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XLIII A investigação de Belzebu sobre o processo da destruição recíproca periódica dos homens, ou a opinião de Belzebu sobre a guerra

GURDJIEFFBTG-XLIII (B1055-B1118)

Resumo da tradução inglesa de 1950

LIVRO III: RBN III-42RBN III-44

O capítulo começa com a questão de Hassein:

Querido avô! Embora graças às tuas exaustivas explanações relacionadas a diferentes episódios que procederam no planeta Terra durante o processo da existência dos entes tricerebrais, obtive uma clara concepção e compreensão convincente da surpreendente estranheza da psique deles, no entanto a questão ainda surge em mim sobre uma particularidade desta psique deles que não pode ainda compreender em absoluto e que, mesmo levando em conta a estranha psique deles, parece a mim não lógica. Meus pensamentos constantemente retornam a esta questão perplexa e até mesmo estavam concentrados nisto durante o sacramento sagrado no Djamdjampal.

De todas as tuas explanações concernentes ao processo da existência destes entes tricerebrais, eu definitivamente compreendi que embora durante toda a existência responsável deles, particularmente após a terceira perturbação Transapalniana aí, eles começaram a principalmente ter a Razão puramente automática, no entanto mesmo com esta Razão automática eles podem mentar frequentemente e deliberar tão bem que até podem ser capazes de constatar todas as espécies de mais ou menos exatas leis da Natureza em seu planeta, de acordo com as quais podem até mesmo inventar algo eles mesmos.

Ao mesmo tempo, paralelo com isto, a menção dessa particularidade deles própria a eles somente, a saber, a necessidade de periodicamente ocupar a si mesmo com a destruição da existência de cada um, flui suavemente através de todos os teus relatos.

Assim, meu querido avô, não posso de modo algum compreender como pode acontecer que apesar de terem existido um tão longo período, não tenham ainda se tornado cientes e até agora continuem a ser não cientes do horror desta propriedade deles.

Eles jamais realmente veem que estes processos deles são os mais terríveis de todos os horrores que podem possivelmente existir no todo do Universo, e jamais ponderam sobre este assunto, de modo que possam se tornar cientes deste horror e descobrir um meio de erradicá-lo?

Por favor, avô, diga-me porque assim é, e que aspectos, compondo a totalidades da estranheza da psique deles, são as causas desta particularidades deles?

  • Após o retorno do Djamdjampal, Hassein indaga ao avô Beelzebub sobre uma particularidade da psique dos seres tricerebral da Terra que lhe parece ilógica mesmo levando em conta todas as estranhezas já explicadas.
    • Durante toda a existência responsável desses seres, especialmente após a terceira perturbação Transapaliana, eles passaram a ter uma Razão predominantemente automática.
    • Mesmo com essa Razão automática, são capazes de mentalizar e deliberar com frequência, chegando a constatar leis da Natureza e fazer invenções.
    • Paralelamente, um fio escarlate atravessa todos os relatos de Beelzebub: a necessidade que esses seres têm de periodicamente destruir a existência uns dos outros.
  • Hassein não consegue compreender como, após tão longo período de existência, esses seres ainda não perceberam o horror dessa propriedade nem encontraram meios de erradicá-la, e pede a Beelzebub que explique quais aspectos de sua psique estranha causam essa particularidade.
  • Beelzebub responde com um sorriso de remorso e um suspiro profundo, afirmando que essa particularidade e todos os seus resultados são a causa principal de todas as anormalidades e da lógica confusa desses seres.
  • Beelzebub anuncia que ajudará Hassein a esclarecer a questão, mas que, em vez de oferecer sua opinião pessoal, fornecerá material para que o neto possa por confrontação lógica cristalizar em si mesmo uma opinião individual.
    • Confirma que os seres tricerebral da Terra de fato ponderam sobre sua predisposição ao extermínio recíproco, e que alguns o fazem com muita frequência.
    • Mesmo com a automaticidade de sua Razão, alguns compreendem plenamente que essa particularidade é um horror inimaginável para o qual não se encontra nem nome.
    • No entanto, dessas ponderações nunca resulta nenhum sentido útil.
  • O fato de que as ponderações não produzem resultado decorre em parte de que apenas seres isolados refletem sobre o assunto, e em parte da ausência de uma organização planetária comum para uma linha de ação única.
    • Mesmo quando seres isolados ponderam e constatam algo sensato sobre esse horror, suas constatações nunca se difundem amplamente nem penetram na consciência dos demais.
    • Além disso, graças às condições anormalmente estabelecidas de existência esseral, a psique de vigília de cada um deles gradualmente se torna tal que só consegue pensar com sinceridade e ver as coisas à luz verdadeira quando o estômago está completamente cheio e todas as necessidades indignas de seres tricerebral já foram plenamente satisfeitas.
    • Como as condições erroneamente estabelecidas não permitem a todos essa satisfação, a maioria deles, mesmo desejando, não pode pensar com sinceridade nem sentir a realidade, tornando o pensamento sincero e a percepção da realidade um luxo raro e inacessível.
  • Apenas certos seres chamados importantes e detentores de poder têm a possibilidade de se saciar; são justamente esses que, por sua posição, poderiam fazer algo para erradicar o mal ou ao menos diminuí-lo.
    • Mas esses seres importantes e detentores de poder que poderiam agir nada fazem de efetivo por razões de outra ordem.
    • As causas fundamentais disso decorrem do meio maléfico fixado no processo de sua existência esseral ordinária chamado educação.
  • Esse meio maléfico da educação é adotado para todos os jovens durante a idade preparatória, mas especialmente para aqueles jovens que quase sempre se tornam detentores de poder.
    • Quando esses jovens se tornam seres responsáveis e começam a assumir obrigações responsáveis, não possuem nenhum dado para manifestar reflexão lógica.
    • Isso ocorre porque não usaram o tempo destinado pela Grande Natureza para preparar em si mesmos dados esserais para uma existência digna e responsável.
    • Em vez disso, desperdiçaram esse tempo desenvolvendo propriedades que decorrem da totalidade dos resultados de sua célebre educação, que lhes dita como se entregar ao autoapaziguamento.
  • Graças a essa educação anormal, não só nada se cristaliza neles que lhes permita refletir e atualizar algo efetivo na prática, mas ao contrário, as consequências das propriedades do maldito órgão Kundabuffer neles se formam e se tornam funções orgânicas.
    • Essas consequências são transmitidas por hereditariedade de geração em geração e se cristalizam na psique desses infelizes.
    • As consequências em questão são aquelas que existem hoje sob os nomes de egoísmo, parcialidade, vaidade, amor-próprio, e assim por diante.
    • Para esses seres detentores de poder ou importantes, o sábio Mullah Nassr Eddin tem uma definição muito interessante: o grau de importância dessas pessoas depende apenas do número de seus calos.
  • Quando os seres tricerebral da Terra, especialmente os contemporâneos, que têm meios de se fartar e satisfazer todas as suas necessidades e que talvez pudessem fazer algo para combater o fenomenal mal reinante em seu planeta ficam saciados e satisfeitos, sentados em seus macios divãs ingleses para, como se diz lá, digerir tudo, não aproveitam esse tempo propício ao pensamento sincero, entregando-se em vez disso ao maléfico autoapaziguamento.
  • Como é impossível para todos os seres tricerebral do Universo existir sem o processo de mentação, e como os favoritos de Beelzebub desejam se entregar livremente ao autoapaziguamento interior, gradualmente se habituam a que um tipo de pensamento flua neles de modo puramente automático, sem qualquer esforço esseral próprio.
    • Nisto alcançaram a perfeição: seus pensamentos fluem em todas as direções sem qualquer esforço intencional de nenhuma parte de sua presença.
    • Quando esses seres importantes e detentores de poder da Terra estão sentados em seus divãs após se fartarem e se satisfazerem, os pensamentos associativos que inevitavelmente deveriam fluir neles recebem impulsos dos reflexos do estômago e dos órgãos sexuais e vagam livremente em todas as direções, agradavelmente livres, como se estivessem passeando numa tarde em Paris pelo Boulevard des Capucines.
  • Os pensamentos dos seres detentores de poder da Terra em seus divãs após a refeição versam, por exemplo, sobre como se vingar de um conhecido que olhou para uma mulher com o olho errado, ou por que seu cavalo não venceu a corrida, ou por que certas ações sobem na bolsa, ou o que fariam se estivessem no lugar de alguém que inventou um novo método para criar moscas.
  • Ainda assim, ocasionalmente acontece de algum ser detentor de poder ou importante pensar não sob influências dos reflexos do estômago e dos órgãos sexuais, mas com sinceridade e seriedade sobre questões diversas, incluindo essa terrível questão terrestre.
    • Mesmo essas reflexões sinceras dos detentores de poder ocorrem na maioria das vezes de modo bastante automático a partir de causas externas casuais.
    • Tais causas incluem: a morte violenta de alguém muito próximo durante o último processo de destruição recíproca; uma ofensa grave e dolorosa; um grande favor inesperado recebido; ou a real percepção da aproximação do fim da própria existência.
  • Nesses casos, quando os seres detentores de poder ponderam sinceramente sobre esse fenomenal horror que procede em seu planeta, ficam muito agitados e fazem votos de empreender e atualizar a todo custo o necessário para pôr fim a esse mal crescente.
    • O problema é que, assim que seus estômagos ficam vazios ou eles se recuperam um pouco das impressões externas que os abalaram, não só esquecem imediatamente o voto que fizeram, mas até recomeçam a fazer conscientemente ou inconscientemente precisamente tudo o que em geral é a causa do desencadeamento desses processos entre comunidades.
  • Em regra, como os seres detentores de poder ou importantes não usam o tempo previsto pela Grande Natureza para se prepararem como seres responsáveis dignos, durante sua existência responsável mesmo no estado de vigília todas as associações em suas presenças comuns fluem quase sempre automaticamente.
    • Por isso eles próprios, sem intenções individuais e às vezes até meio intencionalmente, tentam fazer tudo de forma que o próximo processo de destruição recíproca ocorra o mais cedo possível.
    • Até esperam que esse próximo processo se processe na maior escala possível.
    • Essa necessidade monstruosa surge em sua psique anormal porque desses processos esperam certos lucros egoístas, pessoais ou para seus mais próximos, e com sua mentação degenerada chegam a crer que quanto maior a escala do próximo processo, maiores serão os lucros a obter.
  • Às vezes acontece que certos seres detentores de poder e importantes entre os favoritos de Beelzebub se unem e formam uma sociedade especial com o objetivo de encontrar e atualizar na prática algum meio possível para a abolição dessa propriedade arquicriminosa.
    • Quando Beelzebub estava deixando aquele sistema solar para sempre, havia de novo muita fala sobre a formação de tal sociedade, que ao que parece pretendia chamar-se Liga das Nações.
    • Beelzebub disse de novo porque semelhantes sociedades já haviam sido formadas muitas vezes anteriormente, e sempre morreram do mesmo modo estranho: sem qualquer agonia de morte.
  • Beelzebub recorda que a primeira dessas sociedades surgiu na cidade de Samoniks, no país Tikliamish, então considerado o principal centro de cultura para todos os seres tricerebral do peculiar planeta.
