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Mestres Espirituais
Parabola V25N3. The Teacher. Diálogo entre Marvin Barrett e William Segal.
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O mestre espiritual existe para conectar o céu e a terra, transferindo energia diretamente entre pessoas por meio do contato físico, algo que ocorre raramente mas cujos efeitos podem se propagar por grupos inteiros.
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Mesmo um contato mínimo com o mestre gera abertura e recepção de energias inacessíveis sem sua presença.
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O mestre definitivo pode residir dentro do próprio indivíduo, manifestando-se no instante de quietude em que se reconhece uma presença perene além do eu habitual.
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A quietude do mestre afeta o discípulo assim como o vento afeta o ambiente, estabelecendo uma relação entre mundo objetivo e mundo subjetivo.
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A função do mestre exterior é remover obstáculos internos do discípulo, refinando suas capacidades até que ele possa reconhecer sua verdadeira natureza.
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Enquanto o discípulo for dominado por apegos como comida, sexo ou pensamentos compulsivos, nenhum progresso essencial é possível.
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O mestre desafia o discípulo com rigor, às vezes com dureza, até que ele esteja disposto a abandonar esses apegos.
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Gurdjieff ensinava não por instrução direta, mas por presença: era preciso observá-lo andar, lidar com pessoas e manter a serenidade para extrair o ensinamento.
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D. T. Suzuki, ao contrário, transmitia o ensinamento de forma mais direta, dedicando-se conscientemente a educar seus discípulos.
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O mestre genuíno não precisa ser apenas uma figura religiosa formal; a maestria pode emergir em qualquer campo quando o ego é dissolvido pelo domínio total da atividade.
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Marian Anderson, cantora consumada, exemplifica como a maestria artística pode gerar uma presença sem ego comparável à de um mestre espiritual.
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Caravaggio representa o caso oposto: atenção extraordinária na obra coexistindo com uma vida pessoal caótica e autodestrutiva, evidenciando o mistério das capacidades humanas desiguais.
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Em qualquer domínio, o mestre transmite ao mesmo tempo alta técnica e a capacidade de sustentar um esforço contínuo.
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O momento transformador que torna algo divino acessível ao ser humano nada tem a ver com o tempo nem com a intervenção direta do mestre.
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São Tomás de Aquino, ao fim da vida, considerou toda a sua vasta obra escrita insignificante diante da iluminação recebida diretamente.
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A experiência de sair de um mosteiro japonês após meses de meditação e, ao morder um morango na plataforma de trem com o sol no rosto, compreender subitamente o que os antigos mestres queriam dizer ilustra esse momento: “Ficai quietos e sabei que eu sou.”
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Kabori dizia que entre zero e um uma alma nasce, apontando para o espaço entre o ser humano com todos os seus atributos e o silêncio absoluto.
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O ensinamento transmitido por escrito ou pela fala possui valor, mas o verdadeiro mestre age sem articulação verbal, transmitindo algo diretamente pela energia que impregna tudo o que faz e diz.
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O Dalai Lama combina a capacidade de emanar essa qualidade de presença com a habilidade de articulá-la verbalmente, enquanto outros mestres operam melhor sem palavras.
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O chamado de um mestre verdadeiro é tão intenso que ressoa através dos séculos e continua a atrair discípulos depois de sua morte, não pela vontade do mestre, mas pela energia com que impregnava tudo.
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Ouspensky, por exemplo, transmitia um ensinamento recebido de outro, sem ser considerado um mestre no sentido pleno.
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Jeanne de Salzmann passou de discípula talentosa a figura de autoridade espiritual após a morte de Gurdjieff, num processo gradual iniciado por volta dos sessenta anos de idade.
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Antes de 1947, ela era percebida simplesmente como uma mulher talentosa, sem qualquer distinção especial aos olhos de quem a observava.
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A partir de um certo momento, ela passou a emanar algo diferente ao olhar para as pessoas, o que transformou a relação com seus pares e discípulos.
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Ela demonstrou acume, coragem, inteligência e nível de compreensão impressionantes ao assumir as relações deixadas por Gurdjieff.
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A abertura para reconhecer um mestre exige preparação interior e discriminação, pois falsos mestres abundam e os valores do mundo estão distorcidos.
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Sai Baba, apesar de parecer evidentemente um charlatão ao olhar ocidental racional, produzia fenômenos concretos e inexplicáveis, como um relógio materializado na palma da mão, tornando qualquer julgamento pessoal necessariamente subjetivo.
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Muktananda curou a vista de um gato siamês e demonstrou conhecimento preciso sobre simbolismo religioso em esculturas, sem ser considerado um mestre no sentido pleno.
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A parábola do mestre que manda discípulos pularem de um penhasco, e eles sobrevivem, mas ele mesmo morre ao saltar confiante em seu próprio poder, ilustra como a fé pode superar até mesmo um falso mestre, e como a arrogância destrói o verdadeiro.
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A preparação não consiste em sonhar com o encontro com um mestre, mas em tornar-se puro o suficiente para o encontro, cultivando a mente discriminativa.
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O verdadeiro mestre age sem desejo de ajudar, sem ambição, sem ansiedade e sem metas, como uma criança que pinta sem pensar que está criando.
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Qualquer desejo de ajudar, de transformar outros ou de se tornar algo aprisiona aquele que aspira à maestria.
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Uma mulher que num painel defendeu apaixonadamente a necessidade do desejo nesse trabalho exemplificava exatamente como o desejo de ajudar pode prender o ser humano e impedir sua liberdade.
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O sutra budista citado aponta para a pureza do vazio: sem sabedoria, sem realização, sem pensamento, sem sentimento, sem não sentimento, sem amor, sem não amor.
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O caminho de Milarepa, discípulo de Marpa, exemplifica como a transformação em mestre se dá pela determinação absoluta de obedecer ao mestre e persistir no caminho escolhido.
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A frase de Blake de que o tolo que persiste em sua loucura se tornará sábio sintetiza essa perspectiva sem negar a afirmação de Shakespeare de que os mortais são tolos.
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O compromisso com um curso de ação, entendido como nível mais elevado de atenção, é o que abre a possibilidade de tornar-se um mestre.
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Há otimismo fundado na observação de que, ao longo do tempo, grupos de pessoas comprometidas com um ensinamento sério sofrem transformação real em seu essencial.
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No trabalho de Gurdjieff, cerca de trinta ou quarenta pessoas, ao longo de anos, tornaram-se mais abertas, mais humanas e capazes de uma qualidade mais refinada de atenção.
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A impaciência diante da lentidão do desenvolvimento alheio é um obstáculo: é preciso paciência, pois a compreensão leva tempo a amadurecer.
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O mestre que age com pureza, sem egotismo e sem tentar ganhar nada, serve como exemplo vivo que pode ajudar outros quando o discípulo está pronto para receber.
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