maioria dos quais nunca se qualifica e dos quais isso é tipicamente sintomático — uma certa quantidade de impaciência para experimentar setores incomuns, ou seja, exóticos e perigosos, do labirinto.
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Antes de se expor, juntamente com as máquinas previsivelmente desgovernadas, à excitação desses ambientes deliciosamente perigosos, uma série de etapas preparatórias devem ser tomadas para aumentar as chances razoáveis de sobrevivência.
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Essa sobrevivência não é para si mesmo, mas para o bem do Trabalho, para que o treinamento e a transformação não sejam completamente desperdiçados.
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Subjacente a tudo isso, deve haver uma base forte de habilidade natural — aptidão e atitude.
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Se houvesse o desejo de melhorar a capacidade de transitar para as macrodimensões sem entender o propósito da viajem, poderia-se trabalhar a partir de uma lista de métodos mecânicos, como podem ser encontrados em certos sistemas populares atualmente.
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A navegação durante a viajem ativa depende de um processo de aprendizagem superior, que é chamado de reconhecimento de padrões.
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Uma certa inteligência superior pode ser adquirida nas macrodimensões, mas a inteligência primata humana é praticamente inútil, porque se refere apenas à vida da máquina biológica humana.
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O que é realmente útil é um método de desenvolver inteligência através da interação ativa, aprendendo com o jogo como jogar o jogo.
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Em pelo menos um sentido importante, a viajem é um jogo, em um nível muito mais alto do que se está acostumado a jogar.
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É um jogo em que as apostas são muito maiores e, correspondentemente, muito mais perigoso.
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Como seria de se esperar de tal jogo, há limites naturais além dos quais os primatas não vagam, obedecendo a poderosos tabus tribais que se tornaram costume ao longo dos milênios.
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Não é de se admirar, pois a utilidade social se torna, na melhor das hipóteses, questionável uma vez que se começa a jogar o jogo do labirinto com a mais séria determinação.
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O Jogo do Labirinto foi chamado de Jogo Mestre, o Grande Jogo, o Jogo das Contas.
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Apenas a automotivação, a auto-iniciação, a capacidade de se sacudir do sono, de se fazer mover do ponto zero, de se trazer da postura imobilizada da inércia, produzirão resultados neste jogo mais perigoso.
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Sai-se da inércia, constrói-se aceleração e ganha-se impulso para a viajem macrodimensional apenas através do puro esforço repetido na viajem.
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Torna-se adepto das soluções de quebra-cabeças trabalhando com quebra-cabeças.
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Aprende-se a trabalhar sob estresse trabalhando sob estresse.
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Aprende-se a trabalhar sob condições de distração profunda e incessante trabalhando sob condições de distração profunda e incessante.
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Isso é importante, porque o labirinto é composto quase inteiramente de distrações.
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Pode-se dizer que suas paredes, corredores e câmaras de trabalho são distrações em si mesmas.
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Reagindo como primata, tender-se-ia, pela pura gravidade da emoção negativa e hábitos da máquina, a cair mais uma vez na ocultação sedutoramente convidativa do domínio primata humano, topologicamente falando.
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No estado de vigília, no entanto, vê-se claramente que o que normalmente se tomava como uma variedade de eventos desconectados são, de fato, apenas partes de uma única coisa que, se se pudesse perceber sua totalidade, daria uma experiência direta do Absoluto.
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A padronização é uma parte natural da percepção, mas o reconhecimento de padrões depende inteiramente da capacidade de eliminar a ocultação.
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É necessário aceitar estruturas de campo topológico perceptual-informacional cada vez maiores, não necessariamente antropocêntricas.
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Isso implica assumir uma visão inteiramente diferente, um tanto menos obstruída, da morfologia e da escala do universo.
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No passado, existiram culturas que permaneceram em contato aberto com forças e entidades macrodimensionais, mas aqueles que surgem das civilizações primatas do hemisfério ocidental são atualmente forçados a transmitir secretamente as iniciações do xamanismo.
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Xamanismo: um nome coletivo para o estudo e a prática categóricos de métodos de viajem macrodimensional.
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O xamã foi o primeiro explorador das macrodimensões.
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Há muito tempo, o xamã desenvolveu técnicas muito precisas para o movimento entre dimensões e passou a compreender e transmitir aos iniciados que o seguiram — cronologicamente, não servilmente — o significado real das visões do que veio a ser chamado de Reino.
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No coração do Reino está o que os místicos ocidentais chamam de Palácio de Cristal, sob o qual reside o segredo do Labirinto, nunca revelado nem mesmo pela tradição oral.
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Esse segredo é algo a ser encontrado apenas pela viajem e descoberta pessoal.
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Tal conhecimento da viajem e compreensão do trabalho nas macrodimensões seria aproximadamente equivalente ao trabalho de pós-graduação que leva a um Doutorado em Labirintologia, mesmo na mais rigorosa das universidades comuns.
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Mas não há Doutorado em Labirintologia nas universidades comuns, embora uma universidade medieval pudesse ter emitido um.
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A presente cultura tecnocrática, selvagemente destrutiva, tornou-se tão completamente alienada do mundo vivo que teme qualquer exploração fora do domínio do complexo agro-industrial-militar.
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Teme-se também um possível êxodo em massa para macrodimensões desconhecidas e economicamente inúteis.
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Esses medos não são incomuns entre agências governamentais robóticas e encontraram solo fértil em praticamente todos os detentores do poder cultural estabelecidos em todo o contexto da história humana da Terra.
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Se o significado for dito, a mente seguirá o significado.