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Sentidos Ocultos – Introdução

Hidden Meanings and Picture-form Language in the Writings of G.I. Gurdjieff

  • O autor dirige agradecimento e antecipada desculpa a quem adquiriu o livro com dinheiro próprio ou herdado, entrelaçando o apotegma do Mullah Nassr Eddin com a expressão “Baby needs new shoes”.
    • A saudação “You are welcome” conecta o dito popular ao apotegma do Mullah mencionado anteriormente.
    • A expressão “Baby needs new shoes” é apresentada como portadora de múltiplos sentidos a serem desdobrados.
  • Uma das leituras possíveis de “Baby needs new shoes” é a de que o autor, como qualquer pessoa, tem contas a pagar, embora prefira a imagem de uma amante com os famosos “Seios de uma Virgem” da fama de Akhaldan, que deseja um novo adorno como um colar de Buda.
    • A “amante” é descrita como relativamente nova e associada à fama de Akhaldan.
    • O “sapato” é reinterpretado como um acessório desejado pela amante.
  • Outra leitura substitui o “baby” por um irmão ou irmã mais novo, ou ainda pela Essência do leitor, aquela pessoa intuitivamente pressentida no interior de cada um, jovem e cheia de desejo e esperança, negligenciada pelo desenvolvimento comum em razão de uma sociedade ignorante e sem propósito.
    • A Essência é descrita como um ser real, vivo e quase despercebido, oposto e independente do eu normal.
    • A negligência da Essência é atribuída a fatores impostos pela sociedade, não a culpa do indivíduo.
  • Existe ainda a possibilidade de que o “Baby” em questão seja o “Baby” de Gurdjieff, pois em O Arauto do Bem Vindouro Gurdjieff se refere a esse livro de modo paternalista como “meu primogênito”, “esta minha primeira criança” e “meu Primogênito-na-Terra”, e dar-lhe “sapatos novos” significaria tirá-lo do marasmo e fazê-lo correr velozmente.
    • O Arauto do Bem Vindouro é descrito como tendo estado sepultado num mausoléu de negligência.
    • A metáfora dos “sapatos de corrida” evoca uma saída vigorosa desse esquecimento.
  • A questão sobre qual dos pares de “babies” e “sapatos” o autor pretende permanece aberta, admitindo que todos os sentidos sejam tomados individual e coletivamente de forma simultânea, remetendo ao conforto de coisas novas e ao apotegma inicial do Mullah Nassr Eddin.
    • O conforto dos “sapatos novos” é deixado à experiência pessoal do leitor com novidades.
  • Para os poucos “idiotas especiais” entre os seres tricerebrais dotados da rara capacidade de reconhecer e seguir um bom conselho, a recomendação é familiarizar-se antes com todos os escritos de Gurdjieff, inclusive Relatos de Belzebu a seu Neto, o livro mais difícil de compreender já escrito, pois sem o conhecimento da linguagem pictórica de Gurdjieff certos aspectos dessa obra são incompreensíveis, algo que foi deliberadamente planejado por ele.
  • O que importa inicialmente é a transferência de certos “ingredientes” para o subconsciente do leitor, processo que deve ser completado antes de qualquer possibilidade de benefício substancial.
    • Esse processo é apresentado como condição prévia indispensável, não como etapa opcional.
  • Quem ainda não leu Relatos de Belzebu a seu Neto de capa a capa deve fazê-lo antes de prosseguir, combatendo o sono com leitura em voz alta, de pé ou caminhando, com café ou outros recursos, pois este livro foi especialmente preparado para aguardar e pacientemente espera até que o trabalho preparatório esteja feito.
    • A leitura em voz alta é recomendada explicitamente por Gurdjieff como leitura para o outro “eu”.
    • O livro ora apresentado é descrito como “bem treinado” para aguardar o leitor preparado.
  • Além de Relatos de Belzebu a seu Neto, devem ser lidos Encontros com Homens Notáveis e A vida só é real quando “Eu sou”, para que o leitor esteja ao menos minimamente preparado para a linguagem pictórica de Gurdjieff, a Inculcação Ilustrativa e a instrução pessoal de um verdadeiro iniciado a outro, tal como contida nas imagens de Gurdjieff.
