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Sentido Oculto – Ossos do Cachorro Enterrado
Hidden Meanings and Picture-form Language in the Writings of G.I. Gurdjieff
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O resumo inicial do capítulo confirma que a questão Se há significados ocultos nos escritos de Gurdjieff está respondida por declarações repetidas e inequívocas do próprio Gurdjieff e de discípulos próximos, que as três versões de apresentação são claras, e que, diante da advertência de Gurdjieff de que quem toma suas palavras literalmente não tem compreensão, é necessário aprender a “decifrar” seus escritos, sendo que Orage, Bennett, Pinder e Nott confirmam que as obras são “codificadas” e escritas em “linguagem em forma de imagem”.
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Durante o período do Prieuré, a penalidade para quem era incapaz de aprender as advertências de Gurdjieff contra a leitura literal tomou a forma de exílio, dramaticamente encenado quando Gurdjieff convocou todos sem exceção ao Study House e anunciou calmamente que o Prieuré seria liquidado e todos deveriam partir em dois dias, exceto “seu próprio povo”.
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A reação descrita é de rostos tão compridos que pareciam tocar o peito, e de grupos na grama perguntando uns aos outros o que aquilo significava.
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Mme de Hartmann é mencionada como interlocutora antes da partida, e o Hotel Unic em Montparnasse como destino de alguns que foram a Paris.
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No dia seguinte, a maioria dos russos, alguns americanos e outros fizeram as malas e partiram para nunca mais voltar ao Prieuré, pois tomaram Gurdjieff literalmente, enquanto os que duvidaram, questionaram e se recusaram a tomar suas palavras ao valor de face puderam continuar, restando apenas um terço dos discípulos, incluindo os mais próximos de Gurdjieff, com quem o trabalho foi retomado nos jardins e na floresta.
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Thomas de Hartmann é mencionado como quem tocava música para o grupo restante no Study House todas as noites.
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O pequeno drama do Prieuré funcionou como um exame prático de uma das lições mais básicas, importantes e repetidas de Gurdjieff, e hoje o mesmo princípio se aplica: quem insiste em tomar Gurdjieff literalmente se autoexila para a versão exterior do Legominismo, nunca ouvindo sua verdadeira instrução, penalidade autoinfligida e evitável pelo simples expediente de “questionar tudo, inclusive a si mesmo”.
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Nott relata que, ao ser perguntado por ele sobre como pessoas que nunca o conheceram poderiam compreender Relatos de Belzebu a seu Neto, Gurdjieff respondeu que essas pessoas poderiam compreender melhor do que muitos sempre ao seu redor, pois não desejava que se identificassem com ele, mas com suas ideias, e que pessoas simples que nunca o conhecessem compreenderiam seu livro.
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A afirmação de Gurdjieff de que “pessoas simples compreenderão meu livro” garante que a solução para os significados ocultos deve ser simples, embora o caminho até ela seja comparado à busca de uma clareira escondida numa floresta densa, percorrida com determinação de mente única e facilitada pelos “velhos alunos” autorizados e preparados por Gurdjieff para esse propósito.
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A complexidade real pertence apenas à versão exterior, produzida intencionalmente pelas contradições, absurdos, ironias e fraseado convoluto do estilo de Gurdjieff, que funcionam como camada protetora.
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Gurdjieff ouvia leituras em voz alta de capítulos de seus trabalhos em andamento e, se constatava que passagens-chave eram apreendidas com facilidade excessiva e superficialidade, as reescrevia para “enterrar o cachorro mais fundo”, corrigindo quem supunha que devia ser “o osso” mais fundo ao dizer que o que se deve encontrar não é o osso, mas o cachorro, conforme relatado por Bennett em Making a New World, página 274.
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A complexidade do estilo verbal de Gurdjieff é descrita como proteção inicial para esse “cachorro”.
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Penetrar a segunda versão começará a clarear as coisas, e a terceira versão tornará o ensinamento simplicidade em si.
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Metáfora é definida de modo simples e funcional como o uso de algo bem conhecido para representar algo menos conhecido, sendo tão comum na linguagem cotidiana que raramente é reconhecida como tal, e alegoria é definida como a soma de algumas metáforas relacionadas, comparável a uma metáfora composta que representa algum sistema em parte ou no todo, exemplificada pela besta alegórica dos Akhaldan com tronco de Touro, pernas de Leão, asas de águia e os famosos “Seios de uma Virgem” crescendo onde deveria estar a cabeça.
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Julian Jaynes e A Origem da Consciência no Colapso da Mente Bicameral são citados em paráfrase para ilustrar a natureza da metáfora.
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O uso de metáfora por Gurdjieff é descrito como profuso, comparado a confete em desfile.
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A distinção técnica entre metáfora, símile, similitude, alegoria e parábola é deliberadamente descartada em favor de uma definição de trabalho unificada.
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De interesse principal será o uso frequente por Gurdjieff de pares metafóricos como “sol” e “lua”, “cachorro” e “gato”, que representam elementos menos conhecidos como as forças “afirmativa” e “negativa”, o ativo e o passivo, e itens mais concretos do substrato neuroanatômico, como os “dois homens” internos de personalidade e essência.
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Se os escritos de Gurdjieff são uma obra codificada com significados ocultos e se ele pretendia que o código fosse decifrado, é lógico e necessário que ele tenha inserido pistas e indícios com precisão, em equilíbrio delicado entre o excessivamente óbvio e o insolúvel, e Mme de Hartmann, Orage e outros tradutores relatam que Gurdjieff era exigente quanto à escolha precisa das palavras, insistindo em um grau de precisão que nem sempre compreendiam, como exemplifica o episódio narrado por Olga de Hartmann em Our Life With Gurdjieff, página 128.
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A exatidão ao nível literal das palavras era apenas um terço da consideração de Gurdjieff, que precisava escolher palavras levando em conta o significado pretendido nos três níveis simultaneamente.
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Alterações posteriores nas palavras e frases cuidadosamente escolhidas por Gurdjieff podem facilmente destruir o equilíbrio em profundidade de sua comunicação precisa, diminuindo as chances de encontrar seu ensinamento mais interior, razão pela qual o capítulo seguinte examinará o efeito de tais alterações nos textos de Gurdjieff, revelando como bônus inesperado a solução para o enigma do “pensamento oculto” de Belzebu.
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Para localizar o “acorde conclusivo” de Belzebu é útil recordar que Belzebu é um personagem através de quem Gurdjieff expõe “várias facetas de suas ideias”, conforme declarado em O Arauto do Bem Vindouro, página 45, e que Gurdjieff fornece identificadores singulares confirmando que fala através da persona de Belzebu: ambos eram hipnoterapeutas praticantes, ambos escolheram a França como residência permanente e ambos tomavam café no Child's Café de Nova York, sendo portanto o “acorde conclusivo” de Belzebu o último livro de Gurdjieff, A vida só é real quando “Eu sou”.
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