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XLVIII Do autor [BTG]

GURDJIEFF — Uma Crítica Objetivamente Imparcial da Vida do Homem - Relatos de Belzebu a seu Neto

Resumo da tradução inglesa de 1950

LIVRO III

XLVII O resultado inevitável do pensar imparcial [BTG] ⇒ XLVIII DO AUTOR

DESTAQUES

A variedade da individualidade humana: o coche, o cavalo e o cocheiro

A adição: as duas correntes

SUMÁRIO ANALÍTICO

- Conclusão da Primeira Série de Escritos e Enumeração das Tarefas Essenciais

Finalização, após seis anos de trabalho intenso, da primeira de três séries de livros planejadas.

- Destruição, por meio da primeira série, das falsas representações e do lixo acumulado na mentalidade humana.

- Preparação, por meio da segunda série, de novo material de construção.

- Construção, por meio da A vida é real só quando eu sou, de um novo mundo.

- Intenção de Escrever um Epílogo

Adoção da prática estabelecida de concluir uma grande empreitada com um epílogo, posfácio ou texto “do autor”.

- Releitura atenta do prefácio “O Despertar do Pensamento” para uma fusão lógica com a conclusão.

- Reflexão sobre o Capítulo Inicial e um Acidente Quase Fatal

Sensação de que o primeiro capítulo, escrito há seis anos, parece ter sido escrito há muito mais tempo.

- “A sensação do fluxo do tempo é diretamente proporcional à qualidade e quantidade do fluxo de pensamentos”.

- Recordação do estado de saúde debilitado durante a escrita, devido a um grave acidente de automóvel.

- “Choque e colisão” a toda velocidade contra uma árvore na estrada entre Paris e Fontainebleau.

- Resiliência do Espírito Perante a Adversidade Física

Adição sobre a satisfação interior ao observar o sorriso específico dos representantes da ciência exata.

- Corpo severamente ferido, descrito como “um pedaço de carne viva numa cama limpa”.

- Espírito corretamente disciplinado não deprimido, mas com poder intensificado pela excitação prévia e pela decepção com pessoas e ideais.

- Referência ao mandamento incutido na infância: “o mais alto objetivo e sentido da vida humana é o esforço para atingir o bem-estar do próximo”, possível apenas pela “renúncia consciente de si mesmo”.

- Decisão de Anexar uma Palestra como Conclusão

Decisão, após releitura do capítulo inicial e recordação dos textos seguintes, de não escrever conteúdo adicional.

- Decisão de anexar a primeira de várias palestras lidas publicamente durante a existência da instituição fundada pelo autor.

- A instituição fundada sob o nome de “Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem”.

- Liquidação do Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem

Declaração categórica de que a instituição foi liquidada completamente e para sempre.

- Decisão tomada por impulso de pesar e desânimo, para evitar uma catástrofe futura.

- Reflexão, três meses após o acidente, sobre a impossibilidade de manter a instituição sem pessoas reais e sem os meios materiais necessários.

- Risco de o resultado ser, para o autor na velhice e para outros dependentes, uma “vegetação”.

- Sobre a Palestra Escolhida e os Pupilos que se Transviaram

Palestra lida por “pupilos de primeira classe” que posteriormente revelaram predisposição para a psique Hasnamussiana.

- Descrição desses pupilos que, no momento de crise, “tremendo por suas peles”, desertaram do trabalho comum.

- Indivíduos que, “com o rabo entre as pernas”, retiraram-se para suas tocas e abriram “barracas de mascate” para fabricar “candidatos a manicômios”.

- Razões para Anexar Esta Palestra em Particular

Primeira razão: a palestra foi preparada como introdução ou limiar para toda a série subsequente de palestras.

- A soma das palestras tornava possível clarificar a necessidade e a possibilidade de atualizar as verdades imutáveis estabelecidas pelo autor.

- Segunda razão: durante a última leitura pública, o autor fez um acréscimo que corresponde ao pensamento oculto introduzido pelo próprio Sr. Belzebu no seu “acorde final”.

- O acréscimo ilumina “esta máxima verdade objetiva” e permite ao leitor percebê-la e assimilá-la como convém a um ser que afirma ser “imagem de Deus”.

- Palestra Número Um — A Variedade, Segundo a Lei, das Manifestações da Individualidade Humana

A individualidade de todo homem, ao início da vida responsável, deve consistir em quatro personalidades distintas.

- Primeira personalidade: a totalidade do funcionamento automático próprio do homem e dos animais, erroneamente chamada de “consciência” ou “mentalização”.