    • Os três títulos são apresentados como sequência preparatória necessária.
    • A instrução de iniciado a iniciado é descrita como presente nas imagens de Gurdjieff.
  • Sem essa preparação, o conteúdo do livro será no máximo informativo, entretenimento ou estimulação intelectual para quem aprecia quebra-cabeças, mas será inevitavelmente “coisa de cabeça”, inútil para o leitor, chamado de “Cookie”, e potencialmente prejudicial aos seus estudos de Gurdjieff.
    • O termo “Cookie” é usado para dirigir-se diretamente ao leitor despreparado.
    • O dano potencial é apresentado como relacionado aos estudos futuros de Gurdjieff, não apenas à leitura imediata.
  • Todos são “cookies” na mesma Grande Cozinha, em estágios variados de cozimento: alguns nunca passam da massa crua e são devolvidos à tigela ao fim do dia; outros, por acaso, entram em fornos velhos e de baixa temperatura, onde ganham solidez lentamente e com sofrimento.
    • A metáfora da cozinha estrutura uma cosmologia do desenvolvimento esseral.
    • O reaproveitamento da massa crua sugere ciclos de existência sem progresso real.
  • O leitor que entrou no “quarto canto” da cozinha, o canto de Gurdjieff, encontra ali um Mestre Cozinheiro que adiciona ingredientes secretos especiais, tornando o cookie mais saboroso para os deuses e, se o leitor fizer sua parte, as especiarias inclusas no preparo o farão sair do forno quente não como um cookie comum, mas como portador de ser subjetivado e consciência objetiva, tornando-o membro da equipe da cozinha.
    • Cookies conscientes são descritos como raros e valiosos demais para serem consumidos como simples petisco.
    • A condição de membro da equipe da cozinha é apresentada como superior à de ser devorado ou a de vagar perdido.
  • A descrição realista do destino pós-forno, embora menos agradável que fantasias ao estilo Papai Noel, é preferível a ser devorado ou a errar pela cozinha cósmica tentando fornos de toda sorte, e como membro da equipe há sempre a possibilidade de ascensão na carreira para um Ajudante de Cozinha dotado de consciência objetiva.
    • A crítica às “fantasias ao estilo Papai Noel” é implícita nas promessas espirituais comuns.
    • A carreira na cozinha é apresentada como caminho de futuro promissor.
  • A recomendação final é familiarizar-se com todos os escritos de Gurdjieff, reunindo assim ingredientes essenciais, e então retornar ao livro, que aguardará pacientemente, para que, com a ajuda de vários “velhos alunos” de Gurdjieff especialmente preparados, a porta do forno possa ser aberta.
    • Os “velhos alunos” de Gurdjieff são mencionados como participantes do processo de abertura.
    • O retorno ao livro é condicionado à conclusão da preparação prévia.
  • É permitido ler os três primeiros capítulos sem ter feito a preparação, mas não se deve ir além do capítulo intitulado “O Pensamento Oculto de Belzebu” antes de ter lido e meditado todos os livros de Gurdjieff na sequência requerida.
    • O capítulo “O Pensamento Oculto de Belzebu” marca o limite até onde o leitor despreparado pode avançar.
    • A sequência dos livros de Gurdjieff é apresentada como requisito, não como sugestão.
  • Para quem já tem boa familiaridade com o ensinamento de Gurdjieff, a sugestão é tirar os “velhos sapatos” e deixá-los na porta, pois não é possível usar dois pares ao mesmo tempo, e se os novos incomodarem é sempre possível recuperar os antigos na saída.
    • A metáfora dos sapatos velhos e novos retoma o motivo central do livro.
    • A abertura ao novo é apresentada como condição reversível, reduzindo a resistência do leitor.
  • A convocação final, em voz de lugares menos urbanizados, é para entrar e sentir-se em casa, com homens à direita e senhoras à esquerda.
    • A divisão espacial de homens à direita e senhoras à esquerda encerra a introdução com um gesto de hospitalidade ritualizada.
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