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Estudo das Ideias
Trecho de uma palestra proferida por Michel Conge em Paris, em janeiro de 1959. Texto editado e ampliado por Michel Conge em Angers, em 27 de agosto de 1966. Traduzido e editado sob a direção de Ellen Dooling Draper
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A linguagem exata é indispensável para a compreensão precisa, e toda ideia se organiza em torno do conceito de evolução, conforme registrado em In Search of the Miraculous, de Gurdjieff.
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A evolução abrange consciência, vontade e capacidade de agir, não se restringindo ao homem.
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O caráter universal da evolução é o que confere significado e esperança à ideia de evolução humana.
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A evolução é inseparável do ser, e a questão da vida e da criação do ser deve ser considerada simultaneamente, ao menos em termos teóricos.
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Há apenas um ser, o Incognoscível, do qual tudo emana e ao qual tudo retorna.
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Qualquer tentativa de compreensão se perde quando o Incognoscível é esquecido ou deixado sem representação mental.
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Os três mundos — Deus, o Mundo, o Homem — aparecem com clareza dentro da escala de sete mundos da terminologia de Gurdjieff.
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A escala inclui Protocosmos, Ayocosmos (Megalocosmos), Macrocosmos, Deuterocosmos, Mesocosmos, Tritocosmos e Microcosmos.
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O Protocosmos é o Absoluto; o Deuterocosmos é o Sol; o Tritocosmos é o Homem perfeccionado.
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O Protocosmos evoca o que Gurdjieff denomina o Santíssimo Sol Absoluto, e o Deuterocosmos é o sol visível, origem aparente da vida humana na Terra.
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A origem mais profunda do homem, como semente, situa-se no nível das estrelas, correspondente ao quarto corpo.
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O sol representa um Sol maior do qual provém e do qual extrai sua potência, funcionando como símbolo central em todas as religiões.
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O Tritocosmos é o Homem no sentido bíblico de Adão-alma única, criado à imagem de Deus, onde Deus designa a inteligência do nível solar, não o Absoluto.
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A tradição islâmica denomina o homem em pleno desenvolvimento de Representante, dotado de natureza sintética.
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Essa hierarquia de mundos solares contidos uns nos outros confere pleno sentido ao termo representante.
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A escada da evolução se apresenta como uma assembleia de mundos que se geram e se completam, perceptível na experiência interior das qualidades vibrantes contidas umas nas outras.
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Essa experiência, mesmo sendo aproximação distante da realidade cósmica, ilumina os diagramas e permite falar deles sem falsidade.
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O esforço de conhecer esses mundos em sua relação secreta de Três em Um abre um primeiro vislumbre do ser e da criação.
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O único acesso possível, por ora, é descobrir os diferentes sabores de vida reconhecíveis em si mesmo e o duplo movimento contínuo de nascimento e renascimento perceptível em momentos de autolembranças.
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O movimento de involução e o movimento de retorno não devem ser separados artificialmente pela mente racional.
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Esses dois movimentos, aparentemente opostos, constituem um único fenômeno chamado Vida, e sua não-separação deve ser redescoberta para evitar o drama da contradição.
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Os intervalos da Lei do Sete, longe de serem meras interdições, revelam a inteligência e o amor inscritos nas leis da criação.
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Sem os intervalos, a manifestação divina inicial seria seguida de retorno imediato de energia, sem criação real nem possibilidade de consciência ou volição.
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Sem os intervalos, tudo caminharia para a dissolução e a diminuição progressiva do Santíssimo Sol Absoluto, o que a ciência denominaria aumento de entropia.
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A evolução precisa ser desejada de cima, e a lei da oitava revela um tesouro de inteligência e amor em seus pontos críticos queridos pelo Protocosmos.
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A descontinuidade da atenção humana, com suas quedas no sono entre dois pontos, espelha em escala pessoal a descontinuidade cósmica normal.
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A criação é ao mesmo tempo contínua e descontínua, com esforço em fluxo e refluxo, revelando como involução e evolução se conectam como uma única realidade.
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Um dos pontos críticos cósmicos situa-se entre os planetas e a Terra, onde a corrente de influências é interrompida, ameaçando de gangrena os órgãos situados abaixo desse ponto.
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O homem aparece apenas na oitava da vida orgânica, e não no Raio da Criação.
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Para superar essa ameaça, a inteligência-sol, como representante do Absoluto, inicia o fenômeno da oitava da vida orgânica, capaz de abrir uma rota alternativa de circulação.
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A questão cósmica do intervalo aponta para a natureza consciente do nível solar e convida, por analogia, a uma ação consciente em direção ao potencial humano de ser o terceiro mundo, o Representante.