    • Nessa ocasião, seres importantes das comunidades do continente Ásia reuniram-se para elaborar em conjunto um acordo comum de que nunca mais surgissem causas para processos de destruição recíproca entre as diferentes comunidades asiáticas.
    • O lema dessa sociedade era: Deus está onde o sangue do homem não é derramado.
    • Por conta de vários objetivos pessoais egoístas e vangloriosistas, os seres importantes que se reuniram logo brigaram entre si e voltaram para casa sem ter realizado nada.
  • Vários séculos após a existência de Tikliamish, surgiu de novo no continente Ásia uma sociedade semelhante, desta vez no país chamado Mongolplanzura.
    • Essa sociedade existiu com o lema: Amai-vos uns aos outros e Deus vos amará.
    • Pela mesma razão, também não produziu resultados positivos e terminou do mesmo modo.
  • Mais tarde formou-se outra tal sociedade, desta vez no país atualmente chamado Egito, com o lema: Se você aprender a criar apenas uma pulga, então ouse matar um homem.
    • Ainda mais tarde, o mesmo aconteceu no país chamado Pérsia, com o lema: Todos os homens são divinos, mas se apenas um for morto violentamente por outro, então todos serão como nada.
    • Numa ocasião mais recente, há apenas quatro ou cinco séculos, tal sociedade foi formada no continente Ásia, na cidade chamada Mosulopolis, denominada inicialmente A Terra É Igualmente Livre para Todos.
    • Após uma disputa surgida entre os membros, renomearam-na e ela terminou sua existência sob o novo nome de A Terra Deve Ser Apenas para os Homens.
  • Os membros da sociedade A Terra É Igualmente Livre para Todos poderiam talvez ter realizado algo efetivo, pois seu programa era atualizável e seus membros eram, sem exceção, seres idosos e honrados com muita experiência e já desiludidos com tudo o que a existência planetária comum poderia lhes oferecer.
    • Graças a isso, tinham menos propriedades egoístas, vaidosas e outras que costumam arruinar sociedades semelhantes.
    • Acima de tudo, essa sociedade poderia ter produzido algo efetivo porque entre seus membros não havia um único ser detentor de poder, já que esses seres, por seus objetivos egoístas e vangloriosistas, sempre acabam enviando todas as realizações de qualquer sociedade de caráter planetário comum para os famosos porcos de Mullah Nassr Eddin, que devoram tudo sem modos.
  • Os seres terrestres detentores de poder e importantes, especialmente os contemporâneos, às vezes não frustram assuntos nacionais dos quais esperem ganho considerável pessoalmente para si ou para os de sua casta.
    • Das tarefas de tal sociedade poderiam resultar bons frutos para todos os seres do planeta sem distinção de casta.
    • Mas assim que os assuntos dessa sociedade começam a ser um pouco difíceis, ou seja, quando surge uma crise, essas tarefas imediatamente enfastiam os seres terrestres detentores de poder, e sua simples menção provoca em seus rostos expressões de martírio.
  • A razão pela qual nada resultou dos labores dos seres que chamaram sua sociedade de A Terra É Igualmente Livre para Todos será relatada um pouco mais tarde, com certa riqueza de detalhes, pois as informações sobre as causas da queda dessa sociedade são muito características para o esclarecimento de Hassein sobre a estranheza da psique desses seres em geral.
    • Ao mesmo tempo, essa informação servirá como material para a compreensão até certo ponto das causas objetivas principais pelas quais esses terríficos processos de destruição recíproca procedem entre eles.
    • Também se aprenderá como a Natureza local, quando algo imprevisto atrapalha seu funcionamento correto para os fins do Trogoautoegocrata cósmico-comum, se adapta para que seus resultados se harmonizem com essa grande lei cósmica.
  • Quanto à sociedade contemporânea chamada Liga das Nações, formada com o objetivo de conjuntamente elucidar e atualizar na prática medidas para a cessação total do processo terrificante, a opinião sincera de Beelzebub é que desta vez também nada de efetivo resultará, por duas razões.
    • A primeira razão ficará clara ao fim do relato.
    • A segunda razão é que essa propriedade já entrou nos seres tricerebral do planeta Terra, como se diz, em seu sangue e carne, e assim como nada puderam realizar os seres de épocas anteriores que haviam atingido pelo menos o autolembrar-se, muito menos algo efetivo pode ser feito, concebido ou atualizado por seres com a Razão que possuem os membros dessa sociedade contemporânea, que no plano do Ser só foram aperfeiçoados ao grau que Mullah Nassr Eddin define pela noção expressa nas palavras: Olhe! Olhe! Ele já começa a distinguir mamãe de papai.
  • Beelzebub acrescenta que os seres contemporâneos importantes e detentores de poder que são ou serão membros dessa sociedade contemporânea obterão pessoalmente para si, graças a esse novo artifício, um resultado muito formidável e muito útil.
    • Graças a essa sociedade oficial, terão mais uma desculpa muito plausível para iludir suas chamadas proprietárias, sejam esposas, amantes, sogras ou assistentes em alguma grande loja.
    • Graças a essa nova sociedade oficial, poderão passar o tempo tranquilamente entre amigos, seres importantes e detentores de poder como eles próprios, e nesses cincos horas oficiais, organizados ostensivamente para assuntos ligados aos objetivos da importante sociedade, poderão passar o tempo sem os olhares silenciosos porém aterradores e a vigilância de suas proprietárias.
  • Tais sociedades de seres detentores de poder costumam surgir no início do fim dos grandes processos de destruição recíproca, e quase sempre surgem do seguinte modo.
    • Certos detentores de poder sofreram durante o último processo de destruição recíproca perdas tão pesadas que seu impulso de ação ainda não cessara em sua presença comum, gerando para o funcionamento geral de sua psique uma certa combinação.
    • Em consequência, os dados em sua subconsciência para o surgimento do impulso esseral chamado consciência começaram por si mesmos a participar do funcionamento de sua consciência automática já há muito tempo habitual.
    • Obteve-se assim por si mesma em sua psique geral a combinação com a qual o Santíssimo Ashiata Shiemash sonhara para todos os seres tricerebral daquele planeta infeliz.
  • Quando esses seres detentores de poder se reúnem e deliberam muito sobre essa terrível propriedade, gradualmente começam a vê-la quase à sua luz verdadeira, e começa a surgir neles um desejo genuíno e sincero de fazer tudo o que for possível para abolir esse horror.
    • Se por acaso vários desses seres terrestres detentores de poder com a consciência assim ressuscitada se encontram e, graças a uma longa influência mútua, veem e sentem a realidade quase à sua luz verdadeira, unem-se para encontrar conjuntamente alguma possibilidade de atualizar esses desejos sinceros.
    • É assim que todas essas sociedades lá costumam começar.
  • O mal está em que, em regra, outros seres terrestres importantes e detentores de poder logo entram nessas sociedades e começam a participar delas.
    • Esses últimos entram não porque sua consciência também começa a falar, mas apenas porque, segundo as condições anormalmente estabelecidas de existência esseral ordinária, sendo importantes e detentores de poder, devem obrigatoriamente ser membros de toda sociedade importante.
    • Quando entram e começam a participar dos assuntos dessas sociedades, com seus objetivos pessoais egoístas e vangloriosistas, em regra não apenas mandam para cima da chaminé tudo o que os seres com consciências ressuscitadas haviam feito, mas também muito em breve põem espetos nas rodas dos primeiros fundadores.
    • E por isso essas sociedades de seres formadas lá para o bem planetário comum sempre morrem rapidamente e, como Beelzebub já dissera, até sem agonia de morte.
  • Sobre os resultados efetivos obtidos de todos esses bons começos dos seres importantes, Mullah Nassr Eddin tem um dito muito sábio: os jumentos de Karabaghian jamais cantarão como rouxinóis, nem se absterão de se deliciar com os cardos genuínos de Shooshoonian.
  • Durante os longos séculos de atenta observação dos seres tricerebral do planeta Terra, Beelzebub nunca notou que em qualquer das sociedades formadas por eles com o objetivo de conjuntamente conceber meios para a existência feliz das grandes massas, tivessem participado seres com Razão mais ou menos objetiva.
    • Durante as observações de sua última estada lá, esclareceu-se que os seres com Razão objetiva não participam dessas sociedades pelas seguintes razões.
    • Para participar de qualquer sociedade, um ser deve obrigatoriamente ser importante, e lá um ser importante, graças às condições anormalmente estabelecidas de existência esseral, só pode ser aquele que tem muito dinheiro ou que se torna famoso entre os outros seres.
    • Como especialmente nos últimos tempos só podem tornar-se famosos e importantes aqueles em quem a função sagrada da consciência esseral está inteiramente ausente, e como essa função sagrada está sempre associada a tudo o que representa a Razão Objetiva, os seres tricerebral com Razão Objetiva sempre têm também consciência, e consequentemente tal ser com consciência nunca será importante entre os outros seres.
  • Por isso os seres com Razão Pura jamais tiveram nem jamais terão a possibilidade de participar nas sociedades de seres importantes e detentores de poder, o que Mullah Nassr Eddin expressa assim: Esta é a punição suprema: puxa pelo rabo e a crina fica presa, puxa pela crina e o rabo fica preso.
  • Seja como for, os favoritos de Beelzebub na época contemporânea desejam novamente encontrar formas e meios possíveis para a abolição dessa terrível propriedade que se tornou neles inerente e se fixou em sua psique tão fortemente quanto as consequências das propriedades do órgão Kundabuffer.
    • Os membros da sociedade contemporânea, a Liga das Nações, se esforçarão para atingir essa abolição por todo tipo de regulamentos e acordos diversos concebidos por eles, pelos mesmos meios pelos quais também os seres antigos tentaram atingi-la, meios pelos quais, na opinião de Beelzebub, agora é já absolutamente impossível ali atingir qualquer coisa efetiva.
    • Desse artifício dos favoritos contemporâneos alguma vantagem poderia ser obtida, mesmo considerável, mas apenas para seus inevitáveis jornais, para conversas de salão, e naturalmente para as várias manipulações Hasnamussanas dos chamados especuladores de bolsa terrestres.
  • A situação em relação a esse terrível mal lá é tal que atingir imediatamente a destruição total na superfície de seu planeta dessa propriedade hedionda que já entrou em seu sangue e carne não é apenas uma tarefa sem sentido para sua miserável Razão, mas é em geral quase impossível.
    • No entanto, mesmo esses seres contemporâneos da Liga das Nações poderiam talvez alcançar resultados positivos no objetivo fundamental que estabeleceram para si, se se ocupassem apenas com a resolução e atualização das questões que estão na esfera de sua competência e poderes.
    • Conhecendo seus modos, Beelzebub está bem certo de que não se ocuparão das questões ao alcance de seu entendimento.
  • Se esses seres estivessem verdadeiramente conscientes com todo o seu Ser de todo o terror objetivo desses processos e desejassem sinceramente erradicar em conjunto esse mal, penetrariam na essência da questão e compreenderiam que uma herança fixada em sua psique durante centenas de séculos nunca pode ser descristalizada no espaço de poucas décadas.
    • Se entendessem isso, não tentariam decidir nem atualizar nada a esse respeito para o bem de seus contemporâneos, mas dirigiriam e usariam toda sua atenção, todos os seus poderes e todas as suas possibilidades, tendo em vista apenas os seres das gerações futuras.