- Segunda personalidade: a soma dos resultados dos dados depositados através dos seis órgãos receptores de vibrações qualificadas.

- Terceira personalidade: o funcionamento primário do organismo e as manifestações motoras-reflexas-recíprocas.

- Quarta personalidade: a manifestação da totalidade dos resultados do funcionamento automatizado das três primeiras, chamada de “Eu”.

- Estrutura e Educação das Partes do Homem

Cada uma das três primeiras partes tem uma “localização-centro-de-gravidade” independente para a sua espiritualização e manifestação.

- É indispensável uma educação especial e correta para cada uma dessas três partes, e não o tratamento atualmente chamado de “educação”.

- Só então o “Eu” que deveria estar num homem pode ser o seu próprio “Eu”.

- A Necessidade de Desenvolvimento Harmonioso

A presença comum de todo homem, especialmente daquele que aspira ser “intelligentsia”, deve consistir nas quatro personalidades plenamente determinadas.

- Cada personalidade deve ser desenvolvida de forma correspondente para garantir que as suas manifestações harmonizem umas com as outras.

- Analogia entre o Homem e um Coche

Um homem como um todo é comparável a uma organização de transporte composta por coche, cavalo e cocheiro.

- O corpo do homem corresponde ao coche.

- As funções e manifestações do sentimento correspondem ao cavalo.

- A consciência ou mentalização corresponde ao cocheiro.

- O “Eu” corresponde ao passageiro no coche.

- A diferença entre um homem real e um pseudo-homem está no passageiro: no homem real, é o dono do coche; no pseudo-homem, é um transeunte qualquer.

- O Mal Fundamental entre os Contemporâneos

A quarta personalidade (o “Eu”) está totalmente ausente na maioria das pessoas ao atingirem a idade responsável.

- As pessoas consistem apenas nas três primeiras partes, formadas de forma arbitrária.

- O homem contemporâneo é como um “coche de aluguel” composta por: uma carruagem velha e avariada, um cavalo fracote e um cocheiro andrajoso, semi-dormindo e semi-ébrio.

- Caracterização do Cocheiro (Mentalização)

O cocheiro é um tipo “cocheiro de aluguel” (cabby), não totalmente analfabeto, mas ignorante e pretensioso.

- “Corria com os corvos mas foi ultrapassado pelos pavões”.

- Considera-se competente em religião, política e sociologia; argumenta com os iguais, ensina os inferiores e é servil com os superiores.

- Fraquezas: perseguir cozinheiras e empregadas, comer e beber copiosamente, e sonhar acordado.

- Para gratificar essas fraquezas, rouba parte do dinheiro destinado à alimentação do cavalo.

- Aprendeu a ser astuto, a lisonjear e a mentir para obter gorjetas.

- Caracterização do Cavalo (Sentimento)

O cavalo, devido à negligência e maus-tratos durante a sua formação, é como se estivesse trancado dentro de si mesmo.

- A sua “vida interior” é conduzida para dentro, e para manifestações externas só tem inércia.

- Nunca recebeu educação especial, sendo moldado apenas por surras e insultos.

- As suas inclinações concentram-se em comida, bebida e o anseio automático pelo sexo oposto.

- Não compreende porque deve fazer algo, cumprindo as suas obrigações por inércia e medo de mais surras.

- Caracterização da Carruagem (Corpo)

A carruagem, feita de vários materiais e de construção complicada, foi projetada para andar em caminhos secundários.

- O princípio da sua lubrificação foi concebido para que a graxa se espalhasse com os solavancos desses caminhos.

- Agora, a carruagem viaja em estradas asfaltadas e niveladas, onde não há solavancos, levando a uma lubrificação não uniforme e à ferrugem de algumas partes.

- O cocheiro não sabe lubrificá-la corretamente, e quando a carruagem tem de ir por um caminho secundário, avaria-se.

- Reparar a carruagem pode exigir desmontá-la toda, limpar as peças e, por vezes, substituir uma peça, o que pode ser mais caro que uma carruagem nova.

- Aplicação da Analogia à Organização do Homem

Tudo o que foi dito sobre as partes separadas de uma cocheira de aluguel aplica-se plenamente à organização geral da presença comum do homem.

- O homem contemporâneo é um algo confuso e extremamente ridículo, comparável a uma carruagem elegante puxada por um cavalo miserável, com um cocheiro desmazelado usando um cartola nova e um crisântemo na lapela.

