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Ato III Na casa de Gafar
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A cena se passa num aposento da casa de Gafar decorado no estilo perso-indiano, com uma alcova de colunas entalhadas abrigando uma fonte de mármore, divãs cobertos de tapetes e almofadas, mesas de rendilhado com narguilé, sorvete e outros objetos de luxuosa fatura.
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Gafar caminha impaciente pelo aposento aguardando notícias de Rossoula sobre Zeinab, a mulher encontrada no bazar há um mês, e percebe com espanto que algo inteiramente novo lhe acontece: ele, sempre altivo e indiferente, tornou-se irritável, desconfiado e perturbado por trivialidades.
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Em casos anteriores, o interesse por uma mulher desaparecia enquanto Rossoula cuidava do assunto; com Zeinab, ao contrário, o pensamento se intensifica a cada dia.
Rossoula entra visivelmente abatido e anuncia que todos os esforços fracassaram: Zeinab recusou todos os presentes enviados, incluindo tecidos indianos bordados a ouro, cavalos árabes, chineses e persas, peles siberianas, um colar de esmeraldas dado pelo Rajá de Kolhapur ao avô de Gafar, a famosa pérola azul chamada Lágrima do Ceilão e até o castelo da família, o Sopro do Paraíso.Gafar, perplexo, reconhece que não tem forças para se conformar com a recusa e que Zeinab é a causa de seu estado mental incomum; ao mesmo tempo, surpreende a si mesmo por estar quase satisfeito com o fato de os métodos ordinários de Rossoula serem insuficientes nesse caso.Ao refletir sobre sua relação com as mulheres em geral, Gafar constata que, desde os dezessete anos rodeado de mulheres e com harém próprio, nunca encontrou uma de cujo amor e devoção pudesse confiar verdadeiramente.-
Em todas as mulheres que o atraíram, o que se ocultava sob as palavras de amor era o interesse pela juventude e beleza, pela luxúria que ele podia proporcionar ou pela vaidade de ser favorita de um nobre.
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As mulheres tornaram-se para ele parte de sua coleção de objetos preciosos, e há muito cessou de buscar nelas mais do que o gozo momentâneo.
Diante da singularidade de Zeinab, Gafar resolve que, se não pode seduzi-la pelos meios habituais, só resta casá-la: deve tomar uma esposa de qualquer modo, e mais bela do que ela jamais encontrará.-
Convoca uma parenta idosa e lhe pede que atue como casamenteira, e a velha parte com outras duas mulheres em direção à casa de Zeinab.
Para distrair-se enquanto espera, Gafar, a contragosto, concorda com uma sugestão de Rossoula, e músicos com instrumentos afegãos, indianos e turquestaneses entram e começam a tocar.-
As doze dançarinas do harém, trazidas de diferentes países e consideradas as mais belas e habilidosas da região, entram aos pares e dançam com abandono excepcional: uma tibetana, uma armênia de Mousha, uma osetinca do Cáucaso, uma cigana, uma árabe, uma baluchistanesa, uma georgiana, uma persa e uma nautch-girl indiana, cada uma manifestando pela dança a alma e o temperamento de sua terra.
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Gafar, que sempre se deleitou com suas dançarinas, mal as vê, tão absorto está em seus pensamentos.
As emissárias retornam com a proposta recusada; Gafar entra em fúria, expulsa todos do aposento e fica a sós com Rossoula, jamais tendo experimentado tamanhas humilhação em sua vida.Após breve luta interior, Gafar cede à proposta de Rossoula, que vai contra seus sentimentos mais profundos, mas que o desejo de vingança pela humilhação faz aceitar.Uma velha feiticeira é convocada: mulher baixa e curvada, de nariz adunco, cabelos grisalhos desgrenhados, rosto moreno com uma verruga peluda na face, unhas longas e sujas, vestida em casaco violeta sujo e chuddar preto remendado.-
Gafar pergunta se ela pode enfeitiçar Zeinab para que se apaixone por ele; a feiticeira responde afirmativamente, mas ao ouvir o nome de Zeinab treme de medo e declara ser impotente nesse caso.
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Ela indica, porém, que existe uma pessoa capaz de fazê-lo, mediante muito ouro.
Gafar e Rossoula decidem partir imediatamente, e a feiticeira consente em guiá-los; servos trazem dos aposentos internos sacos repletos de presentes, e todos partem pela porta do jardim.autores-obras/gig/magos/luta-dos-magos-3.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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