  • Beelzebub propõe exemplos concretos do que poderia ser feito com resultados reais se esses seres se ocupassem com o que está ao alcance de sua Razão e de seu poder.
    • Por exemplo, em vez de tentar imediatamente a cessação total dos processos de destruição recíproca, poderiam ocupar-se com a erradicação de duas noções cujas convicções se fixaram em seu processo ordinário de existência.
    • A primeira seria tentar abolir o costume de exaltar certos participantes nesses processos como heróis e recompensá-los com honrarias e ordens.
    • A segunda seria tentar abolir ao menos uma de suas ilustres ciências Hasnamussanas, inventadas por certos seres borbulhentos entre eles, na qual se prova negligentemente que a destruição recíproca periódica na Terra é muito necessária, e que sem ela resultaria uma superpopulação intolerável e tais horrores econômicos que os homens começariam a se devorar mutuamente.
  • Se atingissem a abolição dessas duas práticas já firmemente fixadas no processo de existência esseral ordinária anormal, obteriam dois resultados fundamentais.
    • Graças à abolição da primeira, erradicariam para sempre a maior parte dos fatores automáticos que predispõem a psique da geração em crescimento a cair naquele estado especial que lhes é já habitual durante esses processos.
    • Graças à abolição da segunda, ajudariam a que ao menos uma das ideias idiotas não chegasse aos seres dos tempos futuros, transmitida de geração em geração como algo legal e indubitável, e que em conjunto são em parte a causa da formação em suas presenças de propriedades indignas de seres tricêntricos do Megalocosmos, incluindo aquela propriedade que engendra neles até a dúvida na existência da Divindade.
    • Por causa principalmente dessa dúvida, quase desapareceu de suas presenças comuns a possibilidade de precipitação dos dados que deveriam obrigatoriamente ser precipitados nas presenças de todos os seres tricerebral, cuja totalidade engendra neles o impulso chamado percepção-instintiva de certas verdades cósmicas, sempre sentidas até pelos seres unicêntricos e bicêntricos em todo o Universo.
  • O infortúnio para todos os outros favoritos de Beelzebub é que esses seres detentores de poder e importantes reunidos de todo o planeta não começam a se ocupar dessas questões, considerando-as abaixo de sua dignidade.
    • Em geral, em consequência de que todo tipo de dados para a manifestação individual já cessou completamente de ser cristalizado na maioria desses seres tricerebral que despertaram o interesse de Beelzebub, especialmente os contemporâneos, eles se manifestam apenas segundo os ditames das consequências das propriedades do órgão Kundabuffer.
    • Por isso não gostam de se ocupar com assuntos que estejam dentro de sua Razão e de seu poder, mas sempre se ocupam com decisões de questões incomparavelmente superiores à sua Razão.
  • Graças a esse traço de sua psique estranha, outra necessidade psíquico-orgânica peculiar e em altíssimo grau estranha foi formada neles durante os últimos vinte séculos.
    • A principal manifestação dessa necessidade psíquico-orgânica consiste em que cada um deles deve sempre obrigatoriamente, como dizem lá, ensinar o senso a outros ou colocá-los no caminho certo.
    • A menção desse traço excepcional do caráter deles, inerente a todos sem exceção, leva Beelzebub ao pensamento da conveniência de explicar a Hassein algo sobre essa estranha psique e de dar-lhe um conselho semelhante ao que o bom velho Ahoon já lhe dera quando Beelzebub terminou sua explicação sobre a contemporânea ilustre Arte terrestre.
  • Ahoon havia recomendado anteriormente a Hassein que, se por alguma razão precisasse existir no planeta Terra e se misturar com esses estranhos seres tricerebral, deveria ser muito cuidadoso com os tipos contemporâneos chamados representantes da Arte e nunca ofendê-los.
    • Ahoon havia explicado quais propriedades específicas desses seres era necessário fazer cócegas em cada caso para que sempre tivessem boas relações com Hassein.
    • Havia explicado em detalhe sobre o que e como era necessário falar com eles para que sempre e em toda parte o elogiassem e só falassem bem dele.
  • Beelzebub não diz nada de mal sobre esse conselho de Ahoon, reconhecendo-o como ideal para os tipos mencionados.
    • Os representantes contemporâneos da Arte de fato têm em grande abundância as propriedades específicas enumeradas por Ahoon, e se em cada ocasião se fizerem cócegas nessas propriedades, eles de fato adorarão Hassein e em tudo se comportarão para com ele não pior do que aqueles chamados lá escravos-Asklaian.
    • Porém Beelzebub não considera esse conselho prático para Hassein, primeiro porque nem todos os seres da Terra são como os representantes da Arte, de modo que o conselho não se aplica a todos em geral, e segundo porque seria inconveniente ter sempre de se lembrar de todas essas numerosas particularidades e a cada vez parar para pensar em qual fraqueza fazer cócegas.
  • Beelzebub deseja apontar a Hassein um grande segredo de sua psique, especificamente uma particularidade deles que, se Hassein souber aproveitar, produzirá em cada um deles o mesmo efeito de que Ahoon falou.
    • Agindo sobre eles por meio dessa mesma particularidade, Hassein não só estará em muito boas relações com todos, mas, se quiser, poderá também garantir sua existência tranquila e feliz lá tanto em relação ao dinheiro necessário quanto a outras comodidades, cujo gosto e significado venturoso o querido Mestre expressava pelas palavras Rosas, Rosas.
    • O segredo em questão é justamente essa mesma necessidade psíquico-orgânica de ensinar o senso a outros e de colocá-los no caminho certo.
  • Essa propriedade especial formada na psique deles, sempre graças às mesmas condições anormalmente estabelecidas de existência esseral ordinária, torna-se como que, quando cada um deles já se torna um ser responsável, uma parte obrigatória de sua presença.
    • Todos lá sem exceção têm essa necessidade psíquico-orgânica: velhos e jovens, homens e mulheres e até os que chamam de prematuramente nascidos.
    • Essa necessidade peculiar surge neles por sua vez graças a outra propriedade peculiar deles: desde o momento em que cada um deles adquire a capacidade de distinguir entre molhado e seco, levado por essa conquista, cessa para sempre de ver e observar suas próprias anormalidades e defeitos, mas vê e observa essas mesmas anormalidades e defeitos nos outros.
  • Já se tornou costume lá que todos os favoritos de Beelzebub sempre ensinam outros como eles inclusive coisas sobre as quais nem sonharam, e se esses outros não aprendem com eles ou ao menos não fingem querer aprender, ficam não só ofendidos mas até interiormente muito sinceramente indignados.
    • Ao contrário, se um desses outros aprende o senso deles ou ao menos finge estar muito ansioso por aprendê-lo, esses seres não só o amarão e respeitarão, mas se sentirão plenamente satisfeitos e muito encantados.
    • É de se notar que só nessas circunstâncias os favoritos de Beelzebub conseguem falar de outros sem malícia e sem crítica.
  • Beelzebub aconselha fortemente a Hassein que, se por qualquer razão tiver de existir entre eles, finja sempre querer aprender algo deles, agindo do mesmo modo em relação às crianças, e assim não só estará em excelentes termos com todos, mas a família inteira o verá como o amigo honrado da casa.
    • Qualquer um deles, por mais insignificante que seja em essência, olha com desprezo para a conduta e as ações dos outros devido sempre ao amor-próprio que decorre dessa propriedade particular, especialmente quando a conduta e as ações dos outros contradizem agudamente seu próprio ponto de vista subjetivamente estabelecido.
    • Nesses casos ele, como Beelzebub já disse, costuma ficar interiormente sinceramente ofendido e indignado.
  • Graças a essa propriedade dos favoritos de Beelzebub de sempre se indignar com os defeitos dos outros ao redor, tornam sua existência, já miserável e anormal sem isso, objetivamente insuportável.
    • Graças a essa indignação constante, a existência esseral ordinária desses infelizes flui quase sempre com improdutivos sofrimentos morais, e esses inúteis sofrimentos morais continuam por momentum a agir durante muito tempo sobre sua psique de modo Semzekional, ou como diriam lá no planeta, deprimentemente.
    • Isso faz com que se tornem Instruários, ou seja nervosos, e então se tornam no processo de sua existência esseral ordinária completamente descontrolados, mesmo em manifestações esserais que nada têm em comum com as causas primárias que desencadearam esse estado nervoso.
  • Graças apenas a essa propriedade de se indignar com os defeitos dos outros, a existência desses seres tornou-se gradualmente até arquitragicômica.
    • A cada passo se vê que esses monstros perdem aquela máscara exterior que, graças ao mesmo meio maléfico chamado educação, a maioria deles aprendeu pouco a pouco a usar desde a infância.
    • Graças a essa máscara conseguem muito bem ocultar dos outros sua genuína insignificância interior e exterior, mas em consequência automaticamente se tornam escravos dos outros ao ponto da humilhação, caindo, como eles mesmos dizem, sob o polegar de alguém: da esposa, da amante, ou de qualquer outro que por algum meio descobriu a insignificância interior do dado ser terrestre.
  • E é justamente tal ser terrestre que está sob o polegar de alguém que, em regra, é mais indignado do que qualquer outro com outros seres do planeta, como por exemplo com algum Rei que por alguma razão não consegue manter em submissão dezenas ou centenas de milhares de sua comunidade, sendo justamente esses seres sob o polegar de alguém que costumam escrever vários manuais em que mostram em detalhe como e o que deve ser feito para o bom governo dos outros.
  • Ou ainda, quando um dos seres contemporâneos desse peculiar planeta, cujo coração, como dizem, sempre afunda nos calcanhares de medo quando por exemplo um rato passa por ele, fica sabendo que fulano ao encontrar um tigre ficou um pouco tímido, esse herói ficará interiormente extremamente indignado com ele, e sem falta, espumando pela boca, o denunciará e provará que é um vil criminoso covarde por ter se assustado com um mero tigre.
    • Os vários livros e manuais sobre o que se deve fazer e como, e o que não se deve fazer ao encontrar um tigre ou outro ser semelhante, são escritos justamente por esses heróis intrepidamente enfrentadores de ratos.
  • Ou ainda, alguém que tem uma vintena de doenças crônicas, graças às quais por semanas inteiras o estômago não funciona e todo o corpo está coberto de pústulas malignas, e que sofre dia e noite dessas doenças, tornando-se um genuíno museu anatômico ambulante de todas as doenças existentes naquele planeta, é sempre mais indignado do que qualquer outro quando alguém descuidadamente pega, digamos, um resfriado.
    • E são precisamente esses museus anatômicos ambulantes que com grande autoridade instruem outros sobre como se livrar desse resfriado, e são precisamente eles que escrevem vários livros e manuais sobre todas as outras doenças e expõem em minúcia como se proteger e se livrar delas.
  • A cada passo se observa também tal absurdo: alguém que nem sabe ao certo como é o pequeno ser que frequentemente o morde, chamado pulga, escreve um enorme volume ou elabora uma conferência popular especial sobre como a pulga cuja picada fez inchar o pescoço de um certo rei histórico Nokhan tinha em sua pata esquerda um crescimento alaranjado-carmesim anormal de forma peculiar e estranha.
    • Se alguém não acreditar nesse especialista em pulgas e expressar dúvida em seu rosto, este ficará não só ofendido mas até muito indignado; e ficará indignado principalmente porque esse alguém é tal ignorante que ainda nem ouviu nada sobre as verdades comunicadas por ele.
