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XLVII O resultado inevitável do pensar imparcial
GURDJIEFF — BTG-XLVII (B1173-B1183)
Resumo da tradução inglesa de 1950
LIVRO III: RBN III-46 ⇔ RBN III-48
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Uma luz azul-pálida irrompeu subitamente e a queda da nave Karnak começou a diminuir de velocidade, sinalizando a aproximação de um dos grandes Egolionopties cósmicos.
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A luz iluminou o interior da nave e todo o espaço circundante até onde a visão alcançava.
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Existem apenas quatro grandes Egolionopties no Universo, cada um sob a jurisdição de um dos quatro Mantenedores-de-Todos-os-Quadrantes.
Uma comoção apressada e ansiosa tomou conta de todos os seres a bordo, que se reuniram na sala principal ao centro da nave.-
Cada ser carregava um ramo de mirto em uma mão e um Devd'el Kascho na outra.
Do Egolionopty passou para a sala principal uma procissão composta por vários arcanjos e uma multidão de anjos, querubins e serafins, todos portando ramos de palmeira.-
À frente da procissão caminhava um venerável arcanjo.
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Dois querubins o seguiam solenemente, carregando um cofre do qual irradiava algo alaranjado.
Quando a procissão se aproximou, ambos os grupos entoaram juntos o Hino ao INFINITO, cantado em todas as ocasiões semelhantes em todo o Universo por seres de todas as naturezas.-
O Hino saúda o CRIADOR como Único Vencedor do implacável Heropass e reconhece que, por seus labores, os seres obtiveram a possibilidade de se aperfeiçoarem até o sagrado Anklad.
O venerável arcanjo proclamou solenemente a Beelzebub que, por decreto do Arcanjerubim Peshtvogner e em consonância com o perdão concedido do Alto, lhe seriam restituídos os chifres perdidos durante o exílio.-
O arcanjo retirou do cofre o cajado sagrado com profunda reverência.
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Todos os presentes se ajoelharam em um joelho enquanto anjos e querubins entoavam os cânticos sagradas apropriadas.
O arcanjo explicou aos seres de natureza semelhante à de Beelzebub que a virilidade e o grau de Razão dos seres de tal natureza se definem e se manifestam pelos chifres na cabeça.-
Para restaurar os chifres de Beelzebub, cada ser deveria consentir em renunciar a certas partículas de seus próprios chifres.
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A quantidade de elementos ativos transferidos dependeria do tempo em que cada ser segurasse o cabo do cajado sagrado.
Mal o arcanjo terminou de falar, uma grande agitação tomou conta dos seres presentes, cada um desejando ser o primeiro a tocar o cajado sagrado pelo maior tempo possível.-
A ordem foi logo restabelecida e cada ser se aproximou por sua vez, durante o tempo indicado pelo capitão da nave, que assumiu a direção necessária.
Durante a ação sagrada e solene, os chifres foram crescendo gradualmente na cabeça de Beelzebub.-
Enquanto os chifres simples se formavam, prevalecia entre os presentes uma quietude concentrada e grave.
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A partir do momento em que os garfos começaram a aparecer nos chifres, instalou-se um interesse tenso e uma atenção absorta, pois o número de garfos definiria a gradação de Razão que Beelzebub havia atingido.
Com o aparecimento do quarto garfo, a tensão entre os presentes chegou ao ápice, pois isso significava que a Razão de Beelzebub havia sido aperfeiçoada até o sagrado Ternoonald, restando-lhe apenas duas gradações para atingir o sagrado Anklad.Antes que todos se recompusessem da agitação jubilosa, surgiu espontaneamente e de forma inesperada um quinto garfo de forma especial nos chifres de Beelzebub, conhecido por todos os presentes.-
Diante disso, todos sem exceção, inclusive o próprio venerável arcanjo, prostraram-se diante de Beelzebub, que se erguera com aparência majestosa graças aos chifres verdadeiramente majestosos que haviam surgido em sua cabeça.
O quinto garfo indicava que Beelzebub havia atingido a Razão do sagrado Podkoolad, ou seja, a última gradação antes da Razão do sagrado Anklad.-
A Razão do sagrado Anklad é a mais elevada que qualquer ser pode atingir em geral, sendo a terceira em grau a partir da Razão Absoluta de SUA INFINITUDE.
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A Razão do sagrado Podkoolad é muito rara no Universo, razão pela qual até o venerável arcanjo se prostrou diante de Beelzebub, pois seu próprio grau de Razão era ainda apenas o do sagrado Degindad, faltando-lhe três graus para a Razão do sagrado Anklad.
O venerável arcanjo proclamou a todos os seres reunidos que acabavam de se tornar dignos de testemunhar pela primeira vez a formação final daquilo que é o sonho de todos os presentes e dos seres em geral em todo o grande Megalocosmos.-
O arcanjo convocou a todos a regozijar-se e alegrar-se com tal dignidade, descrita como um choque revigorante para a capacidade de lutar contra a própria fonte negadora.
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Beelzebub foi saudado como um dos raros Indivíduos Sagrados de todo o Grande Universo, que, embora tivesse transgredido em sua juventude, tornou-se digno por seus labores conscientes e sofrimentos intencionais.
