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XXXVII França

GURDJIEFFBTG-XXXVII (B663-B693)

Resumo da tradução em inglês de 1950

LIVRO II: RBN II-36RBN II-38

  • Beelzebub narra suas impressões sobre os seres franceeses depois de ter residido na Itália e na França, escolhendo esta última como lugar de existência após constatar que a opinião generalizada sobre os franceses não correspondia à realidade.
    • A opinião difundida entre os seres de todas as comunidades era de que os franceses eram os mais depravados e imodestos de todo o planeta.
    • Ao se instalar em uma cidade provincial francesa, Beelzebub verificou o oposto: os seres locais revelaram-se os mais patriarcais e modestos do continente europeu.
    • A discrepância entre a reputação e a realidade levou Beelzebub a investigar sistematicamente as causas desse equívoco coletivo.
  • Paris, capital da França, havia se tornado o centro de cultura do planeta, comparável às antigas cidades de Samlios, Koorkalai e Babilônia, exercendo atração irresistível sobre seres de todas as comunidades.
    • Os serviçais do hotel onde Beelzebub se hospedou eram todos estrangeiros, falantes de inglês, substituindo os que antes falavam russo.
    • Um novo conhecido persa conduziu Beelzebub ao Boulevard des Capucines e ao Grande Café, cujos garçons eram predominantemente italianos.
    • A multidão nas ruas era formada sobretudo por americanos, que haviam substituído os russos como visitantes predominantes após o colapso da Rússia monárquica.
  • A parte de Paris frequentada por estrangeiros era inteiramente organizada e gerida por estrangeiros, não por franceses, e o casal genuinamente francês avistado no Boulevard era uma aparição excepcional e acidental.
    • O bordel visitado era propriedade de um espanhol e albergava polonesas, vienenses, italianas e negras, sem nenhuma francesa.
    • As mulheres que perambulavam pelos bulevares à noite pertenciam a diversas nacionalidades — suecas, inglesas, russas, espanholas, moldavas — mas quase nenhuma era francesa genuína.
    • O guia noturno contratado para a tournée du Grand Duc — expressão originada do hábito dos aristocratas russos de se apresentarem como grão-duques — conduziu os visitantes por cafés de homossexuais, clubes de lésbicas e outros estabelecimentos de Montmartre.
  • Montmartre era um distrito que só ganhava vida à noite e era destinado exclusivamente a estrangeiros, com restaurantes russos geridos por ex-membros da classe dominante da Rússia, cujos pais e avós haviam humilhado outros povos e cujos filhos agora serviam aos caprichos dos ricos de outras comunidades.
    • Beelzebub cita o dito de Mullah Nassr Eddin: se o pai gosta de andar em trenó de criança, o filho deve estar pronto para puxar o grande trenó da aldeia morro acima.
    • Os espetáculos encenados nos teatros de Montmartre mostravam danças africanas, caucasianas e de mulatos com cobras, todos apresentados como autênticos, mas sem nenhuma relação com o que Beelzebub havia observado nas localidades de origem.
  • A solidão no restaurante de Montmartre desencadeou em Beelzebub o processo de Sarpitimnian-experiencial-esseral pela segunda vez em toda a sua existência, suscitando reflexões sobre a imprevidência dos Indivíduos Cósmicos Mais Altamente Santos.
    • A colisão do cometa Kondoor com a Terra não foi prevista, levando à implantação do órgão Kundabuffer nos primeiros seres tricerebrais do planeta.
    • A destruição posterior do órgão Kundabuffer não eliminou a possibilidade de que as consequências de suas propriedades se cristalizassem nos descendentes, conforme a Lei Cósmica Heptaparaparshinokh com seus Mdnel-Ins.
    • Os corpos esserais superiores formados nos seres tricerebrais da Terra, sendo indissolúveis, ficam condenados a languir em formas planetárias anormais porque o aperfeiçoamento necessário é impedido pelas consequências cristalizadas do Kundabuffer.
  • Os seres reunidos em Montmartre eram idênticos em essência aos de Samlios, Koorkalai e Babilônia, diferindo apenas no vestuário e nos nomes das nacionalidades, o que revelava a ausência de qualquer progresso essencial ao longo de séculos.
    • Em Samlios, então considerado o centro de cultura da Atlântida, Beelzebub já havia observado os mesmos comportamentos nos estabelecimentos chamados Sakroopiaks.
    • Em Koorkalai, capital da civilização Tikliamishiana, os mesmos tipos humanos frequentavam os Kaltaans, os equivalentes dos restaurantes contemporâneos.
    • Na Babilônia, os mesmos Asklays, Kafirians, Veroonks e Klians se repetiam sob nomes como assírios, persas, sícitas e árabes.
  • Um professor de dança americano, dono de uma escola de fox-trot em Paris, explicou a Beelzebub e ao persa por que ensinava dança americana na França em vez de nos Estados Unidos.
    • Os americanos viajavam a Paris impulsionados por dois mecanismos psicológicos: a paixão por ver a Europa e a vaidade de poder dizer que aprenderam o fox-trot na capital mundial das novidades da moda.