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O homem foi criado à imagem de Deus, mas cabe a ele viver em conformidade com isso.
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A oitava da vida orgânica é criada à imagem do Raio da Criação, analogia que merece aprofundamento.
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A ideia de luta contra Deus é querida pelo próprio Deus, mas o modo de lutar constitui a questão central.
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Simone Weil, em La Pesanteur et la Grace, formula: não seria a maior desgraça, quando se luta com Deus, não ser vencido?
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O erro humano consiste em ver o problema de fora e tomar a iniciativa a partir da pessoa, gerando uma luta equivocada que se torna violência.
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A luta real é permanecer ativamente quieto e permeável, permitindo a livre circulação de energias em seus movimentos complementares de descida e ascensão.
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A oitava da vida orgânica na Terra funciona como modelo: serve e nada pede para si, como as árvores e outras formas de vida.
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O sol suporta a luta contra a corrente involutiva pelas formas de ser das quais é guardião, aproximando-se assim do Absoluto.
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O esforço consciente do sol consiste em criar não um movimento ascendente, mas um movimento descendente de involução ou criação, gerando uma nova oitava lateral.
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O esforço apenas em direção ao superior, como se forçasse as influências mais sutis a descer, jamais alcança o objetivo.
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A criação de uma oitava análoga ou de uma natureza intermediária é o caminho, por analogia com o intervalo entre duas naturezas reconhecível no interior do homem.
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A oitava lateral revela a fonte do impulso evolutivo presente no homem, inscrevendo nela o sentido de sua existência, de suas contradições e de seu destino, segundo um esquema estabelecido.
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O lugar do homem não está no Raio da Criação, embora seus pés estejam fincados na Terra e ele esteja sujeito à influência de todos os mundos.
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As concepções subjetivas sobre a relação entre o mundo e o homem estão invertidas: o mundo não foi criado para o homem, mas o homem para o mundo.
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A contradição aparente entre o homem criado para o mundo e as formas animais criadas para o homem, como escrito no Gênesis, não existe de fato.
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Muitos elementos da vida orgânica servem ao homem para que ele possa cumprir as funções para as quais foi criado.
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O trabalho sobre si mesmo não é servidão; há nele esperança, alegria, confiança e gratidão.
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A oitava lateral deve ser estudada de modo relativo e analógico, tanto em seu sentido descendente quanto ascendente, buscando compreender a complementaridade das duas direções sem opô-las.
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Esse estudo exige uma ginástica mental contrária aos hábitos e à inércia.
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A incapacidade de compreender o movimento único — três em um — obriga a um estudo alternado que, ainda assim, pode destruir as formas rígidas que estrangulam o pensamento.
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Em seu sentido ascendente, a oitava lateral trata da evolução apenas sob condições especiais: somente parte da vida orgânica pode evoluir, somente parte da humanidade pode evoluir, e somente certas pessoas entre elas.
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A oitava é do homem total, não da humanidade como massa.
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A finalidade última da humanidade é completamente diferente da evolução individual.
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Em seu sentido descendente, o homem foi semeado de cima para responder a uma necessidade inerente ao Raio da Criação, por analogia com a criação dos mundos pelo Absoluto.
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Essa oitava lateral não deve se perder nem se desintegrar, assim como o próprio Raio da Criação.
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O esforço de criação carrega em si uma exigência de retorno, e o chamado interior que o homem sente convida a compreender esse retorno.
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O homem foi feito para transmitir influências mecanicamente como elo de passagem de energias, mas alguns homens precisam evoluir para que uma corrente ascendente apareça.
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Sem o esforço voluntário do homem, não haveria troca entre as correntes descendente e ascendente.
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As condições para esse esforço são inescapáveis e precisas, em conformidade com as leis.
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A reconciliação dos opostos exige retornar à ideia da oitava: uma sucessão organizada de notas em relações e proporções definidas.
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No homem habitual, todos os níveis estão presentes, mas as relações não são respeitadas.
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A evolução se esclarece ao perceber que a hierarquia dos mundos não está estabelecida na ordem cósmica dentro do homem comum.
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Apesar dos erros e das perversidades — no sentido etimológico de movimentos em todas as direções —, permanece uma propriedade invisível que impede a interrupção e permite a passagem das influências descendentes.
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Sem essa propriedade, nem mesmo o papel mecânico primário para o qual o homem foi criado poderia ser cumprido.
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Descobrir esse fio que protege no sono e nos estados mais desordenados seria encontrar uma das chaves da vida.
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As leis primordiais, apesar da confusão e do estado inconsciente, testemunham uma consciência latente que vela durante o sono e uma vontade por trás dos sonhos infantis de poder.
