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XXXIV Rússia
GURDJIEFF — BTG-XXXIV (B591-B656)
LIVRO II: RBN II-33 ⇔ RBN II-35
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Beelzebub, durante sua última estadia na Terra, conhece perto das Pirâmides um russo idoso e importante que lhe propõe acompanhá-lo nas caminhadas matinais
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O russo revela ser o chefe de uma instituição chamada Tutela da Temperança do Povo, fundada para combater o alcoolismo crescente na Rússia
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A Tutela é paralisada por intrigas entre grupos com objetivos distintos, impossibilitando qualquer realização prática do seu objetivo central
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O russo, esgotado pelas disputas internas, viajara ao Egito exclusivamente para descansar, mas lá também não encontra paz de espírito
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Reconhecendo em Beelzebub profundo conhecimento da psique humana, o russo lhe propõe viajar à Rússia para reorganizar a Tutela e salvar milhões de pessoas do alcoolismo
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Beelzebub aceita a proposta e parte para São Petersburgo, onde observa nas existências dos russos uma dualidade esseral particularmente acentuada
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Mullah Nassr Eddin, em Ispahan, define os russos como perus: seres que, tendo surgido na Ásia com natureza de corvos, passaram a imitar os pavões europeus sem jamais alcançá-los
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Os alemães, ao inventarem os corantes de anilina, inadvertidamente tornaram impossível que os corvos-russos se convertessem em pavões, pois o preto natural das penas de corvo não aceita tingimento por esses corantes
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O peru, pássaro útil quando abatido do modo correto, é em vida dotado de psique estranha e vive se exibindo e se inflando mesmo quando ninguém o observa
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Em São Petersburgo, Beelzebub tenta obter licença para instalar um laboratório químico destinado a experimentos sobre a psique esseral dos seres terrestres
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A burocracia local exige uma cadeia interminável de documentos, atestados e visitas a departamentos cujos funcionários desconhecem completamente os próprios procedimentos
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Os funcionários agem exclusivamente por hábitos automáticos cristalizados pela repetição, sem qualquer iniciativa própria imediata
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O processo fracassa definitivamente quando um médico oficial exige exame físico completo, o que obrigaria Beelzebub a revelar sua cauda e, portanto, sua natureza não terrestre
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Paradoxalmente, após a apresentação de Beelzebub ao czar Nicolau II, todos os departamentos que antes o haviam negado passam espontaneamente a lhe enviar as licenças
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A apresentação ao czar Nicolau II revela o mecanismo pelo qual os russos avaliam o valor de um ser exclusivamente pela aparência exterior efêmera, chamada Vietro-yretznel
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Um general de alta patente vai pessoalmente à residência de Beelzebub para instruí-lo sobre como se portar, mas desvia-se completamente do assunto ao contemplar uma figura chinesa antiga
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Um ajudante jovem, enviado pelo general, passa duas horas demonstrando como entrar, sair, mover-se e falar diante do czar, ordenando que Beelzebub pratique tudo até o dia seguinte
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Na cerimônia, o mesmo general controla cada passo, cada gesto e até o piscar de olhos de Beelzebub, impedindo-o de observar sequer a aparência do próprio czar
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No dia seguinte à apresentação, o dono da mercearia, os policiais da rua, os proprietários de imóveis e crianças passam a tratar Beelzebub com deferência extrema, e os departamentos burocráticos enviam espontaneamente as licenças negadas por meses
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A Tutela da Temperança é destruída de dentro pela atuação dos médicos-cientistas de novo formato e pelos upstarts que assumiram posições de poder
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Seres hereditariamente poderosos, dominados pelo impulso de autoapaziguamento, insistiram em incluir médicos eruditos de novo formato entre os líderes da Tutela para evitar qualquer esforço próprio
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Quando esses upstarts descobrem que as sugestões mais úteis à Tutela vinham de Beelzebub, um profissional externo à corporação, redirecionam todas as intrigas contra o próprio chefe da Tutela
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O Bolchevismo é explicado como resultado de dois fatores: a lei cósmica Solioonensius e as condições anormais de existência esseral estabelecidas pelos próprios seres terrestres
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Em seres de outros planetas, o Solioonensius desperta o sentimento sagrado Iabolioonosar, isto é, o impulso de autoaperfeiçoamento em direção à Razão Objetiva
