QUINTO PRONUNCIAMENTO
Orientações Preliminares e Contexto das Instruções
- Antes de prosseguir com o inquérito habitual sobre os resultados da semana anterior, estabelece-se a necessidade de indicar dois exercícios independentes, originalmente pertencentes a uma série diferente do programa geral do Instituto, os quais atuam como meios assistenciais para a aquisição do Eu real e facilitam a compreensão dos exercícios cardeais, além de introduzirem noções consideradas secretas e potencialmente perigosas para o homem médio segundo a convicção de iniciados de todas as épocas.
Esclarece-se que os iniciados sempre foram divididos em três categorias: Santos, que atingiram um alto grau de Ser através de sofrimentos intencionais e trabalhos conscientes; Eruditos, que adquiriram grande quantidade de informações pelos mesmos meios; e Sábios, que alcançaram tanto o Ser quanto o esclarecimento sobre verdades objetivas.
Primeiro Exercício Assistencial: O Uso do Autoengano Consciente
- Revela-se o primeiro segredo de que uma propriedade psíquica negativa, o autoengano, pode ser utilizada conscientemente como auxílio ao autoaperfeiçoamento, uma vez que a assimilação de verdades sobre este processo deve ocorrer no subconsciente e, dada a incapacidade do homem contemporâneo de digerir tais verdades diretamente devido a anormalidades da vida, faz-se necessário inculcar indicações razoáveis através da imaginação enganosa inerente.
O exercício consiste em pronunciar as palavras “Eu sou” e imaginar que uma reverberação ou vibração ocorre no plexo solar, mesmo que inicialmente ela não exista de fato, pois a repetição frequente e a concentração intencional podem gradualmente criar um início teórico para a formação real desses dados.
- A prática deve evoluir da imaginação para a sensação real, concentrando a maior parte da atenção nas palavras e a menor no plexo solar, visando adquirir o gosto dos impulsos “Eu sou”, “Eu posso” e “Eu desejo”, reconhecendo que somente quem “é” pode “poder”, e somente quem “pode” tem o direito objetivo de “desejar”.
- Adverte-se que pronunciar as palavras sem a reverberação imaginada ou real é inútil e até prejudicial, pois aumenta na atmosfera do planeta a urgência de destruir os ritmos da vida ordinária; nota-se também que a concentração da reverberação pode ser usada para cessar desarmonias corporais, como dores de cabeça.
A Necessidade de Sinceridade no Trabalho Coletivo
- Estabelece-se como condição indispensável para o sucesso no novo grupo a prática da sinceridade mútua nas relações internas e nas questões concernentes ao objetivo comum, combatendo impulsos indignos como amor-próprio, orgulho e presunção.
A sinceridade, embora considerada fraqueza ou histeria na vida ordinária, é crucial dentro do grupo — comparado a uma irmandade — pois o bem-estar de um depende do bem-estar dos outros, e a troca honesta de observações sobre os exercícios é de grande valor para o auxílio mútuo, dado que nenhum indivíduo isoladamente é capaz de realizar algo real.
Segundo Exercício Assistencial: Divisão da Atenção e Respiração Consciente
- Introduz-se o segundo exercício preparatório recorrendo ao método de inculcação ilustrativa, dada a dificuldade de formular verbalmente as sutilezas das experiências intencionais, e fundamentando-se na compreensão da atenção e das associações automáticas que fluem ininterruptamente no homem, inclusive durante o sono anômalo que gera sonhos.
O exercício ilustrado pelo próprio autor envolve a divisão intencional da atenção em duas partes: a primeira metade é dirigida para a constatação contínua do processo de respiração, sentindo o ar penetrar e espalhar-se pelo organismo; a segunda metade foca no cérebro para observar o surgimento de associações finas e quase imperceptíveis.
- O objetivo é direcionar conscientemente o “algo” que surge no cérebro para fluir diretamente ao plexo solar, enquanto se mantém a observação da respiração e a lembrança de si mesmo, resultando na absorção de alimento conforme a lei e no fortalecimento do sentimento de “Eu sou”, “Eu posso” e “Eu desejo”.
- Adverte-se que os alunos não devem esperar resultados imediatos ou idênticos aos demonstrados, pois a eficácia depende da presença de um Eu subjetivo já definido; o exercício deve ser praticado inicialmente apenas para compreensão e constatação das fontes do Eu, sem a expectativa de força ou resultados concretos.
