Uma voz, oriunda de um recôndito escuro do ser, é ocasionalmente percebida, manifestando-se como o choro de uma criança solitária, o clamor angustiado de uma consciência testemunha ou o comando trovejante de um rei.
-
A pergunta “Quem sou eu?” não busca um catálogo de fatos científicos, mas sim expressa uma inquietação, um tatear e uma exploração.
-
As respostas aceitáveis não são um gráfico de relações genealógicas e sociais, uma lista de características raciais e biológicas ou um catálogo de traços psicológicos, pois todas essas coisas moldam a personalidade, sem responder de quem é essa personalidade.
-
O que se busca é ver e tocar o rosto daquele que chama, em resposta a uma pequena batida na porta da consciência, onde nenhuma nomeação é suficiente.
-
O questionamento sobre a própria identidade marca o início de um movimento em direção à luz, à clareza e à visão do todo.
-
Trata-se da recusa em permanecer na escuridão, fragmentado e na superfície de si mesmo.
-
Configura um estado de busca por significado, abrangência e profundidade, expressando o desejo de despertar.
-
O impulso inicial é traído, sendo o indivíduo embalado de volta ao sono por carícias e contos de fadas.
-
No sono, sonham-se grandes aventuras e buscas por tesouros escondidos, sonhando-se com muitas jornadas, picos e leões que guardam os passes das montanhas.
-
Ao acordar por um momento, descobre-se prisioneiro do que se sabe e do que se é, permanecendo na prisão mesmo com a porta aberta, por medo de sair, contando e recontando as próprias posses e testemunhos.
-
Muitas paredes são compartilhadas com outros, com quem se colabora vigorosa e imaginativamente na construção de castelos da ciência, da arte, da filosofia e da religião.
-
O propósito dessas construções é o de se descansar seguro, desatento à ignorância sobre quem se é, por que se está aqui e por que se faz o que se faz.
-
A testemunha silenciosa no interior do indivíduo indaga: “O que buscas?”.