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Nos seres terrestres, porém, por dominância do autoapaziguamento, o Solioonensius não desperta o impulso de autoaperfeiçoamento, mas uma necessidade de liberdade que alimenta processos de destruição recíproca
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A consciência esseral ordinária dos seres terrestres exclui a consciência-da-consciência, e por isso os dados subconsicentes para o impulso sagrado da consciência não participam do estado de vigília, tornando inevitáveis as formas anormais que os processos cósmicos assumem entre eles
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A divisão em castas, automaticamente estabelecida entre os seres terrestres, constitui o segundo fator gerador dos processos de destruição recíproca
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A casta dominante surge quando seres com consequências do órgão Kundabuffer especialmente cristalizadas, expressas como astúcia, obtêm controle sobre meios aterrorizantes chamados armas
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Os demais seres, recusando-se a realizar esforços esserais por si mesmos, desenvolvem toda sorte de artimanhas para transferir os trabalhos inevitáveis uns para os outros
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Dessa classificação gradual por grau de astúcia emergem as castas hereditárias, e delas cristaliza-se nos seres o impulso único do Universo chamado ódio, que gera inveja, ciúme e outros impulsos vergonhosos
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Quando o Solioonensius atua, o ódio entre castas aumenta e o temor ante os poderosos diminui, produzindo o padrão que se repete: oradores clamam, outros aderem, processos de destruição eclodem
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Processos semelhantes ao Bolchevismo ocorreram pelo menos quarenta vezes na Terra desde a perda de Atlântida, especialmente no Egito, sem que os seres terrestres contemporâneos disso se lembrem
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Em um dos intervalos entre dinastias egípcias, o comitê revolucionário ordenou que o cargo de chefe de cada cidade fosse dado a quem apresentasse mais olhos de membros da classe dominante nos vasos sagrados chamados kroahns
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Em outra ocasião, Beelzebub testemunhou pessoalmente uma multidão enfiando nos cabos sagrados, como espetos de churrasco, os membros da classe dominante de ambos os sexos e todas as idades, para depois arrastá-los com quarenta pares de búfalos até o Nilo
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Os seres contemporâneos indignam-se com os bolcheviques por terem mandado fuzilar fulano de tal, sem perceber que os processos anteriores eram incomparavelmente mais violentos
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A ignorância dos processos cósmicos e da história real impede os seres terrestres de compreender que os indivíduos que assumem papéis nessas crises são marionetes de forças independentes de sua vontade
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Bons costumes e hábitos esserais úteis, mesmo quando se formam naturalmente ao longo de séculos, desaparecem rapidamente entre os seres terrestres por causa da propriedade psíquica chamada sugestionabilidade
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Os russos adotaram dos povos asiáticos antigos dois costumes de grande utilidade esseral: mascar queva após as refeições e banhar-se periodicamente nos hammams
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Os hammams foram inventados pelo sábio asiático Amambakhlootr, que constatou que as roupas impedem a evaporação das secreções oleosas das glândulas da pele, gerando acúmulo tóxico causador de doenças e do encurtamento da vida
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Sob a influência francesa, os russos abandonaram ambos os costumes: os hammams passaram a ser considerados indecentes entre a classe dominante de São Petersburgo, e o queva desapareceu completamente, ressurgindo apenas na América como chewing gum fabricado com raízes exportadas do Cáucaso sem que os caucasianos soubessem para que serviam
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A sugestionabilidade tornou os seres terrestres incapazes de preservar conquistas esserais acumuladas ao longo de gerações, pois os obriga a imitar outros sem discernimento entre o bom e o mau
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Os russos, ao caírem sob influência francesa, rejeitaram seus próprios bons costumes unicamente porque não existiam na França, sem considerar que as condições de existência francesa eram elas mesmas anormais
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A curta duração das comunidades terrestres, causada pelos processos periódicos de destruição recíproca, impede que bons costumes se consolidem e se transmitam de geração em geração
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Toda a Europa continental partilha da mesma dinâmica: diferencia-se da Rússia apenas na medida em que algumas comunidades, por existirem há mais tempo, conseguiram acumular alguns bons costumes e hábitos instintivos antes de serem dissolvidas ou substituídas
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