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XLI O dervixe bokhariano Hadji-Asvatz-Troov

GURDJIEFFBTG-XLI (B871-B917)

Resumo da tradução inglesa de 1950

LIVRO III: RBN III-40RBN III-42

  • O dervixe Hadji-Zephir-Bogga-Eddin, encontrado por Beelzebub na região de Bukara durante uma viagem pela Ásia, serve de intermediário para o encontro com o dervixe Hadji-Asvatz-Troov, grande autoridade na ciência chinesa antiga chamada Shat-Chai-Mernis, fragmento da lei sagrada cósmica chamada Heptaparaparshinokh.
    • A ciência Shat-Chai-Mernis é o que restou da totalidade das informações verdadeiras sobre a lei chamada Ninefoldness, cognoscida pelos grandes irmãos gêmeos chineses e por outros cientistas genuínos da Antiguidade.
    • Esses fragmentos sobrevivem transmitidos por um número muito limitado de seres iniciados, e a queda desse conhecimento nas mãos dos “cientistas” contemporâneos seria uma catástrofe, pois eles cozinhariam toda espécie de “mingau científico” a partir do sentido contido nesses fragmentos, extinguindo completamente a Razão já quase apagada dos demais.
    • A caminhada de três dias até a alta montanha de Bukara Superior revela uma entrada secreta: uma laje de pedra cobre uma abertura com duas barras de ferro que funcionam como sistema de comunicação a distância, e uma rocha enorme abre-se em seguida, dando acesso a uma caverna iluminada alternadamente a gás e a eletricidade.
  • Hadji-Asvatz-Troov, ser tricerébral já muito idoso e extraordinariamente magro para os padrões locais, vive em um domínio subterrâneo onde conduziu durante quarenta anos experimentos práticos sobre as leis das vibrações, chegando a resultados que não são mais próprios de seres tricerebais da Terra.
    • A amizade genuína, ainda existente entre os seres tricerebais dessa parte da superfície do planeta, faz com que Hadji-Asvatz-Troov trate Beelzebub com benevolência imediata por ser amigo do dervixe Hadji-Zephir-Bogga-Eddin, seu velho amigo.
    • A propriedade esseral de sentir o estado interior de outros seres similares atrofiou-se completamente no psiquismo dos seres tricerebais contemporâneos, sendo substituída por formas externas de “amenidade verbal” calculadas, sem um único átomo do resultado de um impulso interior benevolente.
    • Tigres, leões, ursos, hienas, serpentes, falangas e escorpiões, que não têm contato com os seres tricerebais, ainda possuem dados para engendrar o impulso esseral de respeito instintivo a cada forma de ser; mas percebem o medo irradiado pelos favoritos de Hassein como ameaça e por isso tentam destruí-los.
  • O interesse de Hadji-Asvatz-Troov na ciência Shat-Chai-Mernis nasceu de uma tarefa prática: o Sheikh de seu mosteiro pediu-lhe que investigasse por que as cantigas sagradas, que no mosteiro anterior produziam sensações particulares nos dervixes, não causavam nenhum efeito perceptível no mosteiro atual.
    • A conclusão foi que a diferença residia na natureza dos instrumentos: o mosteiro anterior usava instrumentos de corda, enquanto o atual usava instrumentos de sopro; decidiu-se substituir os instrumentos de sopro pelos de corda.
    • Como não havia dervixes suficientes para tocar instrumentos de corda, o Sheikh propôs a Hadji-Asvatz-Troov que construísse um instrumento de corda mecânico, acionável por qualquer dervixe sem ser especialista, bastando girar, pressionar ou bater.
    • Hadji-Asvatz-Troov associou-se ao dervixe Kerbalai-Azis-Nuaran, ex-relojoeiro obcecado por construir um relógio sem mola alguma que aproveitasse o movimento da Terra e a estabilidade da gravidade para mover os ponteiros com exatidão absoluta.
    • O instrumento resultante foi um zimbal mecânico semelhante ao “novo realejo grego” mas com sons de quartos de tom, acionado por um cilindro de canas achatadas com entalhes que moviam pequenos martelos sobre as cordas correspondentes a cada melodia sagrada.