- Falta de Formação e Entendimento Mútuo entre as Partes

As três partes formadas no homem começam a “viver” e a fixar-se nas suas manifestações específicas separadamente umas das outras.

- Nunca foram treinadas para a manutenção recíproca, assistência recíproca ou entendimento recíproco.

- Quando são necessárias manifestações concertadas, estas não aparecem.

- O cocheiro (mentalização) pode, até certo ponto, explicar os seus desejos e entender os outros, graças ao sistema de educação baseado na repetição de palavras.

- O cavalo (sentimento), ignorado e maltratado, não adquire nada correspondente à psique do cocheiro, nem aprende as suas formas de relação.

- Não se estabelece contacto entre eles para se entenderem.

- Conexões entre as Partes e a sua Ineficácia

O corpo está ligado à organização do sentimento pelo sangue.

- A organização do sentimento está ligada à organização da mentalização pelo Hanbledzoin, a substância que surge a partir de esforços de ser intencionais.

- O sistema de educação errado levou a que o cocheiro (mentalização) deixasse de ter qualquer efeito sobre o cavalo (sentimento), exceto transmitir três ideias: direita, esquerda e para.

- As rédeas (conexões) são ineficazes, pois mudam com as condições atmosféricas (incham com a chuva, etc.).

- O mesmo ocorre na organização do homem quando a “densidade e o tempo” do Hanbledzoin mudam, e os pensamentos perdem a possibilidade de afetar a organização do sentimento.

- Resumo e a Necessidade de ter um “Eu” Próprio

É necessário reconhecer que todo o homem deve esforçar-se por ter o seu próprio “Eu”.

- Caso contrário, será sempre uma cocheira de aluguel na qual qualquer passageiro pode sentar-se e dispor como lhe aprouver.

- O Objetivo do Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem

O Instituto, organizado segundo o sistema do Sr. Gurdjieff, tem como tarefas fundamentais:

Educar correspondentemente cada uma das personalidades independentes separadamente, bem como na sua relação recíproca geral.

- Gerar e fomentar em cada aluno o que todo o portador do nome de “homem sem aspas” deve ter: o seu próprio “Eu”.

- Definição Científica da Diferença entre Homem Genuíno e Homem com Aspas

Citação do Sr. Gurdjieff: “Para a definição de homem, considerado do nosso ponto de vista, nem o conhecimento anatômico, nem fisiológico, nem psicológico contemporâneo dos seus sintomas nos pode auxiliar”.

- Definição: “O homem é um ser que pode 'fazer', e 'fazer' significa agir conscientemente e por iniciativa própria”.

- Esta definição é considerada a mais completa e exaustiva.

- A Incapacidade do Homem Contemporâneo para “Fazer”

Questiona-se se um homem, produto da educação e civilização contemporâneas, pode fazer algo conscientemente e pela sua própria vontade.

- Resposta: Não.

- Razão: “Tudo sem exceção, do princípio ao fim, faz-se a si mesmo no homem contemporâneo, e não há nada que um homem contemporâneo faça a si mesmo”.

- Esta afirmação coincide com o que diz a “ciência exata-positiva” contemporânea: o homem é um organismo complexo que reage de forma complexa a impressões externas.

- O Homem como Máquina e a Ausência de Vontade Real

Segundo as ideias do Sr. Gurdjieff, o homem médio é incapaz da mais pequena ação ou palavra independente ou espontânea.

- O homem é uma “máquina transformadora”, uma “estação transmissora de forças”.

- O homem difere dos animais apenas pela maior complexidade das suas reações e pela sua construção mais complexa.

- O Sr. Gurdjieff nega completamente a possibilidade de existência de “vontade” na presença comum do homem médio.

- O que as pessoas chamam de vontade é exclusivamente a resultante de desejos.

- A vontade real é um sinal de um grau de Ser muito elevado e só pertence àqueles que podem “fazer”.

- Todas as outras pessoas são autômatos, máquinas ou brinquedos mecânicos movidos por forças externas.

- Descrição Pictórica da Ausência de Vontade

Passagem de outra palestra do Sr. Gurdjieff, descrevendo um homem de posses, cultura e reputação de grande vontade.

- Narrativa de um dia deste homem, mostrando como o seu estado de espírito e ações são totalmente influenciados por pequenos acontecimentos externos (escova que cai, espelho partido, criado que se esquece do jornal, mulher loira que o elogia, carta lisonjeira, etc.).

- Conclusão: “Poderia continuar este quadro do seu dia — homem livre!”.