  • Graças a tudo o mencionado, tais quadros são encontrados a cada passo no planeta dos favoritos de Beelzebub, que apenas observando e estudando eles qualquer ser normal existente lá, se de fato absorver e estudar suas percepções, poderia se instruir plenamente em todos os ramos da ciência objetiva geral.
    • Para satisfazer a necessidade espantosamente estranha dos favoritos de Beelzebub de, como dizem lá, não sofrer, eles devem sempre ter pelo menos uma vítima para seus ensinamentos.
    • Entre um certo número deles que adquiriram por alguma razão certa autoridade sobre os outros nessas manifestações e que em consequência pelo hábito crescente se tornaram mais atrevidos, o apetite cresce ao ponto de adquirir um número sempre maior dessas vítimas.
  • Quando Hassein existir entre eles e for testemunha dessas manifestações esserais incongruentes, mesmo sabendo a causa das incongruências, não poderá deixar de rir interiormente, e ao mesmo tempo com todo o seu Ser sentirá pena desses infelizes, e com seu riso interior se misturará gradualmente por si mesmo o que é chamado de pesar-da-essência-palnassooriano.
    • Essa mesma particularidade da psique dos seres tricêntricos lá é especialmente fortemente desenvolvida entre os seres pertencentes à casta deles chamada intelectualidade.
    • A própria palavra intelectualidade quase denota aquela noção que se define pelas palavras força-em-si-mesmo.
    • Embora em sua essência a palavra intelectualidade tenha lá quase o mesmo sentido, os seres contemporâneos por alguma razão chamam por essa palavra justamente os seres que são o exato oposto do que a palavra denota.
  • A palavra intelectualidade é tomada do antigo grego; é interessante notar que essa mesma palavra era usada também pelos romanos, que, tendo-a tomado dos gregos não por seu sentido mas por seu som, imaginaram depois que suas raízes pertenciam à própria língua deles.
    • Entre os antigos gregos essa palavra denotava um ser tão aperfeiçoado que já era capaz de dirigir suas funções como desejava, e não como ocorre com toda formação cósmica inanimada, cada ação da qual procede apenas como reação a causas externas.
    • Tais seres sem dúvida ainda existem lá no planeta de Beelzebub como aproximadamente respondendo a esse sentido da palavra, mas apenas entre os seres contemporâneos do planeta Terra considerados pela compreensão da maioria dos seres lá como não inteligentes.
    • Na opinião de Beelzebub, se esses seres especialmente dos últimos tempos chamados intelectualidade fossem simplesmente chamados mecanogentsia, talvez isso fosse mais correto.
  • Os seres contemporâneos da intelectualidade terrestre não só são incapazes por si mesmos de dar qualquer direcionamento às suas funções esserais, mas já foram finalmente atrofiados neles até mesmo os dados para os impulsos de iniciativa essencial para a existência esseral diária, que em geral a própria Grande Natureza sempre coloca em todos os seres tricêntricos ao surgirem.
    • Durante sua existência responsável esses seres intelectuais sempre agem ou se manifestam apenas quando recebem impulsos correspondentes de fora.
    • São precisamente esses impulsos externos que lhes dão a possibilidade de se animarem correspondentemente e de experienciar, apenas pelo desdobramento de séries de percepções automáticas correspondentes já presentes neles e não dependendo em absoluto de seu próprio desejo ou vontade.
    • Esses impulsos externos para o dito tipo de experienciar são habitualmente: primeiro, coisas animadas ou inanimadas que casualmente chegam à esfera de seus órgãos de percepção visual; segundo, os vários seres que encontram; terceiro, os sons ou palavras que ressoam onde estão; quarto, odores casualmente percebidos pelo olfato; e finalmente, sensações inabituais que procedem de tempos em tempos do funcionamento de seu corpo planetário.
  • Beelzebub informa que certos desses intelectuais terrestres, em cujas presenças certas formas estabelecidas de seu funcionamento interior mudaram definitivamente por várias razões durante o período de existência responsável, não são mais chamados pelos outros seres de intelectuais, mas recebem outros nomes compostos de diferentes palavras ou, mais exatamente, das raízes de palavras do grego antigo.
    • São chamados de burocratas, plutócratas, teocratas, democratas, zevrocratas, aristocratas e assim por diante.
    • O primeiro nome, burocratas, é dado aos intelectuais em quem a série de associações automáticas ordinárias já presentes neles que engendram experienciar são limitadas, de modo que, por mais variados que sejam os impulsos vindos de fora, associações são evocadas sempre dos mesmos experienciar que, pela repetição frequente, adquirem caráter próprio e se manifestam de modo totalmente independente, sem a participação de qualquer parte espiritualizada separada de sua presença comum.
  • Quanto aos seres do segundo dos estados enumerados, chamados por outros seres de plutócratas, são promovidos a esse estado os intelectuais que durante o período de existência responsável conseguiram muito artisticamente atrair para suas armadilhas todos os honestos, ou seja, ingênuos compatriotas que encontravam, tornando-se assim proprietários de grande quantidade do que chamam lá de dinheiro e escravos.
    • É de se notar que é justamente desses tipos terrestres que surgem a maioria dos indivíduos-Hasnamuss.
    • Quando Beelzebub estava lá, durante investigações sobre questões que lhe interessavam, teve a sorte de aprender o segredo da origem da palavra plutócrata.
    • Assim como já foi dito, durante os últimos vinte e cinco séculos lá toda noção e coisa suspeita é chamada por palavras gregas antigas; igualmente esses nomes como burocratas, aristocratas, democratas, e assim por diante, que exprimem em si noções suspeitas, são também compostos de duas palavras gregas antigas.
  • A palavra burocrata consiste de duas palavras: burg, que significa chancelaria, e crat, que significa manter ou guardar, e juntas significam aqueles que gerenciam ou guardam toda a chancelaria.
    • Quanto à palavra plutócrata, sua história de origem é um tanto diferente e não remonta muito ao passado, tendo sido formada apenas há sete ou oito séculos.
    • Embora esses tipos já existissem na Grécia antiga, eram chamados lá plusiócrates.
    • Vários séculos atrás, quando muitos desses tipos se desenvolveram e ficou claro que os outros seres da Terra tinham de algum modo dignificá-los com um título, aqueles seres então encarregados de tais questões inventaram para eles esse nome, plutócrata.
  • Os responsáveis por criar esse nome deliberaram e ponderaram durante muito tempo qual nome inventar para eles, pois já compreendiam muito bem que esses tipos no planeta deles são patifes da pior espécie, já saturados de todo tipo de Hasnamussidade até a medula dos ossos.
    • A princípio desejavam inventar alguma palavra muito contundente correspondente ao seu significado interior; mas depois ficaram com medo de fazê-lo, porque esses tipos terrestres, graças a ganhos mal adquiridos, já haviam então adquirido força e poder talvez muito maiores que os dos reis, e temeram que, se os dignificassem com uma palavra que definia seu real significado, poderiam ficar muito ofendidos e passar a causar ainda mais danos aos outros seres.
    • Por isso decidiram ser astutos e inventar uma palavra que lhes permitisse chamá-los por seu nome real e ao mesmo tempo parecer dignificá-los.
  • O resultado foi a composição da palavra plutócrata: como o título desses tipos terrestres devia ser também composto de duas palavras gregas antigas e como todos esses nomes têm a palavra grega antiga crat como segunda metade, para que a nova palavra não chamasse atenção, deixaram essa mesma consonância grega antiga.
    • A primeira metade, no entanto, não foi tomada do grego antigo como de costume, mas da chamada língua russa, tomando a palavra russa plus, que em russo significa patife, obtendo assim plutócrata.
    • Esses seres terrestres então atingiram seu objetivo da maneira mais perfeita possível, porque no presente tanto esses próprios parasitas terrestres quanto todos os outros seres da Terra ficam completamente satisfeitos com esse título.
    • Esses monstros terrestres ficam tão satisfeitos com seu título que, por arrogância, andam com cartolas até em dias de semana; e os outros seres terrestres também ficam satisfeitos por chamarem esses monstros pelos seus nomes genuínos não só sem irritá-los, mas até fazendo-os se pavonear como perus.
  • Quanto ao terceiro dos nomes enumerados, os teocratas, por esse título foram dignificados os intelectuais em cujas presenças comuns no sentido psíquico-orgânico procedeu quase a mesma perturbação que nos que se tornaram plutócratas.
    • A diferença entre os plutócratas e os teocratas lá é somente que os primeiros agem sobre seu entorno para a satisfação de suas necessidades Hasnamussanas por meio da função chamada entre eles confiança; enquanto os segundos agem por meio da função que gradualmente substituiu nos favoritos de Beelzebub a função sagrada que serve a todos os seres tricerebral como um dos três caminhos sagrados para o autoperfeiçoamento, e que chamam pelo nome de fé.
    • Para que Hassein obtenha uma noção mais completa sobre esses teocratas, é suficiente que Beelzebub relate mais um dito do muito estimado Mullah Nassr Eddin, que sobre eles disse: Não é tudo igual para as pobres moscas como são mortas? Por um coice dos cascos de diabos chifrudos ou por uma pancada das belas asas de anjos divinos?
  • Quanto aos tipos chamados democratas, é necessário dizer primeiro de tudo que esses tipos não provêm sempre da intelectualidade hereditária; na maior parte, em primeiro lugar acontecem de ser simples seres terrestres ordinários e só depois, quando por acaso se tornam intelectuais e quando com funções presentes neles degeneradas também da função sagrada da consciência, quase o mesmo procede neles que entre os futuros plutócratas e teocratas, transformando-se nestes democratas.
    • Cabe observar que quando alguns desses democratas por alguma razão ou outra ocasionalmente ocupam os lugares dos seres detentores de poder, ocorre às vezes um fenômeno cósmico muito raro: como Mullah Nassr Eddin diz, os próprios calos viram pedicuros.
    • Esse raro fenômeno ocorre, na opinião de Beelzebub, porque quando os democratas lá chegam a ocupar os lugares dos seres detentores de poder, não têm em si nenhuma aptidão herdada para instintivamente saber dirigir os outros e, em consequência, são completamente incapazes de dirigir a existência dos seres que estão em seu poder.
    • Mullah Nassr Eddin tem também para esses tipos terrestres uma sentença correspondente que, cada vez que recita, primeiro levanta os braços ao céu e só então, com grande reverência, pronuncia: Graças a Ti, grande e justo CRIADOR, por Tua graça abundante e justa que assim determinou que as vacas não voem como lindos passarinhos.
  • Sobre os zevrocratas e aristocratas, distinguidos pelos cognomes dados a eles, como emir, conde, khan, príncipe, melik, barão e assim por diante, cuja consonância age de modo extremamente agradável sobre a função dos favoritos de Beelzebub sempre muito fortemente expressa neles até a morte, chamada vaidade, é muito difícil falar não só em linguagem comum mas também na linguagem do mais sábio Mullah Nassr Eddin.
    • O máximo que se pode dizer deles é que são simplesmente piadas da natureza.
    • Embora esses dois tipos sejam chamados diferentemente, na verdade tanto os aristocratas quanto os zevrocratas são similares em todos os aspectos e têm exatamente as mesmas propriedades interiores.