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Evoluir é também reconhecer-se nessa situação particular.
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A descida já implica o retorno: reconhecer o contínuo subjacente à desordem convida a buscar seu rastro.
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O caminho que une a origem oculta à existência tangível pode ser redescoberto no interior do homem, e por isso não há direito de dizer que o Criador abandonou sua criatura.
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As substâncias internas não são inertes; elas vivem e vibram, conferindo significado concreto ao que se tenta descrever como chamado interior.
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Aqui se descobre o segredo do impulso que chama à evolução, a nostalgia que atormenta e que deve ser traduzida em ação.
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O sentido do despertar e do sono aparece na experiência de uma consciência consciente ou na impossibilidade de viver esse estado essencial.
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A reconexão por simples adição não produzirá o Ser que se deseja; sem reunificação, a condição essencial para a manifestação desse Ser estaria ausente.
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Viver a oitava em sua totalidade seria descobrir que nascimento e renascimento se unem e se completam: o primeiro é promessa e condição do segundo; o segundo justifica o primeiro.
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A oitava, ligada ao esforço da autolembranças, deve ser decifrada interiormente, sendo as ideias apenas guias, estudo intelectual e etapa preparatória.
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Cada aparição de uma substância mais sutil e cada percepção de um nível diferente clarifica o ponto de partida para um esforço cada vez mais preciso e consciente.
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O centro de gravidade pode deslocar-se, mas as tentativas de abandonar um nível por outro ainda são meandros refinados.
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Em seu sentido ascendente, a oitava lateral representa a cadeia ininterrupta de níveis de evolução, dos homens adormecidos aos perfeccionados, referindo-se ao Homem-Adão universal único, não à pequena evolução pessoal.
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O Homem único pertence à sua matriz, o sistema solar, mas quando renascido é livre dela.
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Ele a transcende em sua origem secreta e a transcende novamente em seu perfeccionamento.
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No eneagrama, o homem número sete, em relação ao sistema solar, transcende-o ao tornar-se em si mesmo um eneagrama perfeccionado, um universo completo análogo ao Grande Universo.
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Além desse ponto, a ideia de evolução adquire um sentido completamente diferente, absolutamente inacessível.
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Seria útil examinar temas evocados pela oitava lateral: os círculos esotérico e exotérico da humanidade, a ação das influências C, a vida mecânica e as escolas, as duas naturezas, os centros superiores, o diagrama da máquina de três andares, a questão dos alimentos e suas interações, e a abertura para os diferentes níveis do universo.
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A necessidade de evolução, inscrita na natureza do homem e expressa pelas substâncias que nele vivem e vibram, contém a possibilidade dessa evolução, e a possibilidade contém a necessidade.
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É notável descobrir que o homem está relacionado potencial e até atualmente, apesar de parecer separado e agir como se não estivesse relacionado.
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O homem pode ser penetrado por toda categoria de influência, ativa ou passivamente, ou melhor, ambas ao mesmo tempo, o que implica uma trindade por trás da dualidade e, no coração dessa trindade, uma unidade abrangente.
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Tat tvam asi — tu és Isso — ou: você é o Buda, evoca uma realidade que nada pode alterar; e o eu sou aquele que é e você é aquele que não é rompe a ilusão e mostra onde está a chave do enigma.
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Pouco importa que as influências superiores passem pelo homem se ele é incapaz de encontrar seu caminho e submeter-se a elas.
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Ainda assim importa aprender isso, pois sem saber o quanto se desviou, nada vibrará no interior para sacudir o torpor e dissipar os sonhos.
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A liberdade não é uma certeza, mas o princípio da liberdade é algo que se carrega em si mesmo, e paradoxalmente essa certeza vem do que parecia ser um obstáculo intransponível.
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A sujeição a duas correntes opostas é exatamente o que oferece a oportunidade inesperada de liberdade.
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Essa nova visão da questão revela uma abordagem diferente do esforço e libera do peso das contradições aparentes.
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Toda atenção deve ser dada aos pontos favoráveis onde as correntes opostas se cruzam — pontos de cristalização nos quais mundos se formam, tanto no Universo quanto no ser interior.
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Há um tempo e um lugar para cada coisa, e qualquer esforço fora desses tempos, pontos e lugares seria inútil.
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Em cada ponto de interseção das correntes, o centro de gravidade da presença muda, e há não uma libertação definitiva, mas uma escala de momentos sucessivos de libertação.
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A contradição é a razão de esperança, pois as correntes nunca cessam, e no retorno do silêncio é possível ouvir a ação das duas correntes no interior.