    • Na América, segundo o professor, o trabalho é remunerado exclusivamente pelo resultado concreto, sem que fama, talento ou renome sejam cotados, ao contrário da Europa, onde um pintor famoso pode vender qualquer obra medíocre a preço alto.
    • Os turistas americanos percorriam Paris em ônibus da empresa Book and Son, guiados por um tipo sonolento de voz fraca que recitava o roteiro mecanicamente, sem que os visitantes precisassem realmente compreender o que viam.
  • Uma grande firma americano-inglesa-judaica explorava a vaidade dos compatriotas do professor, vendendo-lhes vestidos supostamente parisienses que eram na verdade confeccionados na Alemanha e exportados com etiqueta de Paris.
    • A firma recebia pedidos de clientes americanas, encaminhava-os à filial alemã, onde mão de obra e materiais eram mais baratos, e reexportava os produtos via Hamburgo para Nova York com rótulo parisiense.
    • Os únicos franceses a lucrar com toda essa operação eram os donos dos selos postais usados na correspondência entre clientes e a filial parisiense.
    • O episódio foi encerrado abruptamente por um tumulto no restaurante vizinho, causado por uma espanhola que jogou vitríolo no rosto de uma belga por esta ter presenteado com uma cigarreira gravada um georgiano que era sustentado pela espanhola.
  • A causa profunda da opinião equivocada sobre os franceses residia na psicologia dos visitantes, moldada pela educação anormal que substitui a percepção direta por associações automáticas de ideias previamente instaladas.
    • Os seres de outras comunidades chegavam à parte estrangeira de Paris e, por incapacidade de abranger a realidade como um todo, rotulavam tudo o que viam como francês.
    • A educação preenchia os cérebros das crianças, desde o nascimento, com ideias fantasiosas e efêmeras, impedindo a Natureza de completar a formação adequada do ser esseral responsável.
    • Como resultado, nos seres adultos, toda nova percepção funcionava apenas como gatilho para associações com informações preexistentes, sem nenhuma participação das funções esserais genuínas.
  • A presença do centro de cultura mundial dentro da comunidade francesa era uma grande desgraça para os franceses comuns, que mesmo assim conservavam os dados para dois impulsos esserais fundamentais da moralidade objetiva: a patriarcalidade e a vergonha orgânica.
    • Para Paris afluíam justamente os seres entregues ao deus-do-mal interior, cuja concepção é a ausência total de necessidade de esforço esseral e de qualquer ansiedade de essência.
    • Esses seres, por ociosidade, inventavam novas formas de manifestação Hasnamussiana, chamadas modas, espalhando-as por todo o planeta, assim como nas civilizações anteriores existiam o Adiat tikliamishiano e o Haidia babilônico.
    • A moda do corte de cabelo feminino, inventada em Paris cerca de um século e meio antes por candidatos a Hasnamusses, não foi adotada inicialmente pelas francesas, mas espalhou-se pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, onde gerou sufragistas, cientistas cristãs e teósofas, e posteriormente provocou aumento de doenças femininas como vaginite, uterite, ovarite e câncer.
  • Beelzebub explica que, segundo uma lei cósmica definida, os seres do sexo feminino — chamados seres Keshapmartnian — são fontes do princípio passivo ou negativo no processo da Santa Lei Triamazikamno, e por isso não podem ter manifestações independentes nem ser considerados maiores de idade no sentido esseral.
    • Os juízes franceses, ao absolverem os cabelereiros nas ações movidas por pais, maridos e irmãos das mulheres tosquiadas, basearam-se no fato de que as mulheres tinham mais de dezesseis anos e eram legalmente maiores.
    • Esse julgamento seria completamente revisto se os juízes conhecessem a lei cósmica que rege a transformação das substâncias cósmicas pelo Grande Trogoautoegocrat.
    • Os seres que transformam os elementos ativos destinados ao princípio passivo não podem ser responsáveis por suas manifestações, ou seja, não podem ser maiores no sentido essencial.
  • Os dirigentes da comunidade francesa haviam inventado as feiras como meio de acalmar os ânimos dos seres comuns, de modo análogo ao vodka russo e ao esporte inglês, mas com a vantagem de causar pouco ou nenhum dano aos corpos planetários dos seres.
    • As feiras ocorriam nas principais praças das cidades e aldeias francesas, exatamente nos lugares onde dois séculos antes se realizavam discussões sobre temas religioso-morais.
    • Por cinquenta cêntimos, qualquer ser podia girar até o atordoamento em porcos, camaleões, baleias e outras invenções americanas e não americanas projetadas para produzir estupor.
    • Havia também comidas saborosas preparadas na hora, jogos de azar de todos os tipos — da roleta de Monte Carlo ao Snipsnapsnorum — e todos os meios de sorte e especulação existentes no planeta.
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