    • Nas comunidades onde existe uma organização estatal republicana, esses tipos são chamados zevrocratas; mas onde existe uma organização estatal monárquica, são chamados aristocratas.
  • O que causava surpresa a Beelzebub a cada encontro casual com esses equívocos era principalmente como esse tipo de três centros terrestre poderia existir no peculiar planeta quase tanto tempo quanto os outros seres tricerebral lá.
    • Uma questão semelhante era suscitada pelos seres da casta dos burocratas, mas em relação a eles ao menos se pode dar alguma explicação, já que a série de experienciar neles, por mais limitada que seja, ao menos existe para cada hora do dia e da noite.
    • Todos os experienciar, porém, desses aristocratas e zevrocratas, segundo as observações de Beelzebub, podem ser reduzidos a apenas três séries: a primeira concerne à questão da alimentação; a segunda consiste em recordações associadas aos antigos funcionamentos de seus órgãos sexuais; e a terceira se refere às memórias de sua primeira ama de leite.
    • Como os seres que têm no total apenas três séries de experienciar podem ter a mesma duração de existência que outros seres na superfície do planeta será sempre para Beelzebub um enigma insolúvel.
  • Diz-se que sobre essa mesma questão enigmática de como esses tipos terrestres conseguem existir na superfície do planeta, até o grande astuto Lúcifer uma vez ficou muito pensativo, e ficou tão intensamente pensativo que todos os pelos da ponta de sua cauda ficaram completamente grisalhos.
    • Sobre esses mencionados tipos chamados piadas da natureza, cabe ainda tentar explicar por que existe lá uma diferença tão acentuada nos nomes de um mesmo tipo de ser.
    • Beelzebub usa a palavra tentar porque ele próprio não sabe exatamente a causa, mas conhecendo as raízes de ambas as palavras das quais esses nomes foram formados, presume com grande certeza que isso ocorreu graças a um certo costume existente lá.
    • Os favoritos de Beelzebub por alguma razão se deliciam em às vezes organizar o que chamam de espetáculos de marionetes, e por alguma razão lhes agrada que esses mesmos zevrocratas ou aristocratas também participem neles, sendo portanto arrastados para esses espetáculos.
  • Como esses seres são em si mesmos já bastante vazios e consequentemente frágeis, torna-se necessário durante esses espetáculos de marionetes que outros seres da comunidade os apoiem, e simplesmente do método de apoio, ou seja, por qual braço são apoiados, resultou a diferença no nome.
    • Nas comunidades onde existe uma organização estatal monárquica, já há muito tempo é costume apoiá-los com o braço direito, e portanto nessas comunidades tais tipos são chamados aristocratas.
    • E nas comunidades onde existe uma organização estatal republicana, são apoiados com o braço esquerdo, e portanto são chamados zevrocratas.
    • A esse propósito, um notável dito do sábio Mullah Nassr Eddin vem à mente, que ele mesmo disse pessoalmente a Beelzebub: numa conversa sobre a diferença nos procedimentos legais e nas sentenças entre os cazis turcos e persas, Mullah Nassr Eddin disse: os jumentos são iguais em toda parte, apenas são chamados diferentemente.
  • Beelzebub reitera a Hassein que, se por qualquer razão tiver de estar no planeta deles, lembre sempre que a fraqueza sobre a qual foi falado é mais fortemente desenvolvida nos intelectuais mais comuns lá e naqueles que ordinariamente provêm deles e pertencem a uma ou outra das castas enumeradas com nomes terminados em crata.
  • Retomando a questão séria, Beelzebub anuncia que começará com a história prometida sobre como a sociedade de seres terrestres com o lema A Terra É Igualmente Livre para Todos surgiu e caiu, pois essas informações darão a possibilidade de compreender bem justamente a causa primeira e principal pela qual o terrível processo de destruição recíproca periódica entre os infelizes seres tricerebral do Megalocosmos deve proceder lá quase inevitavelmente.
    • Também se aprenderá como a Natureza local, quando algo imprevisto atrapalha seu funcionamento correto para os fins do Trogoautoegocrata cósmico-comum, se adapta para que seus resultados se harmonizem com essa grandíssima lei cósmica.
    • Essa sociedade de seres terrestres surgiu, como já foi dito, há seis ou sete séculos no continente Ásia, numa cidade então existente sob o nome de Mosulopolis.
  • O surgimento dessa sociedade ocorreu da seguinte causa: justamente naquele período, os processos mencionados fluíam com frequência especialmente grande naquele mesmo continente.
    • Esses processos ocorriam em parte entre diferentes comunidades e em parte dentro dos limites dessas comunidades, sendo esses últimos chamados depois guerras civis.
    • Uma das principais causas desses terríveis processos que se tornaram frequentes tanto entre quanto dentro das comunidades no continente Ásia foi, naquele período, uma religião então recém-formada que havia sido fantasticamente fundada sobre o ensinamento de um genuíno mensageiro do INFINITO: o Santo Mohammed.
  • A fundação dessa sociedade foi estabelecida primeiramente pelos irmãos da fraternidade então existente na Ásia Central sob o nome de A Assembleia dos Iluminados.
    • Naqueles dias, os irmãos dessa fraternidade eram seres muito venerados pelos outros seres tricerebral ao redor deles em quase todo aquele planeta, e portanto essa fraternidade às vezes era também chamada A Assembleia de Todos os Santos Vivos da Terra.
    • Essa fraternidade de seres tricerebral terrestres havia se formado há muito antes de seres que também haviam notado em si mesmos as consequências das propriedades do órgão Kundabuffer e se uniram para trabalhar coletivamente para sua libertação dessas propriedades.
  • Quando no continente Ásia esses terríveis processos de destruição recíproca já se tornaram demasiado frequentes, certos irmãos da referida fraternidade, com o muito venerável Irmão Olmantaboor à frente, decidiram pela primeira vez tentar obter por algum meio, se não a abolição total desse terrível fenômeno que procedia em seu planeta, pelo menos a redução desse mal gritante.
    • Tendo-se devotado à realização dessa decisão, começaram a visitar vários países do continente Ásia, pregando em toda parte de modo muito comovente a colossal criminalidade e pecado dessas ações dos homens, encontrando assim muitas pessoas sinceramente com eles.
    • Em consequência de todos esses labores imparciais e verdadeiramente filantrópicos, formou-se na cidade de Mosulopolis a mencionada grande e séria sociedade de seres-homens sob o título A Terra É Igualmente Livre para Todos.
  • Logo desde o início, os membros dessa sociedade de seres-homens atualizaram para esse fim muitas coisas que nenhum ser da Terra, nem antes nem depois, foi capaz de atualizar.
    • Puderam fazer isso apenas porque o próprio programa desde o início foi muito bem elaborado no que diz respeito à sua atualizabilidade nas condições existentes lá.
    • Entre outras coisas, entrou no programa fundamental dessa sociedade: gradualmente atuar em tal direção que pudessem obter como resultado, em primeiro lugar, a atualização para todos os seres do continente Ásia de uma religião comum, que desejavam basear no ensinamento da seita dos chamados Parsis, apenas modificando-a um pouco; em segundo lugar, uma língua comum, para a qual desejavam adotar o chamado idioma turcomano, o mais antigo do continente Ásia e cujas raízes já haviam penetrado em muitas línguas asiáticas; e em terceiro lugar, entrou no programa fundamental dessa sociedade finalmente realizar a organização no centro da Ásia, na cidade de Margelan, capital do chamado Canato de Ferghana, de um governo principal e básico para todos os países da Ásia sob o nome de O Conselho dos Anciãos, cujos membros deveriam ser seres honrados de todas as comunidades asiáticas.
  • Entre os membros dessa sociedade em Mosulopolis havia já seres pertencentes a quase todas as comunidades asiáticas, como Mongóis, Árabes, Quirguizes, Georgianos, Pequenos Russos, Tâmeis, e até o representante pessoal do então famoso conquistador Tamerlão.
    • Graças às atividades intensas e de fato imparciais e altruístas desses seres, aquelas crescentes guerras e guerras civis no continente Ásia começaram a diminuir, e antecipava-se que muitas outras coisas boas ainda poderiam ser feitas para esse mesmo fim.
    • Mas então algo ocorreu que começou a desagregar também essa sociedade de efetivos seres-homens daquele planeta incomparável.
    • Tudo o que se seguiu veio através da influência de um então muito famoso filósofo chamado Atarnakh e de sua teoria exposta por ele num tratado intitulado Por Que Ocorrem Guerras na Terra?
  • Beelzebub conhece muito bem a história desse filósofo Atarnakh porque, durante seus estudos das consequências das criações do Santíssimo Ashiata Shiemash, tornou-se necessário conhecer em detalhe suas atividades e, naturalmente, também ele próprio.
    • O filósofo Atarnakh nasceu nessa mesma cidade de Mosulopolis numa família dos chamados Curdos.
    • Ao atingir a idade responsável, tornou-se para o planeta Terra um ser muito grande e erudito.
    • No início, esse mesmo Curdo, Atarnakh, estudou perseverantemente durante muitos anos terrestres toda questão possível que lhe parecia poder dar uma resposta à pergunta qual é em geral o sentido da existência do homem, e durante seu estudo dessas questões parece que chegou às suas mãos por algum meio um manuscrito sumério muito antigo mas bem preservado.
  • Esse manuscrito estava bem preservado por ter sido inscrito nas peles de cobras-seres chamadas Kalianjesh com o sangue do ser Chirman.
    • Como a investigação de Beelzebub esclareceu, o conteúdo desse manuscrito inscrito por algum antigo ser interessou extremamente o filósofo Atarnakh, que ficou especialmente impressionado com aquela passagem do manuscrito onde, conforme pressuposto por esse antigo ser erudito, dizia-se que provavelmente existe no Mundo alguma lei de manutenção recíproca de tudo o que existe, e que obviamente nossas vidas servem também para manter algo grande ou pequeno no Mundo.
    • Essa ideia expressada no antigo manuscrito captivou o filósofo Atarnakh de tal modo que daí em diante se devotou de corpo e alma ao estudo apenas desse aspecto da questão que lhe havia interessado.
    • Essa ideia serviu de base para toda a sua teoria plausível posterior, que, após minuciosas pesquisas durante vários anos e verificações experimentais elaboradas de suas próprias conclusões, expôs em sua obra principal intitulada Por Que Ocorrem Guerras na Terra?
  • Beelzebub ficou também familiarizado com essa teoria, que de fato estava próxima da realidade.
    • Todas as suposições desse Curdo Atarnakh eram muito semelhantes à grande lei cósmica fundamental Trogoautoegocrata existente no Universo, explicada em certo detalhe quando se falou sobre o planeta sagrado do Purgatório.
    • Nessa teoria do filósofo Atarnakh ficou muito definitivamente provado que existe no mundo, sem qualquer dúvida, uma lei de manutenção-recíproca-de-tudo-o-que-existe, e que para essa manutenção recíproca certas substâncias químicas também servem, com a ajuda das quais o processo de espiritualização dos seres, ou seja, a Vida, é realizado, e essas substâncias químicas servem para a manutenção de tudo o que existe apenas depois que a vida cessa, ou seja, quando um ser morre.
  • Com a ajuda de muitos confrontos lógicos esclarecedores ficou também plenamente provado na teoria de Atarnakh que em certos períodos deve inevitavelmente proceder na Terra uma quantidade definida de mortes que em sua totalidade produzirão vibrações de um grau definido de força.