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A ideia da oitava, antes fria e abstrata, se materializa e ganha vida, revelando um fluxo que testemunha uma vida ainda desconhecida, batendo em ritmo muito diferente do da circulação do sangue.
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Essa escala existe; caso contrário, a ideia dela não teria ecoado no interior. Mas é preciso abraçá-la e torná-la real.
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Potencialmente, o homem é uma unidade, mas precisa descobrir e verificar isso para tornar-se o mundo que é — o Tritocosmos.
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O Raio da Criação não deve ser visto como uma sucessão de cosmos mais ou menos separados, assim como uma escala não é apenas uma sucessão de notas.
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O Raio da Criação é um todo potencial, talvez uma totalidade perdida apenas para ser reencontrada, no espírito do conceito hindu de Lila.
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Cada mundo carrega em si o mesmo impulso inextinguível de retorno, porque cada um traz em si o rastro dos mundos superiores.
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A consciência deve se estender tanto para o inferior quanto para o superior, levando em conta o mundo intermediário.
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A evolução não pode mais ser pensada como o oposto da involução, mas como uma batida num ritmo que, como a respiração, sobe e desce e só pode ser compreendido assim.
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No eneagrama, percebe-se que qualquer movimento em uma direção está destinado a recair na ronda interminável de partes de um todo que se buscam e se encontram apenas para se perderem novamente.
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Essa visão pode libertar de todos os preconceitos.
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No momento em que a corrente bidirecional é percebida passando pelo interior, com seu movimento contraditório, algo tem de aparecer.
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O que permite que algo apareça no momento de tensão máxima é o fato de não se estar só: a oitava em processo de materialização para um homem que busca a si mesmo é a mesma que a dos já evoluídos.
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Os evoluídos encarnam o que ainda não foi possível reconhecer e viver.
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Uma comunicação secreta com eles existe no centro do ser, e como um paciente em coma, recebe-se algo das qualidades do sangue do doador.
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O problema da evolução, assim visto, une todos os níveis do ser e lembra que há apenas um homem, e esse homem é o Homem.
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A questão da evolução da humanidade, aplicada à massa indiferenciada e não ao indivíduo, não faz sentido, pois a consciência é, no nível humano, um fenômeno individual.
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A resposta possível é que a humanidade, como função da vida orgânica, está ligada à Terra e experimentará o mesmo destino que ela.
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A evolução da Terra deve ser calculada em milhões ou bilhões de anos humanos, o que retira qualquer interesse prático numa eventualidade tão incerta.
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Se a cadeia de homens conscientemente em evolução for rompida, até a possibilidade de uma evolução mecânica indireta da humanidade seria aniquilada.
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Se a oitava da vida orgânica fosse destruída em seu aspecto mais precioso, as influências superiores não mais alcançariam a Terra, e a vida orgânica, a Terra e a Lua desapareceriam.
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Perguntar-se se não é injusto que toda a humanidade não possa evoluir é deixar-se distrair pelo sentimentalismo do único problema real de solidariedade.
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A possibilidade de evolução existe potencialmente para todos, mas é uma potencialidade que deve ser abraçada, colocada em ação e vivida por cada um.
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A única injustiça real é não responder ao chamado ouvido no fundo do ser, pois ao não responder diminui-se a esperança daqueles que esperam no sono.
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Se nenhum dos que ouvem o chamado se levanta, a oitava seria destruída, a raça humana aniquilada, e o ponto de crescimento do Raio da Criação estaria em perigo mortal.
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Dentro da esfera do sol que chamamos de nosso, os mundos precisam tanto de homens adormecidos quanto de conscientes, provavelmente em proporção bem definida.
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O pensamento hebraico de que o homem é chamado a completar a obra do Criador aparece aqui verificado.
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Todo esforço real em direção à consciência sempre produz frutos, e à medida que essa luz cresce no interior, passa lentamente para a massa grosseira da humanidade, da qual surgem progressivamente outros candidatos a homens.
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Os níveis sucessivos de evolução são sempre representados e o fluxo das correntes da vida nunca é interrompido.
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Isso confere sentido às formas monásticas de oração incessante e demonstra que há mais amor, ainda que inconsciente, numa luta aparentemente egoísta consigo mesmo do que num sentido de injustiça infantil e sentimental.
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Não se pode falar de evolução antes que um primeiro clarão de consciência apareça, seguido da necessidade de responder e de um esforço real de submissão ao que é revelado.
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O pensamento deve ser treinado para não vagar, moldado às ideias provenientes de níveis conscientes.
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Ao mesmo tempo, é preciso saber libertar-se até mesmo desse esforço de pensamento, de todas as fórmulas e imagens, por mais verdadeiras que sejam, deixando apenas a impressão viva como arcabouço invisível.
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