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MUNDO EXTERIOR E INTERIOR DO HOMEM

A Ausência da Compreensão da Vida e a Resposta Antiga

  • A falta de compreensão do tema a ser elucidado neste capítulo é a causa principal da maioria dos mal-entendidos na vida comum, e somente através do reconhecimento e entendimento de seu sentido é possível resolver o problema da prolongação da vida humana.

Para desenvolver a questão, cita-se um antigo manuscrito de uma seita esotérica ainda existente na Ásia Central, cujo conteúdo simbólico é traduzido para a forma de mentação contemporânea.

  • O manuscrito afirma que a psique geral do homem maduro (a partir dos 20 anos para homens e 13 para mulheres) consiste em três totalidades de funcionamento independentes e simultâneas, cujos fatores se formam em períodos distintos da vida: a primeira totalidade na infância, a segunda na adolescência e a terceira na maturidade, podendo esta última continuar se formando até os 300 anos em homens e 200 em mulheres que alcançaram o estado de todos os centros despertos.
  • A formação segue a lei da trindade:

Primeira totalidade: ânodo (impressões externas involuntárias e sono) e cátodo (reflexos hereditários).

  • Segunda totalidade: ânodo (impressões externas intencionais sob pressão) e cátodo (resultados de impressões similares anteriores).
  • Terceira totalidade: forma-se da contemplação, ou contato voluntário das duas primeiras, onde a segunda serve de ânodo e a primeira de cátodo.
  • Um atributo crucial é a atenção, definida pela ciência antiga como o grau de mistura do que é o mesmo nos impulsos de observação em uma totalidade com o que ocorre nas outras; essa atenção permite a impressão mútua dos processos entre as totalidades e depende da gradação do estado total do homem.
  • A ciência antiga postula que a totalidade onde reside o centro de gravidade da gradação do estado total torna-se o fator iniciante para a função comum; a hipótese da simultaneidade de três tipos de associações (pensamento, sentimento e instinto mecânico) é corroborada por verificações experimentais modernas, explicando a sensação de múltiplos seres habitando um só homem.

Coincidências Significativas e a Morte de Orage

  • Relatam-se coincidências estranhas, mas conformes à lei, que ocorreram durante a escrita do livro, destacando-se o evento de 6 de novembro de 1934, data de reinício da escrita após um ano de interrupção e exatamente sete anos após a decisão definitiva de realizar todas as tarefas do ser.

Nesse dia, enquanto trabalhava no Café Childs em Nova Iorque e discutia com um tradutor a diferença entre sofrimento intencional e voluntário, recebeu-se a notícia da morte de Mr. Orage em Londres.

  • A coincidência reside no fato de que, na mesma noite sete anos antes (6 de novembro de 1927), o autor, atormentado por pensamentos sobre sua própria doença, ditara uma carta a Mr. Orage aconselhando-o sobre a cura de sua doença crônica através do sofrimento intencional, conselho que falhou devido às razões explicadas nas próprias palavras de Orage na A vida é real só quando eu sou.
  • A morte de Orage provocou consequências improdutivas para a escrita, paralisando o trabalho por dois meses devido à interrupção constante de visitantes e telefonemas de pessoas, muitas desconhecidas ou distantes, impelidas pelo hábito mecânico de expressar simpatia.

A tentativa de fugir dessas interrupções viajando para Washington, Boston e Chicago foi inútil, pois o fenômeno se repetiu em toda parte, revelando a universalidade dessa fraqueza viciosa na psique moderna.

A Crítica à Expressão Mecânica de Simpatia e os Costumes Antigos

  • Em uma reunião suburbana, critica-se severamente a insinceridade das expressões de simpatia, exemplificada por um retardatário que, ao avistar o autor, mudou a expressão facial e proferiu uma frase feita sem qualquer conexão com seu ser real.

Argumenta-se que expressar simpatia pela morte de alguém é um hábito vicioso incutido na infância, que muitas vezes reaviva o sofrimento do enlutado em vez de aliviá-lo; na antiguidade, tal ato era considerado imoral e criminoso.

  • Descreve-se o costume antigo de lidar com a morte: isolamento inicial de três dias, seguido por uma reunião no quarto dia onde se comia apenas alimentos preparados pelo falecido e se realizava a Festa da Lembrança, recordando apenas os maus atos do morto para lavar seus ossos até o marfim.
  • Posteriormente, durante sete dias, realizava-se uma assembleia com incenso onde o líder exortava os presentes a contemplar a inevitabilidade da própria morte e a indignidade do falecido, cantando hinos pedindo ajuda para manter a morte diante dos olhos.
  • A verdadeira compreensão da inevitabilidade da morte é apresentada como o único meio de destruir o egoísmo e fazer renascer os impulsos divinos de fé, amor e esperança; a alma é definida em versos persas como o determinante da personalidade e o elo com o Criador, sendo um luxo para quem se entrega ao sofrimento e o resíduo da educação.

O Bloqueio na Escrita e a Solução Jornalística

  • Após terminar o prólogo em 9 de abril de 1935, o autor enfrentou um novo bloqueio ao tentar introduzir o tema da prolongação da vida humana, percebendo a necessidade de situar a questão no contexto da ciência e mentação contemporâneas sem se estender demasiadamente.

A obsessão pelo problema levou a dias de insônia e tensão extrema, culminando em uma caminhada na madrugada de domingo, 14 de abril, em busca de um café e jornais para distrair a mente.

  • Ao procurar jornais em línguas europeias em um bairro de judeus russos, encontrou um jornal russo (Russky Golos) que, por coincidência, trazia na primeira página um artigo intitulado O Problema da Velhice.
  • O artigo continha exatamente a introdução necessária, formulada de maneira compacta e objetiva, o que levou o autor a decidir incluí-lo integralmente no capítulo para conferir maior credibilidade ao tema, sentindo-se tão aliviado que tirou o dia de folga para visitar Coney Island.
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