    • Quando nessa teoria, o ser tricerebral terrestre em absoluto incomum que era também o representante eleito de toda a população do país chamado Curdistão expôs essa teoria de modo muito eloquente e em grande detalhe a pedido de seus colegas membros numa reunião geral dos seres-membros da sociedade A Terra É Igualmente Livre para Todos, grande confusão e agitação procedem entre os membros dessa sociedade.
    • Ficaram tão impressionados com essa teoria que a princípio, como se diz lá, um silêncio sepulcral prevaleceu entre eles por bastante tempo, e, mergulhados em estupor, nenhum deles conseguia nem se mover, e apenas após o lapso de bastante tempo tal grande barulho e tumulto surgiu entre eles como se a salvação da vida de cada um dependesse do grau de sua excitação e de suas manifestações externas.
  • O resultado de tudo foi que à tardinha desse mesmo dia decidiram unanimemente eleger de seus meios vários seres eruditos para investigar conjuntamente em detalhe essa teoria que os havia impressionado e depois fazer um relatório detalhado sobre ela à assembleia geral.
    • Desde o dia seguinte, os eleitos membros eruditos da sociedade A Terra É Igualmente Livre para Todos se dedicaram muito seriamente a se familiarizar com a teoria desse Atarnakh.
    • Mas para o infortúnio de todos os seres tricerebral de épocas futuras surgidos naquele planeta infeliz, verificou-se que embora todos os membros eruditos eleitos fossem também já avançados em idade e aquelas funções malignas que tornam o Ser deles tão ciumento e ganancioso estivessem quase atrofiadas neles, todavia por várias razões, principalmente por causa de sua educação anormal, certos deles ao que parece ainda não haviam adquirido base suficiente para se convencer da não-atualizabilidade de seus sonhos, de modo que ainda não estavam suficientemente desiludidos para serem plenamente imparciais e justos.
  • Em consequência disso, desde aquele mesmo dia, à medida que gradualmente se familiarizavam com os detalhes dessa assombrosa teoria, começaram a entrar no estado típico dos seres da Terra, ou seja, começaram a esquecer a extraordinária hipótese que os havia impressionado, mencionada nessa teoria, e começaram gradualmente a retornar, como é próprio dos seres tricerebral lá, à sua antiga convicção tipicamente subjetiva e portanto sempre mutável, e imediatamente se dividiram em dois partidos opostos.
    • Alguns começaram sem qualquer crítica lógica a aceitar convincentemente por fé todas as hipóteses feitas nessa teoria; outros, porém, não deixaram, como em geral é próprio da maioria dos seres eruditos da Terra, de falar e provar o exato oposto dessas hipóteses.
    • Em vez de ajudar os outros membros de sua sociedade a sair da confusão e agitação e a unificar as disputas entre si, os membros eruditos eleitos para o estudo detalhado da teoria de Atarnakh trouxeram ainda mais confusão às suas noções, e gradualmente na presença comum de cada membro separado dessa sociedade séria começaram a surgir automaticamente dados para duas convicções totalmente opostas: a primeira, de que tudo ocorre precisamente segundo a teoria do filósofo Atarnakh; a segunda, a que todos os membros da sociedade já tinham anteriormente, de que se conseguissem realizar o programa que a sociedade estabelecera para si, esse mal também poderia ser destruído de raiz.
  • Foi justamente a partir desse momento que discussões, brigas e perturbações surgiram entre todos os membros da sociedade, e nesse caso também começou a proceder o mesmo que já havia se tornado habitual há muito lá: as brigas e perturbações gradualmente se espalharam também entre os seres ordinários, nesse caso aos cidadãos da cidade de Mosulopolis.
    • Beelzebub não sabe como tudo isso teria terminado se os irmãos da sociedade A Assembleia dos Iluminados não tivessem chegado e tomado parte naquele assunto.
    • Graças à influência deles, todos os membros dessa sociedade séria gradualmente se acalmaram e começaram de novo pacífica e seriamente a ponderar e deliberar sobre o que fazer no futuro.
    • O resultado de todas as suas sérias deliberações e ponderações foi a eleição unânime de Atarnakh como diretor-chefe, pedindo-lhe que ajudasse a encontrar uma saída da situação.
  • Após várias reuniões já dirigidas pelo próprio filósofo Curdo Atarnakh, chegou-se unanimemente à seguinte conclusão categórica: segundo as leis da Natureza, devem periodicamente proceder sempre na Terra, independentemente da vontade dos homens, guerras e guerras civis; e isso porque em certos períodos é necessário à Natureza uma maior quantidade de mortes.
    • Em vista disso, todos, com muito pesar mas com resignação interior inevitável, são compelidos a concordar que por nenhuma decisão mental do homem é possível abolir o derramamento de sangue entre os estados e dentro dos próprios estados, e portanto unanimemente resolvem encerrar os assuntos correntes e tudo o que foi feito pela sociedade e necessariamente dispersar para casa.
    • Foi apenas após a proposição dessa resolução categórica, quando todos os membros sem exceção daquela realmente séria sociedade decidiram começar naquele mesmo dia a completa liquidação de todos os seus assuntos, que o então verdadeiramente erudito embora muito orgulhoso e egocêntrico Curdo Atarnakh subiu ao púlpito e falou.
  • Em seu discurso, Atarnakh expressou sincero pesar por ter sido involuntariamente a causa da dissolução da grande empreitada filantrópica, e disse ter ponderado durante os últimos dias se não era possível de algum modo reparar essa falta involuntária sua.
    • Expôs então a conclusão final a que haviam chegado suas deliberações: se as leis universais que descobriu se opõem aos meios que esperavam pudesse trazer uma certa felicidade à humanidade, então, por mais estranho que pareça à primeira vista, se essas mesmas leis forem empregadas de outro modo, poderiam servir para a realização do objetivo estabelecido.
    • Os resultados de todas as suas pesquisas provam claramente que a Natureza requer que em certos períodos ocorra na Terra certo número de mortes; e ao mesmo tempo conseguiu esclarecer que para as necessidades da Natureza é indiferente quais são essas mortes, se mortes das próprias pessoas ou mortes das vidas de outras formas de seres.
    • Disso resulta que se o número de mortes requerido pela Natureza for composto pelas mortes de outras formas de vidas da Terra, então obviamente a necessidade do número de mortes das próprias pessoas será assim correspondentemente reduzida.
  • Após essa proposta de Atarnakh, surgiu entre os membros da sociedade A Terra É Igualmente Livre para Todos um espanto e uma agitação não menores do que quando ele havia exposto pela primeira vez sua famosa teoria.
    • Por quase três dias e três noites seguintes àquele dia memorável quase não houve suspensão das reuniões, e nos salões postos à disposição dessa sociedade pelos cidadãos de Mosulopolis havia um rumor contínuo de discussões e deliberações.
    • Por fim, no quarto dia, foi convocada uma reunião geral oficial na qual por consentimento geral foi aprovada uma resolução de fazer no futuro também tudo exatamente como deveria ser indicado pelo grande Curdo, o filósofo Atarnakh.
    • Naquele mesmo dia, o nome da sociedade foi mudado.
  • Alguns dias depois, os membros da sociedade agora sob o novo lema A Terra É Apenas para os Homens dispersaram da cidade de Mosulopolis para seus países nativos onde, sob as instruções gerais emanadas do filósofo Atarnakh, agiram de tal forma que entre as populações do continente Ásia a ideia de se tornar agradável a seus deuses e ídolos matando seres de formas diferentes fosse fortalecida e novamente enraizada.
    • De fato, depois que começaram a atualizar na prática esse novo programa, muito em breve começou a ser restabelecida entre os seres de todo o continente Ásia o costume de oferecer sacrifícios a seus imaginários santos pela destruição da existência de vários seres fracos e estúpidos unicerebrais e bicerebrais lá.
    • No início, os membros dessa nova sociedade começaram a atualizar essa tarefa principalmente por meio do chamado clero daquela religião formada sobre o ensinamento do Santo Mohammed e que naquele período estava muito amplamente difundida por todo o continente Ásia.
  • Esse costume foi adotado desta vez em maior escala do que havia sido quando, a pedido do Anjo Looisos, Beelzebub havia descido lá para tentar fazer o que podia para destruir esse mesmo costume entre os seres tricerebral lá, que naquela época parecia a Sua Conformidade muito indesejável para fenômenos cósmicos de maior escala, porque durante todo esse tempo o número dos favoritos de Beelzebub havia aumentado muito e consequentemente havia aumentado também o número daqueles ansiosos por dar prazer a seus ídolos fantásticos.
    • A destruição da existência de outras formas de seres foi retomada lá não só privadamente nas casas, entre as famílias, mas também publicamente em locais especiais.
    • Mas desta vez esses locais especiais estavam em certo sentido principalmente associados à memória do Santo Mohammed ou daqueles ao seu redor.
    • O número desses massacres aumentou lá ano a ano de tal modo que já apenas algumas centenas de anos após o surgimento da sociedade A Terra É Apenas para os Homens o número havia chegado, durante um de seus anos num único lugar, a cem mil de tais seres como os que tinham sacrificado em épocas anteriores, a saber, bois, ovelhas, camelos e assim por diante.
  • Durante os últimos dois séculos, tais locais honrados e favoritos especiais eram as cidades de Meca e Medina na Arábia, a cidade de Meshed na localidade chamada Bagdá, os arredores de Yeninishlak no Turcomenistão, e vários outros.
    • Em suma, lá no continente Ásia, sangue novamente fluía como um rio.
    • Essas oferendas sacrificiais eram mais frequentes durante as festas muçulmanas chamadas Bairam e Goorban, e igualmente durante as festas cristãs existentes lá sob o nome de Entrudo, Dia de São Jorge, e assim por diante.
    • Dessa forma, depois que graças aos esforços intensos dos membros da sociedade A Terra É Apenas para os Homens tal anormalidade havia sido novamente implantada nos seres tricerebral lá, esses terríveis processos de fato começaram a proceder lá com menor frequência e em menor escala, e por meio disso a mortalidade esporádica relativamente grande foi diminuída, porém a mortalidade geral dos seres tricerebral não só não foi reduzida mas até aumentou.
  • Isso continuou até o momento em que um certo famoso Assadulla Ibrahim Ogly, um dervixe persa que obteve seu surgimento e foi formado em ser responsável naquele mesmo continente, voltou tudo isso em outra direção.
    • O dervixe Assadulla Ibrahim Ogly iniciou suas atividades lá apenas há uns trinta ou quarenta anos terrestres.
    • Sendo simplesmente apenas um fanático da religião muçulmana sem aquele conhecimento sério e profundamente erudito que possuía o Curdo Atarnakh, percebeu no costume das oferendas sacrificiais apenas uma injustiça horrível da parte das pessoas para com os seres de outras formas, e estabeleceu como objetivo de sua existência obter, a qualquer custo, a destruição na Terra desse costume em sua opinião antirreligioso.
    • Tendo começado a partir de então a vagar pelo continente Ásia, principalmente nos países onde a maior parte dos seres tricerebral eram seguidores da religião muçulmana, começou a trabalhar principalmente por meio de dervixes como ele próprio, que são encontrados em quase todas as comunidades lá no continente Ásia.
