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Au Revoir, Tout le Monde

MOORE, James. Gurdjieff: a biography. Rev. ed ed. Shaftesbury, Dorset: Element, 1999.

  • O processo de publicação de “Fragments” (FED) exigiu a obtenção do consentimento de Gurdjieff, cuja aprovação do texto sanou a longa e incerta relação com Sophie Grigorievna Ouspensky em um momento em que ambos se encontravam gravemente enfermos.
    • A necessidade de buscar permissão para publicar “Fragments” era um assunto delicado, pois uma publicação apressada poderia causar confusão sobre a proveniência de toda a Obra caso o livro de Gurdjieff não obtivesse sucesso.
    • A questão fundamental para Gurdjieff era se “Fragments” ressoava a mesma nota por ele emitida, tanto em suas oitavas mundanas quanto interiores.
    • O endosso de Gurdjieff ao livro, no qual ele expressou uma mudança de sentimento em relação a Ouspensky e declarou a exatidão do relato, concluiu a relação entre Sophie Grigorievna Ouspensky e o homem a quem ela chamava de 'X'.
  • Gurdjieff, ciente da iminente oposição da intelligentsia à publicação de seus livros, determinou-se a liderar seus pupilos e incumbiu J. G. Bennett da tarefa de redigir uma carta circular anunciando o lançamento de “Beelzebub”.
    • A expectativa era de que nem “Beelzebub” nem “Fragments” recebessem boas críticas, pois a estimativa de Gurdjieff era de que o establishment ideológico e cultural americano e inglês só poderia se opor a ele.
    • Durante um café no Child's Restaurant, Gurdjieff ordenou peremptoriamente que Bennett escrevesse uma carta, e este, sem qualquer orientação sobre tema ou tratamento, compôs uma carta circular em nome de Gurdjieff.
    • A carta, escrita sob o olhar mesmerizante de Gurdjieff, anunciava a iminente publicação de “Beelzebub” e instava cada 'adepto' a comprar uma edição de luxo para que outros pudessem receber um exemplar gratuito.
    • Após a leitura da carta, Gurdjieff nomeou três responsáveis literários para diferentes países: René Zuber para a França, Pentland para a América e Bennett para a Inglaterra.
  • A partida de Gurdjieff de Nova York em março de 1949 marcou o fim de uma longa e singular relação com os Estados Unidos, iniciada na administração Coolidge, durante a qual ele testemunhou transformações históricas e dedicou recursos financeiros a um propósito superior.
    • A viagem de Gurdjieff a bordo do Queen Mary representou um adeus à América, onde viveu desde a era Coolidge até a administração Truman, experimentando a Década de Ouro, a Lei Seca, a Crise de 1929, a Grande Depressão e o New Deal.
    • Durante esse período, Gurdjieff registrou com ironia o incremento na altura dos arranha-céus, provou bebidas, visitou Coney Island e tocou no Carnegie Hall, tudo como consequência de sua peregrinação ao Mosteiro de Sarmoung.
  • Gurdjieff retornou à Europa com uma comitiva maior do que nunca, da qual se destacavam figuras como Jeanne de Salzmann e a filha de Frank Lloyd Wright, Svetlana, que integrava um grupo de jovens mulheres por ele apelidadas de 'bezerras'.
    • Se a imaginação pudesse escolher três companheiros para a mesa de Gurdjieff no transatlântico, eles seriam Jeanne de Salzmann, Lord Pentland e Svetlana Lloyd Wright.
    • Gurdjieff aprovou a viagem da filha de Frank Lloyd Wright com um comentário sobre ter muitos filhos em mosteiros, e ela se tornou uma de suas 'bezerras', um grupo de jovens mulheres que ele planejava instruir nas Danças Sagradas.
  • Na primavera parisiense de 1949, Gurdjieff, concentrado na França, delegou Jeanne de Salzmann a Londres e passou a procurar uma propriedade menor, abandonando os planos para o Château de Voisins.
