TERCEIRO PRONUNCIAMENTO
Preceitos para a Produtividade das Reuniões e a Leitura Obrigatória
- A fim de que as explicações, elucidações e relatórios apresentados nas reuniões gerais e encontros privados não assumam o caráter improdutivo de reuniões para titilação coletiva, mas produzam resultados reais, estabelece-se como conselho benevolente e medida categoricamente necessária que cada integrante do grupo suspenda inteiramente, pelo período mínimo de três meses, a leitura de jornais e revistas, dedicando-se durante este intervalo a familiarizar-se o mais profundamente possível com o conteúdo dos três livros da primeira série dos escritos intitulada *Uma Crítica Objetivamente Imparcial da Vida do Homem*.
O conhecimento do conteúdo destas obras torna-se indispensável para a obtenção de informações elucidadas sobre as noções definidas que fundamentam os problemas práticos, permitindo que indivíduos que cognitivamente perceberam o absurdo da vida ordinária, mas que ainda não o sentiram com todo o seu Ser, possam determinar sua real individualidade e manifestar-se como criaturas semelhantes a Deus.
- A totalidade do exposto na primeira série abarca, em uma sequência lógica e confrontativa, quase todas as questões que podem surgir na mentação ordinária sob as condições da vida contemporânea, visando acostumar o leitor à mentação ativa e permitir a cognição, com todo o ser e não apenas com a consciência automática, da natureza efêmera das concepções anteriores, o que é requisito fundamental para o trabalho sobre si mesmo.
- A familiaridade prévia com os textos é exigida também por uma questão de economia de tempo durante as explanações futuras, permitindo que referências diretas a capítulos específicos, como o capítulo intitulado Do Autor e sua seção A Adição no terceiro livro, substituam a leitura de extratos extensos que demonstram o automatismo completo do homem contemporâneo e sua nulidade em relação à manifestação independente da individualidade.
A Metáfora do Rio da Vida e a Possibilidade de Evolução
- O homem comum médio é descrito como um escravo inconsciente a serviço de propósitos universais alheios à sua individualidade pessoal, vivendo e cristalizando-se sob influências acidentais para ser destruído para sempre após a morte, embora a Grande Natureza conceda a algumas vidas a possibilidade de não serem meros instrumentos cegos, mas de servirem conscientemente e produzirem um excedente utilizável para a definição do próprio egoísmo e individualidade.
A liberação e a construção de vidas independentes são necessárias para o equilíbrio das leis objetivas, contudo, nem todo homem alcança essa possibilidade devido a condições incontroláveis de hereditariedade e da idade preparatória que impedem tal realização.
- Estabelece-se uma comparação entre a vida humana e o fluxo de um grande rio que se bifurca na idade responsável: um braço flui para o oceano ilimitado permitindo um movimento evolutivo, enquanto o outro deságua nas regiões inferiores para um movimento involutivo a serviço apenas das necessidades da natureza; o mal principal para os contemporâneos reside na aquisição de uma presença comum, devido a uma educação anormal, que corresponde apenas ao fluxo passivo para as regiões inferiores.
Apesar da passividade habitual que submete o homem aos caprichos de eventos cegos, as investigações experimentais que baseiam o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem indicam que, mesmo na idade responsável, a Grande Natureza prevê a possibilidade, ainda que mais difícil, de cristalizar através de intenções e experiências interiores o núcleo da essência ou o próprio Eu, permitindo a travessia de uma correnteza para a outra.
- A travessia do fluxo involutivo para o evolutivo não se realiza por um simples desejo, mas exige uma consciência constantemente ativa e uma intensidade extrema para cristalizar um impulso insaciável de travessia, seguido de uma longa luta interna contra as anormalidades e hábitos cristalizados que constituem o Deus-Mal interior, cuja presença cria condições ideais para o gozo de uma paz imutável, porém estagnante.
Os Três Impulsos Psíquicos Fundamentais e a Definição do Eu
- A condição indispensável para o acesso a um novo caminho evolutivo é a posse de dados para a aquisição do próprio Eu, o que exige a cristalização consciente de sete dados especificamente inerentes ao homem, que interagem conforme a lei sagrada do Heptaparaparshinokh, sendo que a exposição atual se concentra nos três primeiros fatores psíquicos que engendram impulsos definidos.
Devido à pobreza da língua inglesa e à ausência de compreensão exata, definem-se os três impulsos de forma aproximada: o primeiro corresponde ao verbo poder no sentido arcaico pré-shakespeariano; o segundo ao verbo desejar, distinto das palavras que denotam escravidão como querer ou gostar; e o terceiro, intraduzível por uma única palavra, descreve-se como a sensação inteira do todo de si mesmo.
- O terceiro impulso, considerado o mais importante dos sete na vigília, compõe junto com o poder e o desejar o Eu genuíno do homem na idade responsável; somente aquele que possui esse Eu pode afirmar verdadeiramente eu sou, eu posso e eu desejo, sentindo com todo o corpo e ser, independentemente de gostar ou não, pois o gostar é uma escravidão, enquanto o desejar consciente é uma capacidade deliberada.
A dificuldade em compreender e obter esses fatores reside na interdependência cíclica onde tais impulsos só existem plenamente na presença de um Eu genuíno, e o Eu genuíno, por sua vez, só pode residir no homem que possui esses impulsos.
Exercícios Práticos de Atenção e a Distinção entre Sentir e Sensacionar
- Para o desenvolvimento consciente dos impulsos inerentes ao homem, recomenda-se o início pelo exercício número quatro da série de preparação do solo, que consiste na divisão da atenção em três partes aproximadamente iguais concentradas simultaneamente em três objetos diversos: a constatação do processo orgânico de sensacionar em um dedo, a constatação do processo de sentir em outro dedo, e o acompanhamento de um movimento rítmico e contagem mental automática em um terceiro dedo.
A execução deste exercício exige a compreensão prévia da distinção filológica e psíquica, inexistente na língua inglesa e na percepção contemporânea, entre sentir e sensacionar: o homem sente quando os fatores iniciativas emanam dos nódulos nervosos simpáticos, concentrados no plexo solar (centro de sentimento), e sensaciona quando a base dos fatores iniciativas reside nos nódulos nervosos motores da espinha e do cérebro (centro motor).
- O exercício número quatro, embora difícil, é apontado como o único capaz de corrigir erros do passado e preparar o terreno para o futuro, exigindo que o indivíduo utilize o que possui atualmente como substituto da atenção voluntária — uma autotensão — para observar simultaneamente resultados heterogêneos provenientes de fontes funcionais distintas.
Aconselha-se a mobilização de todas as forças e uma atitude impiedosa para com as próprias fraquezas a fim de alcançar a compreensão e a realização prática deste exercício, pois dele depende a vida normal subsequente e a possibilidade de cristalizar os dados que engendram os impulsos obrigatórios na presença de qualquer homem que reivindique o direito de ser chamado de criatura semelhante a Deus.