- “Talvez pense que estou a exagerar? Não, é uma fotografia exata da natureza”.

- A Ilusão da Vontade e a Formação da Personalidade

Citação de outra “palestra-conversacional” do Sr. Gurdjieff.

- “Um homem vem ao mundo como uma folha de papel limpa, que imediatamente todos à sua volta começam a sujar” com educação, moralidade, conhecimento, noções de dever, honra, consciência, etc.

- A folha de papel suja (a personalidade) é considerada mérito, e o homem próprio passa a vê-la como tal.

- “E assim tem um modelo do que chamamos um homem, ao qual frequentemente se acrescentam palavras como 'talento' e 'gênio'”.

- “O homem comum não é livre nas suas manifestações, na sua vida, nos seus humores”.

- “Não pode ser o que gostaria de ser; e o que considera ser, não é isso”.

- A Dignidade do Nome “Homem” e a Necessidade de Auto-Conhecimento

“Homem — quão poderoso soa! O próprio nome 'homem' significa 'o ápice da Criação'”.

- Para ter o direito ao nome de “homem”, é preciso sê-lo.

- Para sê-lo, é necessário trabalhar, com persistência incansável e desejo inesgotável, num “conhecimento abrangente de si mesmo”.

- É necessário lutar incessantemente com as suas fraquezas subjetivas e, posteriormente, erradicá-las sem piedade para consigo mesmo.

- O Homem Contemporâneo como Mecanismo de Corda

Falando francamente, o homem contemporâneo não é mais do que um “mecanismo de corda”, embora de construção muito complexa.

- O homem deve pensar profundamente sobre a sua mecanicidade para apreciar o seu significado para a sua vida e para o sentido da sua existência.

- A Necessidade de Auto-Observação Correta

O melhor objeto de estudo para a mecanicidade humana é o próprio homem.

- Estudar e compreender a mecanicidade só é possível através de uma “auto-observação corretamente conduzida”.

- É necessário um aviso: a auto-observação não é tão simples quanto parece e pode ter consequências maléficas se feita sem conhecimento adequado.

- Condições para uma Auto-Observação Correta

Primeira condição: o homem deve decidir, de uma vez por todas, ser sincero consigo mesmo, não fechar os olhos a nada, não evitar nenhum resultado, não temer inferências e não se limitar por limites autoimpostos.

- É necessária grande coragem para aceitar as inferências obtidas e não desanimar, pois podem “perturbar” todas as convicções e crenças anteriores.

- Resultados da Auto-Observação Correta

O homem convencer-se-á da sua “completa impotência e desamparo perante literalmente tudo à sua volta”.

- “Tudo o governa, tudo o dirige. Ele não governa nem dirige coisa alguma”.

- A sua vida não é mais do que “um reagir cego” a atrações e repulsas.

- Verá como as suas visões do mundo, caráter, gosto, etc., são moldadas e como a sua individualidade foi formada.

- A Necessidade de uma Linguagem Correta

Segunda condição: é necessário estabelecer uma “linguagem” correta, pois a linguagem contemporânea é inadequada para elucidações exatas.

- As palavras da linguagem contemporânea transmitem noções indefinidas e relativas, sendo percebidas “elasticamente” pelas pessoas médias.

- A Degradação da Linguagem e da Comunicação

A anormalidade da linguagem deve-se ao sistema anormal de educação, baseado em fazer os jovens “decorar” palavras, diferenciadas apenas pela consonância e não pelo significado real.

- Resultado: perda da capacidade de refletir sobre o que se fala e sobre o que é dito.

- As pessoas são obrigadas a inventar sempre mais palavras, levando a que cada um dê um significado subjetivo às palavras.

- Na conversação, as pessoas dão significados diferentes à mesma palavra, por vezes contraditórios.

- Para um observador imparcial, a conversa é percebida como “cacofonia-fantástica-sem-sentido”.

- As pessoas imaginam que se compreendem, mas nunca compreendem as mesmas noções pelas mesmas palavras.

- Exemplo da Palavra “Mundo”

A palavra “mundo” é usada frequentemente, mas não carrega uma noção exata para a maioria.

- Diferentes pessoas (astrônomo, físico, filósofo, religioso, espiritualista, teosofista) dariam definições completamente diferentes para a palavra.

- Nenhum homem contemporâneo seria capaz de oferecer uma noção definida e exata do significado real da palavra “mundo”.