  • Esse engenhoso e enérgico dervixe persa Assadulla Ibrahim Ogly, aqui, lá e em toda parte, persuadiu muito habilmente esses outros dervixes da verdade de sua ideia, e estes por sua vez passaram a persuadir em toda parte os seres ordinários do continente Ásia de que a destruição da existência de seres de outras formas não só não agrada a Deus, mas que os destruidores seriam obrigados a carregar no outro mundo no inferno uma punição dupla.
    • Graças a pregações desse tipo sobre o outro mundo por dervixes considerados grandes autoridades em tais questões, os seres da Ásia de fato ano a ano diminuíram suas oferendas sacrificiais.
    • Em suma, o resultado de toda a atividade desse bom dervixe persa foi precisamente o último grande processo de destruição recíproca, ou, como os favoritos de Beelzebub o chamam, a Grande Guerra Mundial.
  • Embora a hipótese avançada na teoria desse incomum Curdo erudito Atarnakh muito se aproximasse, como Beelzebub já disse, da realidade, não obstante ele deixou de compreender o que era mais importante: que as vibrações requeridas pela Natureza, que devem ser formadas pelas radiações emanadas dos seres tanto durante sua existência quanto pelo processo de seu Rascooarno, não têm significância quantitativa, mas apenas qualitativa.
    • É possível que o Curdo Atarnakh, sendo um ser terrestre incomum, tivesse também compreendido isso se tivesse conhecido os detalhes dos resultados que haviam sido obtidos depois que aquelas condições de existência esseral já tinham sido mais ou menos estabelecidas naquele planeta, especialmente criadas para os seres tricerebral que surgem lá pelos Santíssimos Labores do Santíssimo Ashiata Shiemash.
    • Durante aquele referido período, não só a taxa de mortalidade deles começou a declinar, mas também a sua chamada taxa de natalidade começou a declinar.
  • A taxa de natalidade declinou porque quando os seres tricerebral lá já existiam mais ou menos como convém a seres tricêntricos e as radiações emanadas deles produziam vibrações mais afins às vibrações requeridas deles pela Natureza tanto para o Trogoautoegocrata cósmico-comum em geral quanto para a manutenção da Lua e Anulius em particular, a Grande Natureza não deixou de se adaptar para diminuir a taxa de natalidade deles, especialmente porque nos últimos tempos a necessidade das referidas vibrações para a manutenção da existência do planeta Lua havia de ser diminuída.
  • O aspecto dessa questão fundamental sobre o significado do sentido e objetivo da existência dos favoritos de Beelzebub é tão importante para a compreensão de muito do que procede lá na Terra, e aliás também da questão tocante às causas das guerras, que Beelzebub considera necessário referir-se a ela mais uma vez.
    • Beelzebub soube pela primeira vez que o destino dos seres surgindo naquele planeta é principalmente elaborar, por meio do processo de sua existência, as vibrações requeridas pela Natureza para a manutenção daquelas antigas partes do planeta agora chamadas Lua e Anulius, quando teve o mérito de conversar pessoalmente pela segunda vez com Sua Conformidade o então ainda Anjo, mas agora Arcanjo Looisos.
    • Sua Conformidade disse a Beelzebub que embora os movimentos de ambas as antigas partes do planeta Terra já estivessem finalmente regulados com a harmonia geral do movimento e toda espécie de apreensão de alguma surpresa no futuro próximo havia absolutamente desaparecido, para evitar possíveis complicações no futuro distante foi explicitamente decidido pelos Mais Elevados e Mais Sagrados Indivíduos atualizar no planeta a formação do que é chamado o Sagrado Askokin, para que essa substância cósmica sagrada requerida para a manutenção das antigas partes daquele planeta continuasse a emanar dele.
  • Sua Conformidade também explicou que essa substância cósmica, o Sagrado Askokin, existe em geral no Universo principalmente misturada às substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis, e portanto para se tornar vivificadora para tal manutenção deve primeiro ser libertada das referidas substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis.
    • Beelzebub não compreendeu de imediato claramente tudo o que Looisos disse, e só depois compreendeu tudo claramente quando, durante seus estudos das leis cósmicas fundamentais, aprendeu que essas substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis são justamente aquelas substâncias pelas quais os corpos esserais superiores dos seres tricerebral, a saber o corpo Kesdjan e o corpo da Alma, são em geral formados e aperfeiçoados.
    • Aprendeu também que a separação do sagrado Askokin das referidas substâncias sagradas procede em geral quando os seres em qualquer planeta que seja transsubstanciam as substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis em si mesmos para a formação e aperfeiçoamento de seus corpos superiores, por meio de labores conscientes e sofrimentos intencionais.
  • Quando Beelzebub ficou interessado nos favoritos de Beelzebub e começou a observar e estudar sua psique estranha, finalmente compreendeu para qual fim tanto a própria Grande Natureza quanto os Mais Elevados e Mais Santíssimos Indivíduos sempre pacientemente se adaptam a tudo, formando-se nele a seguinte opinião pessoal.
    • Se os favoritos de Beelzebub ao menos refletissem adequadamente sobre isso e servissem honestamente à Natureza a esse respeito, talvez seu autoperfeiçoamento esseral pudesse em consequência proceder automaticamente até mesmo sem a participação de sua consciência, e em qualquer caso a pobre Natureza de seu planeta infeliz também não teria de bufar e soprar para se adaptar para permanecer dentro da harmonia cósmica comum.
    • Mas infelizmente para tudo o que existe no Megalocosmos, não há honestidade nos favoritos de Beelzebub nem mesmo no que diz respeito ao cumprimento de seu dever para com a Natureza, nem mesmo para aquela Natureza à qual, rigorosamente falando, devem a própria existência.
  • Quando ficou aparente que a necessidade instintiva de labor consciente e sofrimento intencional para poder absorver e transsubstanciar em si mesmos as substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis e assim liberar o sagrado Askokin para a manutenção da Lua e de Anulius havia finalmente desaparecido da psique dos favoritos de Beelzebub, a própria Grande Natureza foi constrangida a se adaptar para extrair essa substância sagrada por outros meios.
    • Um desses meios é precisamente esse processo periódico terrificante lá de destruição recíproca.
    • Para a correta avaliação dos contemporâneos favoritos de Beelzebub, cabe lembrar que após a destruição da ação do órgão Kundabuffer nos seres tricerebral do planeta de Beelzebub, as primeiras gerações muito em breve aprenderam que uma certa substância cósmica tinha de ser transformada através deles e que sua assistência nessa transformação era um de seus principais deveres esserais.
  • Os seres do continente Atlântida consideravam esse dever esseral sagrado e o chamavam Amarloos, que em sua língua significa Ajuda à Lua.
    • Os seres tricerebral do continente Atlântida daquele período, chamado civilização Samliosiana, até conceberam e praticavam muito rigorosamente certos costumes que contribuíam grandemente para o cumprimento desses deveres esserais do modo mais produtivo possível.
    • Os seres do continente Atlântida até muito sabiamente e convenientemente conceberam o cumprimento desses dois deveres esserais, a saber, o dever do aperfeiçoamento de seus corpos superiores e o dever de servir o Grande Trogoautoegocrata cósmico, unindo-os em um e realizando-os simultaneamente.
  • Para essa união, em cada localidade habitada e até em distritos separados dessas localidades, três construções especiais indispensáveis muito substanciais foram erguidas.
    • Uma, para os seres do sexo masculino, era chamada Agoorokhrostiny.
    • A segunda construção, especialmente para os seres do sexo feminino, era chamada Gynekokhrostiny.
    • E a terceira, para os seres então chamados sexo intermediário, era chamada Anoroparionikima.
    • As duas primeiras eram consideradas sagradas pelos seres do continente Atlântida, sendo para eles o equivalente do que são os templos, igrejas e capelas para os seres contemporâneos da Terra.
  • Quando Beelzebub desceu pela primeira vez ao planeta e estava no continente Atlântida, visitou pessoalmente certas dessas construções e se familiarizou muito bem com sua finalidade.
    • Nos templos masculinos, nos Agoorokhrostiny, os seres do sexo masculino da dada localidade ou do dado distrito realizavam em turnos mistérios correspondentes no estado especial chamado autolembrar-se.
    • Os seres do continente Atlântida tinham uma noção definida de que os seres do sexo masculino são fontes de manifestação ativa, e portanto em seus Agoorokhrostiny se entregavam a uma contemplação ativa e consciente o tempo todo, e nesse estado realizavam esses sagrados mistérios correspondentes para que as substâncias sagradas Abrustdonis e Helkdonis fossem transsubstanciadas neles.
    • Faziam isso deliberada e conscientemente para que essa certa substância sagrada, libertada neles e emanando por suas radiações para sua ulterior vivificância, se tornasse a parte ativa daquela lei sagrada que chamam a Santíssima Trindade.
  • Nos sagrados Gynekokhrostiny, construídos para os seres do sexo feminino, cada um desses seres era obrigado em certos períodos, a saber, nos períodos que os seres contemporâneos chamam menstruação, a permanecer sem sair.
    • Além disso, as mulheres, reconhecendo-se como seres passivos, tinham de ser durante todo o tempo de sua estada ali apenas passivas, para que as vibrações emanadas por suas radiações servissem como a parte passiva dessa mesma lei sagrada para sua ulterior vivificância.
    • Portanto passavam todo o tempo nesses Gynekokhrostiny em estado de completa passividade, tentando conscientemente não pensar em nada, e a fim de que os pensamentos fluindo por associação não as impedissem de se concentrar, tudo era disposto de modo que os pensamentos delas fossem dirigidos o tempo todo para desejar bem a seus filhos presentes ou futuros.
  • Os seres então chamados de terceiro sexo, para quem os Anoroparionikima eram construídos, seriam chamados pelo Mullah Nassr Eddin de equívocos, ou seres que não são nem uma coisa nem outra.
    • Entre esses seres de sexo intermediário havia tanto seres do sexo masculino quanto do feminino.
    • Eram seres que, por várias razões, já não tinham a possibilidade nem de se aperfeiçoar nem de servir à Natureza; eram, como se diz no dito do mesmo Mullah Nassr Eddin, nem uma vela para o Anjo, nem um atiçador para o diabo.
    • Nessas casas eram colocados por certo tempo os seres do sexo masculino que por alguma razão ou outra já eram inteiramente privados da possibilidade de conscientemente contemplar; e das mulheres, aquelas que em geral ou não menstruavam de modo algum, ou em quem a menstruação ocorria anormalmente, bem como aquelas que em termos de desejos sexuais se transformavam em certos períodos em Knaneomeny ou, como o querido Mullah diria, em genuínas éguas na primavera.
  • Entre os seres do continente Atlântida, noções de vários sintomas definidos e muito peculiares estavam em vigência, segundo os quais os dados seres eram reconhecidos e confinados no Anoroparionikima: se um ser acreditava em qualquer tipo de disparate; se um ser começava a provar a outros algo sobre o qual ele próprio nada sabia ou do qual não tinha certeza; se um ser não cumpria sua palavra de honra ou jurava em vão; se surgiam em algum ser tendências a espionar os outros e a se ocupar com Took-soo-kef; e o sintoma mais conclusivo de todos era quando aparecia em alguém a propriedade então chamada Moyussool, que os seres contemporâneos já consideram uma doença e chamam de hemorroidas.
