Atenção
William Segal, The Structure of Man (Sunderland, Mass.: Green River Press, 1987)
A atenção é o meio por excelência para revelar ao homem as energias latentes que nele residem. Sempre que alguém observa o estado do corpo, a interação entre pensamento e sentimento, surge um indício, por mais sutil que seja, de outra corrente de energia. Através do simples ato de prestar atenção, inicia-se um novo alinhamento de forças.
Manter uma atenção consciente não é fácil. O movimento, as obrigações da existência cotidiana, distraem completamente. Sem uma base de operações, sem um lar no próprio organismo, a atenção serve a pensamentos, sentimentos e apetites aleatórios que entram em conflito e se tiranizam mutuamente.
A sensação de partes ou do corpo como um todo pode ancorar a atenção, proporcionando-lhe uma espécie de habitat. A estrutura, tornando-se mais sensível, ajuda a unificar a atenção, de modo que ela fica menos propensa a desviar-se para canais mentais que consomem seu poder. Por sua vez, as percepções e sensações são aguçadas, os insights se multiplicam.
Abrir-se à força da atenção evoca uma sensação de totalidade e equilíbrio. É possível vislumbrar a possibilidade de um estado de consciência incomensuravelmente superior ao do mecanismo reativo, uma consciência que transcende o modo automático de resposta sujeito/objeto. Flui livremente, o efeito concentrativo e transformador da atenção consciente leva os ritmos díspares dos centros a uma relação relativamente equilibrada. Pensamento, sentimento e sensação são equilibrados sob essa influência vibrante e harmonizadora.
A atenção é uma força independente que não será manipulada pelas partes do indivíduo. Livre de todo ruído interno, a atenção consciente é um instrumento que vibra como um cristal em sua própria frequência. Ela é livre para receber os sinais transmitidos a cada momento por um universo criativo em comunicação com todas as criaturas.
No entanto, a atenção não é “minha”. Em um momento de sua presença, sabe-se que ela não se origina inteiramente de si mesmo. Sua fonte, envolta em mistério, a atenção comunica energias de uma qualidade que a mente não pode representar. É preciso estar a serviço da atenção consciente; prepara-se para o seu advento por meio da quietude ativa.
Em momentos tranquilos e livres de tensão, a estrutura do homem está aberta a fluxos de energia que normalmente estão bloqueados. Por sua vez, essas energias se misturam com materiais recebidos anteriormente, para servir ao superior em uma troca sem palavras e sem nome.
A atenção não é apenas mediadora; ela é transmissora. Dando e recebendo, Deus fala ao homem. Recebendo e dando, o homem fala a Deus. Assim como a estrutura do homem precisa ser vivificada pela infusão de vibrações mais sutis, essas mesmas vibrações requerem a mistura de material grosseiro para sua manutenção. Sem a transmissão ascendente de energias por meio da atenção consciente, o universo sucumbiria à entropia.
No homem, a menor deformação de uma atenção equilibrada interrompe essa comunicação bidirecional. Sozinha, a mente não consegue mantê-la. É necessário também um corpo relaxado.
A meio caminho entre o microcosmo e o macrocosmo, o homem tem seu papel a desempenhar. Retornar ao corpo é um gesto de abertura à atenção que, acionada, está pronta para cumprir sua função cosmológica.