    • Uma possível intuição de que aquela era sua última primavera pode ter intensificado seus sentidos e sentimentos, embora Gurdjieff não se conformasse ao clichê romântico da estação.
    • A recusa de Gurdjieff em cruzar o Canal da Mancha para Londres não era por desdém, mas porque a França monopolizava sua atenção.
  • As excursões de Gurdjieff em seus “peek-neeks” constituíam uma universidade sobre rodas, onde a incerteza sobre os destinos e a participação dos pupilos, somada à carga frenética de provisões, criava uma tensão palpável, embora os gastos fossem feitos com liberalidade.
    • Os passeios em caravana eram marcados por uma enorme incerteza entre os pupilos quanto ao horário, ao destino e à seleção dos participantes, com lugares atribuídos de forma condicional.
    • O carregamento matinal de cestas e melancias na Rue des Colonels Rénard aumentava a tensão, até a aparição de Gurdjieff, que então gastava dinheiro liberalmente do início ao fim da viagem.
  • No solstício de verão, Gurdjieff, usando um chapéu Panamá, oscilava entre planos grandiosos de viagem e um desejo mais modesto de descanso, enquanto sua entrega de tempo e energia aos 'clientes' se intensificava, gerando tanto preocupação quanto uma busca desesperada por sua atenção.
    • Gurdjieff sugeria caprichosamente novas jornadas heroicas para Londres, América e meio-oeste americano, mas também admitia a esperança mais simples de ir a Chamonix para ouvir a água corrente e dormir.
    • Ele passava a falar a sós com quarenta 'clientes' por dia, e seu hábito de compartilhar comida e dinheiro simbolizava uma partilha ainda mais custosa de seu tempo e energia, causando remorso em alguns pupilos.
    • Apesar da preocupação de Dorothy Caruso com o desgaste de Gurdjieff, a atmosfera por ele criada levava a maioria dos 'adeptos' a rondá-lo, desesperados por uma oportunidade de fazer suas perguntas antes que ele morresse.
  • O círculo de Gurdjieff em Paris era composto principalmente por pessoas mais novas, com poucos sobreviventes de seu passado distante, pois a intensidade do momento presente e o propósito do trabalho suprimiam qualquer espaço para nostalgia.
    • A cena em Paris era tão concorrida e o propósito tão intenso que não havia espaço para nostalgia, pois para Gurdjieff os 'bons velhos tempos' eram o presente.
  • O encontro de Gurdjieff com Elizabeta Grigorievna Stjoernval, uma pupila de longa data cuja vida fora dramaticamente transformada desde os tempos do Cáucaso, ocorreu em um bufê de estação barulhento, onde a música ambiente foi por ele interrompida e ofendida.
    • Elizabeta Stjoernval, que outrora cruzara o Cáucaso setentrional a pé, vivia agora em Genebra, numa recuperação do mundano, e preparava-se para reencontrar Gurdjieff com um misto de apreensão.
    • O reencontro ocorreu em um bufê de estação, onde uma orquestra suíça tocava alto, dificultando a conversa, o que levou Gurdjieff a subornar o maître para que parasse a música, qualificando-a como masturbação e os músicos como masturbadores.
  • Nos arredores de Paris, um clima de tensão insuportável crescia entre os pupilos de Gurdjieff, que anunciava a necessidade de acelerar o ritmo devido a uma iminente partida para o Tibete ou Dieppe, uma indiferença que sugeria que o destino importava menos que o custo da viagem.
    • Gurdjieff explicava a necessidade de aceleração por precisar ir ao Tibete em um ou dois dias, e quando um discípulo confuso perguntou 'Tibete, Monsieur?' ou 'Dieppe?', Gurdjieff respondeu com um sorriso que de qualquer forma seria muito caro.
    • Por vezes, Gurdjieff renovava a intenção de ir à América, com a condição de que alguém ficasse para salvaguardar suas estatuetas, a quem ele se referia como 'coisa muito valiosa'.
