Charles Howard Hinton (1853-1907), matemático e filósofo de trajetória excêntrica, foi o personagem central da moda da quarta dimensão, tendo sido condenado por bigamia em 1886, fugido para o Japão, inventado uma máquina de arremesso de beisebol em Princeton e terminado a vida em um escritório de patentes, como Einstein.
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O artigo de Hinton “O que é a quarta dimensão?”, publicado em 1880, teve enorme repercussão, e seus escritos foram reunidos em 1904 no livro The Fourth Dimension.
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Para Hinton, a questão das dimensões extras é fundamentalmente uma questão de dignidade humana: talvez sejamos seres quadridimensionais que se tornaram cegos à quarta dimensão, como donos de um castelo suntuoso que vivem a vida inteira em um apartamento miserável, ignorando a existência de seu próprio palácio.
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Hinton formula a situação humana: “Podemos não nos comparar a esses sacerdotes egípcios que, adorando uma divindade velada, a cobriam com vestes cada vez mais ricas… Até que de repente, a divindade se move, e as vestes caem ao chão, deixando a própria divindade revelada, mas invisível; não vista, mas de alguma forma sentida como presente.”
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A solução de Hinton para a libertação humana é ao mesmo tempo matemática e física: “A verdadeira apreensão e adoração do espaço reside na compreensão dos variados detalhes de forma e configuração, que, em sua exatidão e precisão, passam para a grande apreensão única.”
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Hinton antecipou a ideia de compactificação, presente nas atuais teorias de grande unificação: se uma dimensão extra é invisível, é porque está enrolada em uma região infinitesimal do espaço, e a luz seria o vestígio dessas dimensões extras.
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A cruz quadridimensional de Hinton – o tesserato – fascinou Salvador Dalí, que pintou o famoso Christus Hypercubus, mostrando Cristo crucificado sobre essa cruz hipercúbica.
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Em 1909, a revista Scientific American organizou um concurso com prêmio de 500 dólares para a melhor explicação popular da quarta dimensão, recebendo cartas de todo o mundo – nenhuma delas mencionava Einstein.