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Segal-San
Parabola V29N2
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A publicação do livro de Marielle Bancou-Segal, A Voice at the Borders of Silence: The Autobiography of William Segal, uma obra compósita que serve como biografia espiritual, carta de amor, álbum de família e abrigo para a voz de William Segal.
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O livro é descrito como uma carta de amor estendida, uma biografia espiritual, um álbum de recortes e fotos de família, um relato de viagem, um romance de formação, um ensaio de crítica de arte e um abrigo para uma voz que certamente continuará a ser ouvida.
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A obra é baseada em conversas gravadas com o falecido marido, com acréscimos da autora para preencher lacunas e fornecer perspectiva e calor humano.
A apresentação de William Segal como uma figura multifacetada, que transitou entre ensinamentos espirituais, negócios, artes e a função de conselheiro sábio.-
Era um professor habilidoso e engenhoso das ideias e práticas de Gurdjieff, estando igual e profundamente à vontade no Zen.
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Foi um empreendedor no ramo de publicações de moda, tendo feito sua primeira fortuna aos trinta e um anos.
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Atuou como um construtor de pontes entre o Japão e os Estados Unidos nos anos após a Segunda Guerra Mundial.
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Era um pintor e gravurista que aplicava os olhos de um artista a todas as coisas.
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Em seus últimos anos, tornou-se um sábio confiável a quem pessoas de várias áreas recorriam para obter conselhos.
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Seus escritos e várias entrevistas apareceram nas páginas da Parabola, onde foi um colaborador muito apreciado.
O relato do primeiro encontro com Segal em uma propriedade rural em Nova Jersey, destacando a natureza enigmática do contato inicial e a natureza das tarefas realizadas.-
O encontro ocorreu em um domingo no Franklin Farms, um centro para estudo do ensinamento de Gurdjieff.
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Segal foi visto inicialmente como um homem de meia-idade bem constituído, calvo como um monge Zen e com porte semelhante, vestido com roupas de trabalho que incluíam um colete acolchoado gasto.
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Mais tarde, Segal liderou um grupo para correr pela propriedade até um ponto elevado, onde afirmou que era o momento em que um homem pode verdadeiramente ser “o centro do mundo”.
A descrição de um experimento silencioso conduzido por Segal ao final do dia, cujo propósito permaneceu desconhecido para o narrador.-
Segal reuniu um pequeno grupo em um círculo fechado e propôs um experimento.
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O grupo permaneceu em silêncio por cerca de três minutos, até Segal relaxar e declarar que já era o suficiente.
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O narrador expressa que nunca saberá qual foi o experimento.
A dinâmica das caminhadas e conversas posteriores com Segal em Manhattan, caracterizadas por uma cadência imprevisível e uma abordagem deliberada para discussões formais.-
Adotou-se o costume de caminhar com ele alguns quarteirões até sua casa após reuniões que exploravam grandes ideias.
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Segal não caminhava como se estivesse comprometido com um horário de chegada; as paradas eram imprevisíveis, como seus insights, e íntimas, fazendo com que outros pedestres desaparecessem de vista.
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Para discussões formais, Segal enunciava o tópico como um koan mágico, um desafio para pensar e aumentar a compreensão.
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Ao desenvolver um tema, ele frequentemente se alongava em uma palavra latina vasta, como “potentiation”, que parecia capturar algum aspecto do que desejava transmitir.
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Reverenciava Mestre Eckhart, cuja complexidade era da textura de sua própria mente, ao mesmo tempo em que era pragmático em sua abordagem de grandes ideias e desafios, respeitando os limites humanos.
A profunda conexão de Segal com o Zen, cultivada por meio do estudo com D. T. Suzuki e da imersão em mosteiros no Japão, marcando-o como um “homem Zen”.-
Segal fez parte do grupo de pensadores e artistas americanos que estudaram com D. T. Suzuki após a Segunda Guerra Mundial, tornando-se amigo do grande estudioso japonês.
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Viajando ao Japão a negócios, também passava períodos em mosteiros Zen, participando da vida rigorosa de longas sessões de meditação, trabalho prático e comida frugal.
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Compartilhou esse interesse com seu amigo íntimo Paul Reps, autor de Zen Flesh, Zen Bones.
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A sabedoria de seus últimos anos era a sabedoria Zen, centrada na experiência de apenas observar, apenas ouvir, apenas sentar (shikantaza), sendo aceito pelos praticantes Zen como um deles.
A lealdade simultânea de Segal aos ensinamentos de G. I. Gurdjieff, que serviu como uma base fundamental da qual outros aspectos de sua vida se desenvolveram.-
Algo do alicerce da verdade e da experiência se formou nele graças a Gurdjieff, sendo essa a base da qual cresceram o Zen, seus negócios, arte e prazeres da vida diária.
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Embora não tenha explicitamente separado os ensinamentos, ele evocava as ideias e perspectivas de Gurdjieff com intimidade e contato quase físico, como um homem lendo em Braille.
A referência a um acidente de carro brutal em 1971 e sua profunda transformação pessoal, física e espiritual, após o período de recuperação.-
O acidente, do qual levou cerca de um ano para se recuperar, é mencionado de forma comovente em A Voice at the Borders of Silence.
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Emergiu desse período um homem diferente: fisicamente, com o rosto remontado e estranhamente belo; espiritualmente, de maneiras que dificilmente podem ser expressas.
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Seu amigo Soen Nakagawa Roshi lhe disse que um acidente vale por mil meditações.
A identificação da meditação sentada como a atividade singular que mais tipificava Segal, representando um mundo de descoberta interior que ele buscava compartilhar.-
A meditação sentada era seu mundo, um mundo sem adereços ou acessórios, onde cada pessoa pode encontrar uma vida interior de dimensão e luz desconhecidas.
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Amava esse mundo com um amor primordial e fez o possível para compartilhar seu senso de descoberta infinita do mundo interior, para que outros pudessem amá-lo por sua vez, cada um à sua maneira.
Os últimos anos de vida de Segal, marcados por encontros com amigos e alunos e a maneira como ele vivenciou o processo de morrer.-
Quando chegou a hora de morrer, ele escolheu compartilhar isso com alguns amigos e alunos, recebendo-os em sua casa envolto em cobertores em uma cadeira.
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Nas reuniões finais, ele frequentemente estava tão animado e inquisitivo quanto sempre, mas às vezes sentava-se imóvel por longos períodos com os olhos fechados, mal respirando.
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Aos noventa e seis anos, após uma conversa sobre arte, comentou que não se importava mais se vivia ou morria, parecendo ter vivido completamente e realizado mais do que pretendia.
A menção à arte de Segal, reconhecendo a influência de pintores como Rembrandt, Cézanne, Bonnard e Vuillard, bem como dos artistas Zen Sengai e Hakuin.-
Treinado como pintor na juventude, dedicou-se aos negócios e fez várias fortunas, mas nunca esqueceu sua outra vocação como pintor, retomando-a ao se aposentar dos negócios.
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Era assombrado por três, talvez quatro pintores: Rembrandt dos autorretratos, Cézanne como criador de naturezas-mortas, Bonnard e Vuillard por sua representação muda e móvel da cor.
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Estava bem ciente de Sengai e Hakuin, artistas Zen dos quais deve ter falado extensivamente com D. T. Suzuki.
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