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Livro dos Mortos Americano

GOLD, E. J. American Book of the Dead. Nevada: IDHHB, 2005.

Este é realmente o livro que eu não queria escrever. Todo mundo diz isso — mas eu falo sério. Se houvesse alguma coisa que eu pudesse ter feito para evitar isso, eu teria feito.

Sabe, durante anos eu realmente acreditei que todos sabiam tudo sobre isso e que estavam brincando quando diziam não ter conhecimento. Foi só em 1974 — cálculo do tempo local baseado nas revoluções da Terra (um planeta mitológico que se assemelha a um ser vivo no espaço) em torno de um sol igualmente mitológico — que descobri que esse ensinamento havia sido completamente negligenciado e, por fim, perdido no mundo ocidental.

É claro que há muitas pessoas por aí agora para ajudar com isso. Os tibetanos chegaram aqui em grande número, estabelecendo-se principalmente em Berkeley, Califórnia, porque é o lugar mais próximo em clima e paisagem de seu país natal.

Eles têm o conhecimento, mas não têm as habilidades linguísticas e o background cultural e psicológico para comunicar esse conhecimento aos burros — quero dizer, aos americanos.

Desde a publicação original deste manuscrito, o ensinamento chegou na forma de muitos refugiados e visitantes do Extremo Oriente e do Oriente Próximo. E, como tudo na vida, há uma razão para isso também.

Assim como os lobos do cérebro humano transferem periodicamente a atividade de um para o outro, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, o mesmo ocorre com o ensinamento, o dharma, que se transfere de um hemisfério do mundo para o outro.

A cada seis ou setecentos anos, com a precisão de um relógio, o dharma — o espírito da terra viva — atravessa do Ocidente para o Oriente ou do Oriente para o Ocidente. Assim, os princípios masculino e feminino, mestres da era, aparecem de tempos em tempos. No Oriente, e não estamos falando de Boston, Massachusetts, o décimo avatar já veio e se foi. E assim chegou o fim do dharma no Oriente.

Agora, pelos próximos seiscentos anos, aparecerão no Ocidente tulkus, avatares e santos, além de manifestações do Filho e da Mãe, incitando incessantemente os primatas humanos a saírem do sono; e para alguns — muito poucos — haverá um despertar, e para o resto, uma religião e talvez até várias religiões.

Enquanto isso, no Oriente, a humanidade dormirá por um tempo, envolta no conforto superficial da alta tecnologia; seu dia de vigília está encerrado por enquanto. Mas não temam; chegará novamente o momento em que será a vez deles de guardar o dharma, a vez deles de guardar o espírito no mundo, a vez deles de trabalhar no mundo do ser, e a vez de vocês de tirar um cochilo.

Dez avatares virão; cada um assumirá sua vez legítima no esforço de manter o estado de vigília, ganhando assim um período — sempre muito curto — de descanso e relaxamento.

O tempo de cada avatar é estabelecido por lei, e assim seu nascer e seu ocasar são determinados. Agora chegou a hora do primeiro avatar, Ueuecoyotl. E os primeiros tulkus já estão aqui. Estaremos com vocês pelos próximos seiscentos anos e então partiremos. Nossa tarefa terá sido cumprida.

Portanto, este livro é o resultado da combinação habitual de ensinar, ser ensinado e da experiência com esses estados e suas consequências. Na verdade, há algumas pessoas por aí que sabem dessas coisas, como você logo descobrirá se começar a brincar e realmente experimentar esses estados e ideias.

Pode simplesmente acontecer que, à medida que você aprende a lidar com a morte e o renascimento, você aprenda a lidar com a vida nesse processo. Isso é inevitável, e se por acaso você acabar lidando melhor com a vida por causa disso, não se desespere; você nunca vai sair vivo dessa.

Essas leituras para o viajante são os ensinamentos diretos dos guias — talvez você os considere professores, sufis, arhats, bodhisattvas — e as instruções foram adaptadas ao uso americano moderno.

Se você tiver alguma dificuldade em seguir e aplicar essas instruções, talvez queira consultar a editora sobre material de estudo adicional que aprofunde o assunto e o trate com mais detalhes.

Agora, você deve lembrar-se do estado em que um viajante no labirinto entra enquanto ainda está ligado a uma máquina biológica, bem como entre vidas nas macrodimensões não biológicas; é um estado de extrema lucidez, portanto não se preocupe se tiver dificuldade em compreender o significado do texto, pois o viajante no labirinto — com essa clareza de visão e compreensão que tudo abrange — não terá esse problema. É apenas na forma de primatas humanos que vivem nas dimensões inferiores que precisamos de notas de rodapé. E, a propósito, se você está se perguntando sobre a origem deste livro, ela vem diretamente da fonte de todos os livros. No labirinto, você perceberá — se é que perceberá alguma coisa — que todos os livros são o mesmo livro e que todos dizem a mesma coisa. Não procure por outra pessoa para culpar… Você é a fonte.

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