  • Na sala de jantar de Gurdjieff, sua presença imponente era marcada por uma dignidade solene e uma profunda tristeza, porém ele nunca deixava de trazer comédia e de dedicar sua atenção aos pupilos, a quem se apresentava ironicamente como um 'pobre e velho professor de dança'.
    • Gurdjieff presidia suas refeições com uma presença imponente, que incluía um estômago volumoso, mas ele mesmo comparava sua estatura à de Buda, introduzindo comédia na situação.
    • Apesar da comédia, quem observasse seu rosto naquele último ano não poderia deixar de ver a soberana dignidade de uma imensa e inconsolável tristeza, mas sua atenção aos pupilos jamais vacilava.
    • Ao final de uma refeição, enquanto era servido, Gurdjieff ironizou sua própria vida, chamando-a de “rosas, rosas”, enquanto se autodenominava um “pobre e velho professor de dança”.
  • A autoavaliação de Gurdjieff sobre seu próprio nível de desenvolvimento humano era paradoxal, manifestando tanto uma humildade monumental quanto uma espantosa autoestima, esta última expressa em linguagem codificada que sugeria ser um Homem nº 7.
    • René Zuber celebrava a modéstia de Gurdjieff, considerando-o um “monstro de modéstia” em comparação com o comportamento alheio, e o próprio Gurdjieff admitiu a Edwin Wolfe que muitos homens na terra eram mais do que ele e que tinha um longo caminho a percorrer.
    • Em linguagem codificada, porém, Gurdjieff confidenciou a J. G. Bennett que podia emitir um cheque com 7 “zéros”, o que Bennett interpretou como uma calibragem de sua tipologia numérica com a gíria de ladrões, significando que ele próprio era o Homem nº 7, possuidor de conhecimento objetivo e imortal nos limites do sistema solar.
  • Apesar de seu corpo desgastado e de lutar por um “Novo Mundo” que não veria, Gurdjieff depositava suas esperanças na ação lenta e corrosiva de seu livro “Beelzebub” e na luta de seus pupilos, reagindo com alegria afetada à menção de suas ideias numa conferência internacional.
    • Gurdjieff brindou ao momento em que “Beelzebub” iniciaria sua ação lenta e corrosiva sobre o mundo mecânico, e reagiu com alegria exagerada ao saber que as ideias de Bennett na Conferência Montessori de 1949 foram captadas pelo rádio italiano.
    • Gurdjieff imaginou, com humor, que talvez o Papa tivesse ouvido e que um dia “Beelzebub” seria lido no Palácio do Papa, sugerindo até sua presença lá.
  • A atmosfera nos encontros com Gurdjieff evocava a Última Ceia, com seus discípulos confrontando a iminente perda do Mestre e as questões sobre quem trairia ou serviria seu propósito no futuro incerto que se avizinhava.
    • Um dos participantes não pôde deixar de pensar na Última Ceia, sentindo que participavam de ágapes trágicos e partilhavam o prato com um Mestre, numa situação que fazia pensar em Judas e no discípulo amado.
    • As questões sobre quem trairia ou serviria o propósito de Gurdjieff nos anos vindouros e quem compreenderia a essência de seu 'Novo Mundo' para ajudá-lo a realizá-lo pairavam no ar.
  • Com a morte iminente do Mestre, iniciava-se o processo histórico das ações humanas de seus apóstolos, cada um contribuindo segundo seu entendimento, e mesmo o papel de Judas Iscariotes era ressignificado por Gurdjieff como o de um salvador da obra de Jesus.
    • Assim que o Mestre morresse, a história começaria a registrar os atos dos seus apóstolos, cada um contribuindo conforme seu entendimento.
    • Até Jeanne de Salzmann, que aceitara o papel desgastante de São Pedro, teria que lidar com a visão herética de Gurdjieff sobre Judas Iscariotes como o melhor e mais próximo amigo de Jesus e o salvador de sua obra.
