Conversas com Mme Ouspensky (4)

ROPP, Robert de. Talks with Mme Ouspensky. 9 de novembro de 1940

A senhora falou das condições exigidas daqueles que desejam trabalhar. Eles devem dar tudo e não guardar nada para si mesmos. Devem sentir repulsa pelo próprio “eu” e não depositar nenhuma confiança nele. O homem que deseja crescer deve sacrificar seu desejo de construir no plano inferior. É impossível ter as duas coisas ao mesmo tempo. Na medida em que você paga, tanto você recebe. O grande só pode ser obtido à custa do pequeno. Quando o pequeno se torna grande, o grande desaparece.

É errado pensar que Deus criou o homem. Deus criou em grande escala. Ele forneceu ao homem o material para que ele se desenvolvesse, se assim o desejasse. O homem possui em si o mecanismo para o desenvolvimento, mas, como tudo no Universo é limitado no que diz respeito à quantidade de energia que lhe é atribuída, o homem só pode crescer se usar sua energia corretamente. Toda a luta gira em torno de um ponto: a direção da atenção. Ar e alimento são suficientes para manter a máquina do homem funcionando. Eles lhe dão seus movimentos, sentimentos, pensamentos, que ele chama de “eu”. As impressões não se desenvolvem nele porque não há nada para recebê-las.

Viver em um estado de identificação é viver na escuridão, ou seja, ser capaz de ver as relações entre as coisas ou o caminho que se deve seguir. Ao economizar energia, obtém-se óleo para as lâmpadas. A energia pode ser usada de forma proveitosa ou deixada escapar. Somente o esforço em uma direção pode produzir um resultado, assim como uma planta, por meio de um empurrar constante, rompe o solo duro. Nesse contexto, não há sentimentalismo em relação ao trabalho. Aqueles que se esforçam crescem; aqueles que não o fazem permanecem onde estão. O Sistema não é fácil e não é para fracos. Ele não requer um esforço comum, mas um superesforço.