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Livro dos Mortos Americano – Notas sobre o Labirinto
GOLD, E. J. American Book of the Dead. Nevada: IDHHB, 2005.
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Enquanto se aparenta estar em algum lugar, tem-se a certeza de ser um viajante no labirinto, independentemente de se perceber ou não como possuidor de uma máquina biológica.
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A experiência entre a morte e o renascimento carrega um esquecimento inesquecível e uma desintegração demolidora do ego, o que pode ser profundamente perturbador para o viajante inexperiente, destruindo qualquer conexão consciente entre uma vida e outra.
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A atenção do viajante está concebida para atravessar muitos corpos diferentes em muitos tempos e condições diferentes.
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Quando a atenção é despedaçada pela abrupta ruptura das transições macrodimensionais, isso só pode ser atribuído ao fato de o viajante não ter se familiarizado com a navegação labiríntica quando teve a oportunidade.
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Toda essa navegação labiríntica é simplesmente uma isca para levar à autolibertação por meio desse ou de qualquer outro processo que se desenvolva.
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Muitas culturas, exceto a cultura pós-nativa-americana, sempre foram bem informadas sobre o estado entre vidas, e muitos viajantes alcançaram facilmente a libertação ao atravessar a transição terminal com uma atenção desperta, algo que só pode ser conquistado durante o tempo de vida.
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Se é tão fácil, poder-se-ia perguntar por que nem todos o fazem: como a maioria das coisas, fazê-lo exige efetivamente fazê-lo, e para a maioria das pessoas é como ir ao dentista, adiado até que a dor se torne insuportável, momento em que já é tarde demais para fazer qualquer coisa além de aguentar até ser lançado novamente em um novo corpo biológico.
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Uma vez aprendida a navegação, ela nunca se esquece, como acontece com andar de bicicleta, podendo ser retomada anos depois como se fosse ontem.
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Ao navegar pelo labirinto na seção entre vidas, é indispensável ter auxílio, permanecendo desperto e alerta, com a atenção plena e autossuficiente.
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O leitor permanece fiel a esse propósito, guiando o viajante pelos choques das transições macrodimensionais abruptas, para que possa atingir o estado mais elevado possível.
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O método apresentado visa a uma vida expandida não para o entretenimento com a imortalidade, que os seres humanos já possuem da pior forma possível, sendo imortais no sentido da existência permanente dentro de um quadro temporal no descontinuum espaço-tempo da criação, mas exclusivamente para o aperfeiçoamento do eu, em auxílio à Grande Obra, cujo objetivo é a libertação e o despertar de algo muito superior a si mesmo.
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Uma resposta comum a esse ensinamento é questionar por que se preocupar com algo que não está aqui e agora: antes de tudo, é imperativo compreender que não existe sequer uma palavra na língua para descrever o estado entre a morte e o nascimento, nem para o próprio estado em si.
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Embora existam palavras para as demais partes da realidade, a saber, nascimento, vida e morte, uma das quatro partes da realidade permanece ocultada ou ignorada na consciência comum do ocidental.
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O fato de essa parte necessária da vida ter sido totalmente ocultada na consciência ocidental está relacionado ao fato de a própria vida ter sido mal compreendida, pois se se reconhecesse que se vive em um labirinto multidimensional, reconhecer-se-ia também que ele se estende em todas as direções, não apenas nas quatro dimensões menores que se chama de espaço e tempo.
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O labirinto não surge do nada para que alguém se perca algumas vezes e ande em círculos: está-se sempre no labirinto, e é por isso que se precisa ou de um livro dos mortos como guia, ou de um guia vivo.
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O livro tem suas limitações e desvantagens, mas é reconhecidamente muito menos dispendioso, em qualquer sentido ordinário da palavra, do que a alternativa ambulatória.
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