  • A última 'expedição' de Gurdjieff foi às grutas de Lascaux, onde as pinturas rupestres, que ele viu como um vestígio da Atlântida, o conectaram à linhagem dos Buscadores da Verdade, levando-o a adquirir um álbum sobre o local para Frank Lloyd Wright.
    • Gurdjieff dirigiu para o sul em direção a Lascaux, e no dia seguinte, ainda cansado e com as pernas inchadas, foi levado de carro até a entrada da gruta.
    • Diante das pinturas rupestres, as explicações científicas do folheto nada significaram para a imaginação de Gurdjieff, que viu na rocha o “imprint” da Atlântida.
  • Em setembro, Gurdjieff decidiu concentrar seus esforços na França para consolidar um centro mundial 'beelzebubiano' no hotel da estação em La Grand Paroisse, embora paradoxalmente mantivesse planos de viajar para Nova York, algo que seu estado de saúde já debilitado tornava cada vez mais improvável.
    • Gurdjieff resolveu concentrar-se na França e consolidar um centro mundial em algum castelo adequado, ao mesmo tempo que decidira viajar para Nova York.
    • Ele adquiriu um visto para os EUA e trocou contratos para comprar o hotel da estação em La Grand Paroisse, um 'castelo de pobre' com uma grande cozinha e jardim selvagem.
    • Apesar de tudo estar à disposição de Gurdjieff em La Grand Paroisse, numerosos seguidores estavam prontos para traduzir em termos concretos intenções que ele nunca poderia realizar, pois seu corpo já dava sinais de grave deterioração.
  • A deterioração da saúde de Gurdjieff tornou-se inegável, manifestando-se em bocejos, dores e uma fadiga quase insuportável que, no entanto, não o impedia de continuar a se esforçar e a guiar suas classes de Movimentos na Salle Pleyel.
    • Gurdjieff deu seu primeiro bocejo notarizado durante uma leitura, e já não conseguia disfarçar ou retardar seu declínio, confessando a Dorothy Caruso que precisava “criar o hábito da dor”.
    • Apesar da dor e da fadiga insuportáveis, que o impediam de andar, Gurdjieff ainda atravessava o estúdio da Salle Pleyel, entrando com toda a sua força no 'esforço-esseral' da classe durante o trabalho na Multiplicação.
  • A longa trajetória de Gurdjieff como transmissor de uma ciência tradicional, através do ensino das Danças Sagradas, chegou ao fim em 14 de outubro de 1949, quando ele desabou durante uma aula de Movimentos, diante de seus horrorizados pupilos.
    • Por trinta anos, desde os tempos do Mosteiro de Sarmoung, Gurdjieff provou ser um “professor de danças de templo muito bom”, e sua luta para preservar e transmitir uma ciência tradicional para uma nova era estava agora encerrada.
    • Na sexta-feira, 14 de outubro, na Salle 32, Gurdjieff apareceu em uma aula de Movimentos pela última vez e, diante de seus pupilos, colapsou.
  • Na semana seguinte ao colapso, Gurdjieff lutou contra a morte, desafiando as previsões de um corpo médico de discípulos e a dedicação exaustiva de sua jovem enfermeira, chegando a ser visto comprando bananas para os ingleses.
    • Gurdjieff lutou contra a morte apesar das previsões de seus médicos-discípulos, que se viam impotentes para tratá-lo.
    • A jovem Lise Tracol, que o enfermava dia e noite, carregava as esperanças desproporcionais de centenas de pessoas, enquanto Gurdjieff alternava entre admitir sua fragilidade e desobedecer às restrições.
    • Elizabeth Mayall ficou chocada ao vê-lo comprando bananas, com a aparência de um velho doente, com olheiras profundas e rosto escurecido.
  • A chegada da cópia prova de “Beelzebub” às mãos de Gurdjieff marcou um momento de recolhimento e aceitação de sua despedida, sugerindo a testemunhas oculares que ele considerava sua tarefa na terra como cumprida.