    • Nesses Anoroparionikima, seres desse tipo eram obrigados a permanecer sem sair deles durante os períodos indicados pelos seres circundantes; mas não eram obrigados a fazer nada, existindo como desejavam.
    • Em relação a eles havia apenas um único objetivo: que não se encontrassem nem falassem com os seres normais da dada localidade.
    • Tais seres eram então confinados nessas construções porque, segundo as noções de então, em certos períodos do mês, graças a essas várias máculas deles, interferiam por suas radiações na existência tranquila e regular dos seres circundantes.
  • Os seres do período posterior da existência do continente Atlântida já tinham muitos costumes muito bons para a existência esseral normal, mas quanto aos seres contemporâneos do planeta de Beelzebub, só se pode sentir pena deles, porque em consequência da segunda grande calamidade ao seu planeta infeliz, o referido continente com tudo sobre ele entrou no planeta, e com ele desapareceram também todos aqueles bons costumes para a existência ordinária que haviam gradualmente durante longos séculos entrado no processo de sua existência ordinária.
  • Após o perecimento do continente Atlântida, o costume estava novamente prestes a ser restabelecido entre os seres posteriores lá, de ter construções especiais semelhantes às mencionadas para o processo de existência ordinária.
    • A necessidade dessas construções especiais foi novamente compreendida e atualizada por um muito sensato rei hebreu chamado Salomão.
    • Essa construção especial que esse sensato rei hebreu decidiu primeiro de tudo construir e que continuou a existir por longo tempo entre seus súditos era chamada Tak-tschan-nan.
    • Assemelhava-se um pouco às Gynekokhrostiny que haviam existido na Atlântida, e os seres do sexo feminino também eram colocados nelas, sendo obrigados a permanecer lá durante toda a menstruação.
  • O Rei Salomão apressou-se então a estabelecer esse costume porque, durante seu sábio reinado, havia frequentemente constatado que quando os seres do sexo feminino experimentavam o estado de menstruação, seu caráter se tornava para os seres circundantes, especialmente para seus maridos, não apenas intolerável, mas em relação a relações e negócios inconsistentes com outros seres como eles, até psico-organicamente prejudicial.
    • Decidiu portanto sem demora promulgar uma lei severa para seus súditos segundo a qual construções especiais isoladas eram obrigatoriamente construídas perto de cada distrito habitado, nas quais confinar os seres do sexo feminino durante toda a duração de seu referido estado.
    • Beelzebub até teve a sorte de ler a lei que ele promulgou.
    • Nessa lei dizia-se, entre outras coisas, que as mulheres durante a menstruação são, no sentido sagrado, impuras, e que durante esses períodos, para os outros, e especialmente para seus maridos, não só tocá-las mas falar com elas é o maior sacrilégio e um crime.
  • A última afirmação desse grande sábio terrestre, Rei Salomão, permanece hoje uma verdade imutável.
    • De fato, no presente isso também é uma das numerosas causas graças às quais, na complexidade geral, a existência ordinária já se tornou em extremo absurda para os seres do planeta de Beelzebub.
    • Nos seres contemporâneos terrestres do sexo feminino, ainda é mais aumentada durante esses estados aquela propriedade específica delas adquirida nos últimos séculos e que chamam histeria, e durante esse estado trazem os seres circundantes, particularmente seus maridos, a esse ponto que Mullah Nassr Eddin define como as vítimas das sanguessugas.
    • E de fato, é apenas porque os seres contemporâneos do sexo feminino andam livremente durante a menstruação que muitos seres contemporâneos do sexo masculino não só nunca conseguem ter relações boas e amigáveis entre si, mas por causa disso muito frequentemente se tornam genuínos blasfemadores que se arrependem tarde demais.
  • Esse favorável costume criado pelo sábio Rei Salomão existiu entre o povo hebreu por um tempo considerável e certamente teria se espalhado por toda a Terra, se não fosse aquela propriedade específica dos seres lá já mencionada por Beelzebub anteriormente.
    • Quando esse povo hebreu, como costuma acontecer lá, caiu de sua grandeza e foi desprezado e perseguido pelos seres de outras comunidades, que por impulsos de ciúme e inveja de todos os que são superiores a eles já haviam se tornado inerentes nos seres tricerebral do planeta de Beelzebub os odiavam nos dias de sua grandeza e poder, esses seres de outras comunidades também desprezaram todos os costumes verdadeiramente bons que eles já tinham.
    • É por isso que esse bom costume não só não se difundiu mais, mas gradualmente, também por causa de outras propriedades características deles já suficientemente explicadas, ou seja, por causa do fato de que esse povo hebreu caiu ele próprio sob a influência de outras comunidades que haviam se tornado grandes e seguiu seus exemplos, esse bom costume começou a ser desprezado e foi finalmente esquecido e abandonado pelos próprios fundadores.
    • No presente, esse costume existe lá apenas numa comunidade muito pequena encontrada nas montanhas do Cáucaso com o nome Khevsoory, justamente esses mesmos Khevsoory que privam muitos cientistas lá do sono por causa do problema da origem dessa pequena comunidade.
  • Sobre o fato de os favoritos de Beelzebub destruírem os bons costumes para a existência ordinária já existentes em seu planeta e atingidos por seus ancestrais, é necessário novamente expressar condolências com a pobre Natureza lá que deve sempre se adaptar e readaptar.
    • O querido Mestre Mullah Nassr Eddin, sobre infortúnio desse tipo para sua Natureza, às vezes diz: Ekh… se você não tiver sorte na vida, pode até ser infectado por sua madrinha com doença venérea; ou às vezes também diz: Oh, criatura infeliz! Sua mãe deve ter cantado uma balada armênia enquanto você estava nascendo.
    • Até o intérprete da sabedoria russa, Kusma Proutkoff, tem bons ditos para tal caso: O mais infeliz entre nós é o pinheiro da floresta, porque todo Makkar tropeça nele.
  • Essa infeliz Natureza do planeta Terra deve continuamente e sem descanso se adaptar para se manifestar sempre de modo diferente, e ainda outra vez de modo diferente, para permanecer dentro da harmonia cósmica comum.
    • Para que Hassein possa representar e compreender bem de que maneira a infeliz Natureza lá se adapta para que seja atingido o chamado equilíbrio de vibrações requerido desse planeta para a harmonia cósmica comum, Beelzebub explica apenas sobre um fato que está sendo atualizado lá naquele momento, ou seja, após o processo que chamaram de Guerra Mundial.
    • Foi precisamente em razão do fato de que durante esse processo o chamado gás venenoso havia sido inventado por seres chamados alemães, e as chamadas metralhadoras de tiro rápido especiais pelos seres chamados ingleses, que aconteceram nessa ocasião Rascooarnos ou mortes não previstos pela Natureza em quantidade muito maior do que então era necessário para Ela, ocorrendo uma superprodução em relação às mortes dos seres tricerebral requeridas lá.
  • Em consequência, a Natureza lá havia novamente de começar a partir daquele momento a bufar e soprar e, como se diz lá, pular para fora de sua pele, para corrigir essa imprevisão e se adaptar novamente de modo correspondente.
    • Desta vez, pelo que Beelzebub soube com certeza durante sua última estada lá e também pela comunicação que lhe foi transmitida por eterograma, a Grande Natureza lá está evidentemente prestes a aumentar, para os tempos futuros, a taxa de natalidade de outras formas de seres lá.
    • Beelzebub notou nas cidades Petrogrado e Tiflis, situadas na grande comunidade Rússia, da qual mais seres pereceram do que de qualquer outra durante aquela Guerra Mundial, que aquele tipo de ser quadrúpede que normalmente nunca aparecia lá, a saber, os quadrúpedes que odeiam as pessoas e são chamados lobos, já vagavam pelas ruas.
    • Na informação comunicada por eterograma dizia-se, entre outras coisas, que na mesma grande comunidade Rússia a taxa de natalidade de seres das espécies de roedores chamados ratos e camundongos havia aumentado de modo tão sem precedentes que no presente estão começando a devorar a maior parte das provisões armazenadas dos seres da referida comunidade.
  • Além disso, foi transmitido no mesmo eterograma que os seres detentores de poder da comunidade Rússia haviam solicitado aos seres de outra comunidade europeia que se encarregassem da destruição da existência desses pequenos seres, ratos e camundongos, que se multiplicaram entre eles, prometendo em troca pagar tanto dinheiro quanto custasse.
    • Embora uma redução temporária do número desses pobres ratos e camundongos possa ser obtida pelos vários meios disponíveis para esses especialistas na destruição da existência de outros, os seres das outras comunidades possivelmente não consentirão em fazer isso de graça.
    • Pagar em dinheiro, no entanto, isso a Rússia que prometeu não será capaz de fazer, pois poderia custar muito mais dinheiro do que sua última guerra.
    • E obter dinheiro das mesmas fontes das quais o drenaram durante aquele grande processo, como diz o querido Mullah Nassr Eddin, quanto a isso, nada feito, até um burro entende que a carne de camponês não tem preço em tempo de paz.
  • Após essas palavras, Beelzebub ficou em silêncio e começou a olhar expectante para seu neto, que, como falando consigo mesmo, muito tristemente, num tom pleno de desespero, indagava como tudo aquilo iria terminar, se havia realmente alguma saída e se as almas formadas naquele planeta infeliz realmente deveriam permanecer para sempre imperfeiçoadas e ser indefinidamente cobertas em várias formas planetárias, moendo-se eternamente por causa das consequências das propriedades do maldito órgão Kundabuffer, o qual, por razões alheias a eles mesmos, foi ligado aos corpos planetários dos primeiros seres tricerebral daquele planeta infeliz.
    • Hassein perguntava onde estava aquele pilar sobre o qual todo o Megalocosmos repousa e que se chama Justiça.
    • Declarou que a partir daquele momento o objetivo de sua existência seria compreender claramente por que as almas surgindo nesses seres tricerebral terrestres estão em situação tão sem precedentes e aterradora.
  • Tendo dito isso, o pobre Hassein, cheio de melancolia, baixou a cabeça e ficou tristemente pensativo, e Beelzebub o olhou com um olhar muito estranho, no qual seu amor por Hassein era claramente visível, mas ao mesmo tempo se podia sentir que estava não obstante muito satisfeito que seu neto estivesse experimentando tal depressão.
  • Após um silêncio bastante longo, Beelzebub suspirou profundamente com, por assim dizer, toda a sua essência, e falou ao neto que certamente havia algo não completamente certo ali, mas que se nem o Ser que já possui a Razão do sagrado Podkoolad e é um dos primeiros assistentes do INFINITO no governo do Mundo, a saber o Santíssimo Ashiata Shiemash, havia conseguido fazer nada, o que então se poderia esperar de seres com a Razão de seres quase comuns.
    • Beelzebub lembrou que o Santíssimo Ashiata Shiemash, em suas deliberações sob o título O Terror da Situação, disse: Se ainda é possível salvar os seres da Terra, então apenas o Tempo pode fazê-lo.
    • Quanto a essa terrível propriedade deles, de que acabaram de falar, o processo periódico de destruição da existência uns dos outros, só se pode dizer que se essa propriedade dos seres terrestres há de desaparecer daquele planeta infeliz, isso se dará com o Tempo apenas, graças seja à orientação de um certo Ser com Razão muito elevada, seja a certos eventos cósmicos excepcionais.
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