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KARPENKO

A Origem da Amizade com Piotr Karpenko

- Rivalidade e Ciúme: A amizade íntima com Piotr Karpenko originou-se de uma intensa rivalidade juvenil em Kars, motivada pela paixão simultânea de ambos pela irmã de um amigo em comum, a qual, alimentada por preferências ambíguas da jovem, culminou em uma briga física à porta da catedral.

- O Desafio do Duelo: Após a briga, Karpenko, influenciado por leituras românticas, desafiou o rival para um duelo à morte. Diante da falta de armas convencionais, a sugestão inusitada de um amigo (Tourchaninov) foi aceita: um duelo com canhões, deitando-se no campo de tiro de artilharia para aguardar o destino sob fogo real.

- A Experiência no Campo de Tiro: A vivência sob bombardeio de artilharia provocou um terror instintivo e uma intensidade de sentimentos inédita, despertando pela primeira vez a “sensação total de si mesmo” e a compreensão profunda do medo alheio, experiência fundamental para o desenvolvimento futuro da empatia e da serenidade diante de perigos egoístas.

- O Ferimento e a Reconciliação: Ao cessar o fogo, a descoberta de Karpenko ferido e inconsciente transformou o ódio em piedade fraterna. O resgate conjunto, o acobertamento do incidente como um acidente de pesca e os cuidados prestados durante a convalescença selaram uma amizade duradoura, dissolvendo completamente a paixão romântica que motivara o conflito.

O Reencontro e a Adesão ao Grupo "Buscadores da Verdade"

- Correspondência e Interesse Intelectual: Após anos de separação e correspondência regular sobre temas religiosos e existenciais, o reencontro ocorreu em Alexandropol, onde Karpenko, impressionado com os experimentos sobre vibrações sonoras realizados em um laboratório improvisado, decidiu passar o verão colaborando nas pesquisas.

- Ingresso no Grupo: A participação na expedição arqueológica às ruínas de Ani consolidou o interesse de Karpenko pelas questões esotéricas, levando-o a tornar-se membro pleno do grupo “Buscadores da Verdade” após concluir seus estudos de engenharia de minas, participando subsequentemente de expedições na Ásia e África.

A Expedição Fatal e a Crítica aos Mapas

- A Tragédia no Himalaia: Durante a travessia dos Himalaias a partir do Pamir, uma avalanche vitimou dois membros da expedição, incluindo o guia local Karakir Khainu, deixando o grupo perdido em um labirinto de gargantas impenetráveis.

- A Inutilidade dos Mapas Modernos: A situação crítica motivou uma reflexão acerba sobre a ineficácia dos mapas contemporâneos em regiões desabitadas, descritos como distorções absurdas da realidade que induzem erros perigosos (como a confusão entre “frente” e “trás” por topógrafos militares), sugerindo que seria mais útil fazer o oposto do indicado ou simplesmente não os ter.

A Construção da Jangada e o Encontro com o Ez-Ezounavouran

- A Necessidade da Jangada: Bloqueados por um rio em cheia, o grupo decidiu construir uma jangada utilizando peles de cabra infladas (*bourdiouks*) e madeira resistente, sacrificando os animais de carga para tal fim.

- O Encontro com o “Fakir”: A busca por madeira adequada (corniso) levou ao encontro com um asceta local (*ez-ezounavouran*), termo preferível a “fakir” (que na Ásia conota trapaceiro). O asceta, antigo chefe de artilharia do Emir do Afeganistão, indicou o local das árvores e demonstrou poderes extraordinários ao convocar um urso selvagem que lhe trouxe uma raiz medicinal.

- Curas Miraculosas: O velho realizou curas impressionantes no grupo: eliminou um bócio em Vitvitskaïa através de massagem e sussurros, prescreveu raízes para a doença renal do Professor Skridlov e sulfato de cobre para o tracoma de Yelov, todas com sucesso verificado posteriormente.

- O Sermão Final: Antes da partida, o asceta proferiu um sermão profundo sobre a vida e os ideais humanos em resposta a uma pergunta de Karpenko, cujo conteúdo será detalhado na A vida é real só quando eu sou de escritos.

A Morte de Karpenko

- O Confronto no Rio: A descida do rio na jangada, protegida por amortecedores infláveis inventados pelo engenheiro Samsanov, foi interrompida por um tiroteio com nativos hostis nas margens.

- O Ferimento Mortal: Durante o confronto, Piotr Karpenko foi gravemente ferido, vindo a falecer dois anos depois, ainda jovem, na Rússia central, encerrando a trajetória de um amigo raro e sincero.

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