O exercício de interrupção, denominado Stop, exige que o aluno estanque todo e qualquer movimento físico, expressão facial e direção do olhar sob um comando externo súbito, visando a quebra do automatismo psicomotor e a observação do ser sob uma luz inteiramente nova.
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A imobilidade deve ser absoluta e instantânea, independentemente da atividade em curso.
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Posturas resultantes do comando servem como base para o trabalho mental e o fortalecimento da vontade.
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A interrupção súbita força o
corpo a posições habitualmente ignoradas durante as transições inconscientes.
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A observação de si em posturas não habituais permite romper o círculo vicioso da mecanicidade.
A suposta arbitrariedade dos movimentos humanos é uma ilusão decorrente da interdependência mecânica entre as funções motora, emocional e mental, as quais operam em um circuito fechado de hábitos que apenas um comando externo pode suspender temporariamente.
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Cada movimento voluntário ou involuntário representa uma transição entre posturas automáticas limitadas pela personalidade.
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A mudança em uma função acarreta necessariamente alterações nas demais.
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A aquisição de novas posturas físicas é impossibilitada na vida ordinária pelo automatismo do pensamento.
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O Stop permite que os
corpos sutis do pensamento e da emoção assumam novas formas enquanto o
corpo físico é mantido em posição infrequente.
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O comando externo substitui a vontade do aluno, que é incapaz de ordenar a si mesmo a interrupção devido ao peso das funções combinadas.
Gurdjieff, cuja presença física evocava força e agilidade sem se enquadrar nos estereótipos de mestre ou filósofo, conduziu pessoalmente as demonstrações do exercício Stop, transformando instantaneamente o grupo de alunos em estátuas vivas.
As danças folclóricas e rurais, denominadas Chorovods, foram apresentadas como preservações de tradições asiáticas e gregas antigas, exemplificando a conexão entre movimentos rítmicos e a cultura de povos como os turcos e os tikins.
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Madame de Hartmann introduziu as danças com breves explicações históricas.
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Uma dança da região de Kumurhana revelou semelhanças com posturas de vasos da Grécia antiga.
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O festival de tapetes dos tikins da Transcaspásia incluiu a compressão de fibras de lã em ritmo musical.
O trabalho manual realizado ritmicamente, conforme observado no Instituto e em tradições orientais, demonstra um aumento significativo na produtividade e na satisfação instintiva em comparação ao ritmo desumano das máquinas e da automação moderna.
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Acompanhamento musical em construções colossais do Oriente antigo é atestado por inscrições.
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A produtividade no Instituto aumentou de cinco a vinte vezes com o uso de ritmos musicais.
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Foram demonstradas tarefas de cardar lã, costura e tecelagem de tapetes.
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A ausência de ritmo humano na indústria contemporânea é apontada como causa de desequilíbrios e tendências criminosas.
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O human-
esseral e o ritmo instintivo são suprimidos pela esteira transportadora.
Os fenômenos apresentados pelo Instituto dividem-se em truques, semitruques e fenômenos sobrenaturais reais, sendo estes últimos baseados em
leis ainda não explicadas pela ciência oficial e exigindo rigorosa preparação ética e intelectual dos investigadores.
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Truques envolvem artifícios que simulam forças naturais inexistentes.
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Semitruques, como a localização de objetos ocultos, baseiam-se na leitura inconsciente de reações musculares e
vibrações físicas.
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Fenômenos reais consistem na reação de forças inferiores ao impacto de níveis superiores de energia ou consciência.
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O estudo de fenômenos reais exige conhecimento especializado, ceticismo natural e confiabilidade moral para evitar abusos egoístas.
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O conhecimento dos truques é necessário para desenvolver o sentido crítico e a imparcialidade do aluno.
Demonstrações de memória prodigiosa e transmissão de informações à distância foram realizadas pelos alunos, evidenciando que o desenvolvimento de faculdades específicas ocorre de forma indireta através do trabalho geral sobre a totalidade do homem.
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Alunos memorizaram quarenta palavras estranhas em diversos idiomas após uma única leitura.
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Nomes de óperas e formas de objetos foram transmitidos mentalmente por Madame de Hartmann aos alunos no palco.
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Um objeto Tiki de jade da Nova Zelândia foi descrito com exatidão por meio de representação à distância.
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Desenhos rápidos e precisos de criaturas diversas foram executados por de
Salzmann sob sugestão do público.
A complexidade das demonstrações superou o nível de ilusionistas profissionais, deixando o público em estado de mistificação perante o que se revelaria, posteriormente, como uma manifestação de magia real.
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A presença de conhecidos da relatora entre os alunos causou surpresa e alívio inicial.
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A percepção da existência de fenômenos reais durante a sessão só foi alcançada após longo período de estudo posterior.