    • Na noite de 21 de outubro, a cópia prova de “Beelzebub” chegou das editoras, e o mito moderno de Gurdjieff, seu “soldado” para o novo mundo, estava finalmente em suas mãos.
    • Gurdjieff mostrou-se curiosamente retraído naquele momento, mantendo contato real apenas com Jeanne de Salzmann, como se tivesse terminado sua tarefa e aceito sua dispensa pelos Poderes Superiores.
  • No sábado, Gurdjieff fez seu último passeio, culminando numa terrível viagem de carro com Bennett, durante a qual sua condição física debilitada tornou a direção perigosa e ele precisou ser quase carregado de volta para casa.
    • Gurdjieff saiu de seu apartamento pela última vez e foi encontrado por Bennett sozinho e sem forças em seu café favorito.
    • A viagem de carro que se seguiu foi a mais terrível da vida de Bennett, com Gurdjieff sem forças para controlar o veículo, quase colidindo com um caminhão e incapaz de fazer curvas.
  • Nos últimos três dias de vida consciente em seu apartamento, Gurdjieff manteve seu estilo, recusando analgésicos, exigindo comidas peculiares e banindo enfermeiras idosas, enquanto o local se tornava o centro de uma comoção humana indescritível.
    • Gurdjieff aceitava injeções para o coração, mas não para a dor, pedia miolos de carneiro para comer e dispensava uma enfermeira pesarosa com a ordem de que não queria enfermeiras com mais de 20 anos.
    • O pequeno apartamento tornou-se o foco de uma comoção humana indescritível, com os mais próximos fazendo todo o possível para “segurar o forte”.
  • Na noite de 24 de outubro, Gurdjieff realizou seu último brinde aos 'Idiotas' e ouviu suas 'Músiks' pela última vez, antes que sua saúde se deteriorasse a ponto de exigir a vinda emergencial de um médico de Nova York e uma violenta tempestade abater-se sobre Paris.
    • Gurdjieff mandou colocar uma mesa de jantar em seu quarto para um último brinde aos 'Idiotas' com Armagnac e para ouvir suas 'Músiks' mais uma vez.
    • A pressão sobre Jeanne de Salzmann intensificou-se, levando-a a telefonar para o Dr. Welch em Nova York para que viesse urgentemente administrar um tratamento radical para o fígado, enquanto uma tempestade elemental sacudia Paris.
  • O diagnóstico do Dr. Welch foi de extrema gravidade, atestando a morte iminente, mas a visão de Gurdjieff andando em sua direção por um esforço de pura vontade reviveu a esperança e levou à sua internação no American Hospital em Neuilly.
    • O Dr. Welch ficou chocado com a respiração laboriosa, a cor cinzenta e a definhamento do corpo de Gurdjieff, com a “marca da morte” em seu rosto.
    • Apesar do prognóstico de que o paciente estava afundando e nunca mais andaria, Gurdjieff levantou-se e caminhou lentamente em direção ao médico, num esforço de pura vontade que reviveu a esperança.
    • Após uma rápida consulta entre o Dr. Welch e Mme de Salzmann, uma ambulância foi chamada, e Gurdjieff, vestindo pijama e fumando um cigarro, foi levado para o hospital como um príncipe real.
  • A morte de Gurdjieff no hospital ocorreu apesar do sucesso de um procedimento médico, pois seus órgãos internos estavam tão deteriorados que não havia possibilidade de recuperação, e ele enfrentou o fim com a mesma ironia e autocontrole que marcaram sua vida.
    • O tratamento para aliviar o inchaço foi bem-sucedido, mas o paciente morreu, pois o patologista do hospital constatou mais tarde que todos os órgãos internos de Gurdjieff estavam atrofiados até à função mínima.
    • Durante a punção para drenar doze litros de líquido, Gurdjieff, usando seu fez e fumando, manteve-se senhor da situação, perguntando ao médico com ironia se ele não estava cansado.