Após a proclamação do arcanjo, todos os seres presentes na nave Karnak entoaram juntos o cântico sagrada prescrita intitulada “Eu Me Alegro”.-
Concluído o cântico, anjos e querubins retornaram ao Egolionopty cósmico, que partiu e desapareceu gradualmente no espaço.
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Passageiros e tripulação regressaram aos seus lugares e a Karnak retomou sua queda em direção ao destino.
Quando Beelzebub, com aparência transfigurada correspondente a seus méritos, ocupou seu lugar habitual, Ahoon prostrou-se inesperadamente diante dele e, em voz sinceramente suplicante, pediu misericórdia e perdão por suas manifestações desrespeitosas passadas, voluntárias e involuntárias, em relação à Essência Sagrada de Beelzebub.-
Ahoon reconheceu não ter conseguido, até então, perceber a realidade presente sob o exterior com o qual, segundo o Trogoautoegocrat cósmico-comum, são revestidas todas as unidades existentes e recém-surgidas do Megalocosmos que devem ter em sua presença o sagrado algo chamado Razão.
Dito isso, Ahoon ficou de pé como que mergulhado em estupor de silenciosa expectativa.-
Beelzebub, também em silêncio, fixou nele um olhar que, embora percebido externamente como pleno de amor e perdão, revelava igualmente sua tristeza de Essência e resignação inevitável.
Hassein respondeu com timidez incomum que quase sim, com a diferença de que naquele momento o impulso de amor tanto por Ahoon quanto pelos seres de três cérebros do planeta Terra funcionava nele ainda mais intensamente.-
Hassein declarou que aquele que até então chamara de seu querido avô havia visivelmente se tornado um dos sagrados Podkoolads do grande Megalocosmos, diante de quem todos se inclinam e em cuja presença ele tinha naquele momento a felicidade de estar.
Beelzebub exclamou e, adotando a expressão usual de sua estada na Terra, evocou um ensinamento de Mullah Nassr Eddin, a quem particulamente honrava, para comentar as palavras e a postura incomuns de Ahoon.-
O ensinamento citado dizia: “Não derrame lágrimas em vão como aquele crocodilo que mordeu o pescador e não conseguiu arrancar sua metade inferior esquerda.”
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Beelzebub pediu que todos retomassem seus lugares habituais para conversar mais um pouco.
Hassein e Ahoon seguiram imediatamente e em silêncio a sugestão de Beelzebub, mas seus movimentos e a translucidez de sua psique interior revelavam uma mudança marcante em sua atitude em relação a Beelzebub desde o evento Universal descrito.-
Ao se sentarem, fizeram-no desta vez sem o desembaraço que anteriormente demonstravam.
Beelzebub disse a Hassein que, quando regressassem ao lar, salvo algum evento de causas externas independentes de suas Essências, explicaria tudo o que havia prometido e deixado por explicar durante a viagem na nave Karnak a respeito dos seres de três cérebros.-
Beelzebub advertiu que não havia tempo suficiente para responder da maneira habitual de suas conversas e pediu que a questão fosse formulada de modo que sua resposta também pudesse ser breve.
Diante da proposta do avô, Hassein ficou pensativo por um longo tempo e, em seguida, em estado de exaltação, se dirigiu a Beelzebub, agora chamado de Sagrado Podkoolad e causa fundamental da causa de seu surgimento.Hassein pediu a opinião pessoal e franca de Beelzebub sobre o que Ele responderia se o CRIADOR-ABRANGENTE-DE-TUDO INFINITO O convocasse e lhe perguntasse se ainda era possível, por algum meio, salvar os seres de três centros do planeta Terra e direcioná-los ao caminho conveniente.-
Ahoon também se levantou.
Beelzebub ergueu-se subitamente e de modo inesperado, estendeu a mão direita para frente e a esquerda para trás, e dirigiu sua visão para algum ponto distante no espaço, parecendo penetrar com o olhar as próprias profundezas do cosmos.-
Simultaneamente, algo de cor amarelo-pálida começou a surgir ao redor de Beelzebub e a envolvê-lo, sem que fosse possível discernir se emanava d'Ele mesmo ou provinha de fontes externas no espaço.
Inserido nessas atualizações cósmicas incompreensíveis para todos os seres de três cérebros, Beelzebub entoou em voz alta e de modo penetrante as seguintes palavras dirigidas ao TU TUDO e ao TUDO DA MINHA TOTALIDADE.-
O único meio agora para salvar os seres do planeta Terra seria implantar novamente em suas presenças um novo órgão, semelhante ao Kundabuffer, mas desta vez com propriedades tais que cada um desses infelizes, durante o processo de existência, sentisse e fosse cognoscente constantemente da inevitabilidade de sua própria morte e da morte de todos aqueles em quem seus olhos ou atenção se fixassem.
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Somente tal sensação e tal cognição poderiam agora destruir o egoísmo completamente cristalizado neles, que engoliu toda a sua Essência, bem como a tendência ao ódio que dele flui, a qual engendra todos os relacionamentos mútuos existentes lá, servindo como causa principal de todas as suas anormalidades indignas de seres de três cérebros e maléficas para eles próprios e para todo o Universo.
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