  • Ao afinar as cordas do zimbal segundo as vibrações de um “perambarrsasidaan” equivalente ao diapasão europeu, na nota absoluta chinesa “do”, Hadji-Asvatz-Troov constatou que o princípio de que o número de vibrações de uma corda é inversamente proporcional ao seu comprimento nem sempre coincide com a obtenção de uma “consonância harmônica de fusão comum”.
    • Essa constatação desviou completamente a atenção de ambos da construção do zimbal para a investigação das leis das vibrações, com o sheikh financiando a retirada de ambos do mosteiro e fornecendo grandes recursos do tesouro monacal.
    • O dervixe Kerbalai-Azis-Nuaran morreu pouco antes da visita de Beelzebub, atingido por uma “bala perdida” do tiroteio entre russos e anglo-afegãos enquanto voltava da cidade de X às margens do rio Amu Dária, onde fora buscar materiais e instrumentos; seu túmulo está numa saliência no canto da caverna.
    • A seção principal dos experimentos é forrada em todos os lados, teto e chão com várias camadas de feltro espesso, impedindo a penetração de qualquer vibração exterior, seja de movimentos, ruídos, passos ou mesmo respiração de criaturas próximas.
  • Um experimento com um vaso de flores em flor demonstra praticamente a distinção entre “vibrações criativas” e “vibrações de impulso”: sons de cinco notas produzidos por tubos de vento deixam as flores intactas após dez minutos, enquanto os mesmos sons produzidos pelo grand piano com cordas de metal específico murcham e secam completamente as flores em dez minutos.
    • O grand piano foi comprado pelo dervixe Kerbalai-Azis-Nuaran num leilão em Bukara, onde era vendido o espólio de um general russo que havia partido; ele percebeu que suas cordas eram feitas justamente do metal necessário para os experimentos.
    • O piano foi afinado com precisão segundo as leis da ciência Shat-Chai-Mernis, levando em conta não só a nota absoluta chinesa “do” mas também as condições geográficas locais, a pressão atmosférica, a forma e dimensões do interior, a temperatura média do espaço circundante e até o número de pessoas que irradiariam emanações humanas durante os experimentos.
    • A sirene europeia, inventada pelo médico Zehbek e aperfeiçoada por Cognar-de-la-Tour, produz som pelo simples fluxo de ar e não por vibrações naturais, tornando impossível determinar o número exato de vibrações; o dervixe Kerbalai-Azis-Nuaran construiu vibrômetros genuínos sem recorrer a esse aparelho.
  • Um segundo experimento com dois sons repetidos das oitavas mais graves do grand piano forma um furúnculo exatamente no lugar especificado por escrito num envelope lacrado e pendurado no teto antes do início da música, na perna esquerda do dervixe Hadji-Bogga-Eddin, mas não provoca nada na perna esquerda de Beelzebub.
    • A ausência do furúnculo na perna de Beelzebub lança Hadji-Asvatz-Troov num estado de desespero profundo comparável ao que sentiu ao ver sua mãe à beira da morte, pois sua ciência amada, que era sua segunda mãe e nunca o havia falhado em quarenta anos, parece ter traído sua confiança pela primeira vez.
    • Beelzebub reconhece que tinha pleno direito moral de revelar sua verdadeira natureza a Hadji-Asvatz-Troov, que era um “Kalmanuior”, ser tricerébral do planeta com quem não é proibido ser franco; mas a proibição juramentada imposta pelo santíssimo Ashiata Shiemash sobre os seres da tribo de Beelzebub impede qualquer revelação na presença do dervixe Hadji-Bogga-Eddin, ainda um ser tricerébral ordinário.
    • A razão dessa proibição é que qualquer informação, mesmo que verdadeira, fornece apenas “conhecimento mental”, e o conhecimento mental sempre serve aos seres como meio de diminuir suas possibilidades de adquirir o “conhecimento esseral”, que é o único meio restante de liberação completa das consequências das propriedades do órgão Kundabuffer.
    • Beelzebub promete solenemente ao venerável Hadji que lhe dará uma resposta que não só o acalmará como também provará que, desde os grandes santos Choon-Kil-Tez e Choon-Tro-Pel, ele é o maior cientista da Terra; Hadji-Asvatz-Troov coloca a mão direita sobre o coração, gesto local que significa “creio e espero sem dúvida”.