  • As últimas palavras registradas de Gurdjieff foram uma instrução a Jeanne de Salzmann sobre a necessidade primordial de preparar um núcleo de pessoas responsáveis para garantir a ação continuada de suas ideias após sua morte.
    • Gurdjieff transmitiu suas últimas instruções a Jeanne de Salzmann lenta e dolorosamente, afirmando que a coisa essencial era preparar um núcleo de pessoas capazes de responder à demanda que surgiria.
    • Ele alertou que, enquanto não houvesse um núcleo responsável, a ação das ideias não ultrapassaria um certo limiar, e que isso levaria muito tempo.
  • Nos momentos finais, Gurdjieff perdeu a fala e entrou em agitação, mas acreditava-se que, em seu último reduto de consciência, imagens de sua vida e ensinamentos passaram em revisão antes de sua morte na manhã de 29 de outubro de 1949.
    • Incapaz de falar e semi-consciente, Gurdjieff tornou-se agitado, não evitando esta última tribulação e esgotando todo o sofrimento humano.
    • Talvez, sob as pálpebras fechadas, imagens de sua vida e de seus ensinamentos flutuassem em lenta procissão: as viagens, o eneagrama, os dançarinos e os rostos dos pupilos que encontrara.
    • George Ivanovitch Gurdjieff faleceu no American Hospital em Neuilly por volta das 10h30 da manhã de sábado, 29 de outubro de 1949.
  • A morte de Gurdjieff, embora há muito prevista, foi sentida por seus pupilos como uma catástrofe primordial, dando início a um período de vigília fúnebre e ritos na capela do hospital e na catedral, onde uma qualidade notável de silêncio foi observada.
    • A notícia da morte registrou-se nos pupilos como uma catástrofe primordial, uma reversão monstruosa da natureza.
    • Uma máscara mortuária foi feita, e o corpo embalsamado ficou em um catafalco aberto na capela do hospital por quatro dias, com vigília constante e um sacerdote cantando o ofício.
    • Na quarta-feira, os grupos lotaram a Catedral Alexandre Nevski, onde a congregação permaneceu em pé por duas horas num silêncio de qualidade tão rara que foi notado como único pelos próprios sacerdotes.
  • O funeral de Gurdjieff na Catedral Ortodoxa Russa, envolto em incenso e solenidade litúrgica, levantou questões sobre a adequação de tal cerimônia para o apologistas de Beelzebub e Judas Iscariotes, e se os sacerdotes estavam à altura da situação.
    • A questão sobre se era apropriado que o apologista de Beelzebub e Judas Iscariotes fosse subsumido nas liturgias da Ortodoxia Russa, e se os sacerdotes compreendiam a situação real, permanece uma questão de opinião.
    • A oração por “repouso eterno em bendito adormecimento” foi entoada, uma noção que a religião institucional invertera, pois quem quer que fosse Gurdjieff estava, sem dúvida, lutando para despertar.
  • No dia do enterro em Avon, a longa fila de pupilos despediu-se do ícone de São Jorge, o Vitorioso, cujo auxílio se negociava com sofrimento intencional, e cada um, imerso em sua própria dor, fez promessas e contemplou o legado do “descarado buscador de Deus”.
    • A longa fila de pupilos moveu-se para beijar o ícone de São Jorge, o Vitorioso, o santo 'muito caro' de Gurdjieff, cujo auxílio só se obtinha com a moeda do sofrimento intencional.
    • Todos eles eram “idiotas” do grande mito, que, graças a Gurdjieff, tinham aspirado um senso de sua própria idiotia.
    • O cortejo fúnebre subiu a Rue des Colonels Rénard e seguiu para o Prieuré, onde Gurdjieff foi enterrado no jazigo da família em Avon, entre sua esposa e sua mãe, sob o olhar silencioso da multidão.
  • Após o enterro, Jeanne de Salzmann reuniu os pupilos seniores para afirmar que um professor como Gurdjieff não pode ser substituído, uma constatação que todos puderam compreender.
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