    • O furúnculo na perna do dervixe Hadji-Bogga-Eddin é curado em cinco minutos por sons de duas notas, uma das oitavas mais agudas e outra das mais graves, alternados regularmente, sem deixar rastro algum.
  • Experimentos com materiais de seda bukhariana de diversas cores cobrem completamente paredes, teto e chão da seção da caverna e alteram as leituras dos vibrômetros colocados nos braços dos dervixes e nos pescoços de um cão, uma ovelha e uma cabra.
    • O total de vibrações do cão é três vezes maior que o da ovelha e uma vez e meia maior que o da cabra; muitos seres humanos contemporâneos têm um total de vibrações em sua presença comum inferior ao desse cão, pois a função de emoção, principal geradora de vibrações subjetivas, está quase completamente atrofiada na maioria deles.
    • Um material de cor muito estranha tecido com fibras da planta Chaltandr, natural do local, tem a propriedade de não ser afetado pelas vibrações de outras fontes próximas e de não alterá-las, sendo por isso usado como “tenda” neutra para os experimentos “arquitetônicos”.
    • Os experimentos arquitetônicos demonstraram que o tamanho e a forma geral de um interior, as curvas, ângulos, saliências e reentrâncias nas paredes, ao modificar as vibrações na atmosfera do lugar, alteram para melhor ou pior as vibrações subjetivas das pessoas e animais presentes.
    • As vibrações mais nocivas para os seres tricerebais contemporâneos são as formadas nos seus próprios organismos pelos chamados “remédios médicos”; seguidas pelas vibrações produzidas pelas chamadas “obras de arte”, incluindo pinturas, estátuas e a celebrada música contemporânea.
  • A iluminação a gás da caverna originou-se da descoberta de que não longe dali fluía sob a terra um córrego que lavava minerais cuja ação combinada separava um gás inflamável, que por fissuras do solo alimentava o chamado “fogo eterno” de uma caverna sagrada local, atribuído pela crença popular ao profeta Herailaz arrebatado vivo ao céu sem ter tido tempo de apagar sua fogueira.
    • Hadji-Asvatz-Troov e o dervixe Kerbalai-Azis-Nuaran investigaram a causa real do fenômeno e instalaram tubos de argila para conduzi-lo à sua caverna, distribuindo-o em seguida por bambus conforme as necessidades.
    • A iluminação elétrica foi introduzida por um jovem amigo europeu, que descobrira praticamente tanto as causas da doença chamada câncer quanto um modo de destruí-la mediante vibrações elaboradas conscientemente pelo próprio curador e saturadas no corpo do doente em certa sucessão temporal.
    • Esse jovem europeu veio à caverna para esclarecer por experimento por que, durante o tratamento de sua esposa com aparelhos de Roentgen, surgiram concentrações independentes da doença em lugares novos do corpo, o que ele nunca havia observado em anos de investigações anteriores.
    • Ele trouxe quase cinquenta elementos de Bunsen, vários acumuladores, bobinas de fio elétrico e aparelhos de Roentgen, mas os experimentos com vibrômetros revelaram que a corrente elétrica dos elementos de Bunsen oscilava continuamente, tornando-a inútil para as medições precisas requeridas.
    • A solução veio ao jovem europeu ao cruzar a ponte sobre o córrego subterrâneo: extração de minérios de três tipos das minas abandonadas vizinhas, dispostos em certa ordem no leito do córrego, e ligação de dois terminais a acumuladores ligeiramente carregados, produzindo uma corrente elétrica de número de vibrações absolutamente uniforme durante todo o tempo de seu fluxo.
    • Os experimentos provaram que o tratamento de raios X, embora atrofie o centro gravitacional da doença, facilita enormemente as metástases para outras glândulas, semeando e fazendo florescer a doença em novos lugares; ao partir para a Europa, o jovem europeu deixou essa fonte permanente de energia para uso de Hadji-Asvatz-Troov, que instalou lâmpadas elétricas em toda a caverna com chaves de interrupção para acumular a energia nos momentos de não uso.
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