- A Vida Psíquica do Homem Médio como Contacto Automatizado

Toda a vida psíquica interior do homem médio não é mais do que um “contacto automatizado” de duas ou três séries de associações previamente percebidas.

- As impressões são registradas em “aparelhos” no homem, semelhantes a “discos de fonógrafo” de cera limpa.

- Cada impressão é inscrita em vários lugares e em várias “bobines”, e é preservada inalterada.

- A “memória” é a repetição de impressões previamente percebidas, que entram no campo de atenção do homem.

- A Memória do Homem Médio versus a Memória do Homem Real

A memória do homem médio é uma adaptação muito imperfeita, permitindo-lhe utilizar apenas uma parte muito pequena do seu arquivo de impressões.

- A memória própria do homem real mantém o controlo de todas as suas impressões, sem exceção.

- Experiências mostram que, em estados definidos (como um certo estágio de hipnotismo), um homem pode recordar todos os pormenores de tudo o que lhe aconteceu, mesmo dos primeiros dias de vida.

- Interrupção e Adição do Palestrante

O orador interrompe a leitura da palestra e considera oportuno fazer uma adição.

- O Homem Comum como Escravo Inconsciente

O homem comum médio é um “escravo inconsciente de todo o serviço universal” a propósitos alheios à sua própria individualidade.

- Pode viver todos os seus anos como é e, como tal, ser destruído para sempre.

- A Possibilidade de Libertação e Trabalho para Si Mesmo

A Grande Natureza deu ao homem a possibilidade de, servindo os propósitos universais, trabalhar também para si mesmo, para a sua própria individualidade egoísta.

- Esta libertação é possível, mas difícil de alcançar, dependendo de razões como a hereditariedade e as condições de formação.

- A Dificuldade da Libertação e o Órgão Kundabuffer

A principal dificuldade consiste em obter, por iniciativa e persistência próprias, a erradicação das consequências fixadas do órgão Kundabuffer.

- É necessário explicar este órgão e as suas consequências.

- Explicação do Órgão Kundabuffer e das suas Consequências

A Grande Natureza, por razões importantes, colocou nos nossos antepassados remotos um órgão cujas propriedades os protegiam de ver e sentir a realidade como ela é.

- O órgão foi posteriormente “removido”, mas, devido à lei cósmica da “assimilação dos resultados de atos frequentemente repetidos”, uma predisposição para as suas consequências foi transmitida por hereditariedade.

- Os descendentes, sob condições de vida anormais, assimilaram essas consequências, que adquiriram manifestações semelhantes às dos antepassados.

- Exemplo da Incapacidade de Sentir a Própria Morte

Um exemplo da manifestação dessas consequências: um homem não pode “experienciar” conscientemente o processo da sua própria morte.

- Pode imaginar a morte de outros, mas não a sua própria de forma real e profunda.

- Se um homem contemplasse claramente a inevitabilidade da sua própria morte, isso seria aterrorizante e poderia levá-lo ao desespero.

- A Função das Consequências do Kundabuffer

As consequências impedem a maioria dos homens contemporâneos de ter a cognição de “terrores genuínos”, como o da sua própria morte.

- Isso permite-lhes existir pacificamente, servindo inconscientemente os objetivos imediatos da Natureza.

- Para se aquietarem, inventam explicações fantásticas para o que realmente sentem ou não sentem.

- A Falácia da Vontade Humana como Explicação

Se a questão da incapacidade de sentir terrores se tornasse premente, as pessoas atribuiriam a causa à sua “vontade”.

- Contudo, essa suposta vontade não nos protege de pequenos medos, como o de um rato a passar pelo corpo na cama.

- É impossível explicar esta contradição pela ação da famosa vontade humana.

- A Permissão da Natureza para os “Terrores Infantis”

Considerada abertamente, torna-se evidente que estes terrores são permitidos pela Natureza na medida necessária para o processo da nossa existência ordinária.

- Sem estas “picadas de pulga” (que nos parecem “terrores sem precedentes”), não teríamos experiências de alegria, tristeza, esperança, desilusão, etc., que nos constrangem a agir e a esforçar-nos por um objetivo.

- A Vida como Meio para Fins Cósmicos Superiores

Se o homem médio sentisse verdadeiramente a inevitabilidade da sua morte, tudo na sua vida perderia sentido.

- Para que esta questão não surja, a Grande Natureza protegeu-os, permitindo o surgimento de consequências que os impedem de perceber ou sentir a realidade.

- A Natureza adaptou-se a esta anormalidade porque as radiações dos homens, de qualidade deteriorada, exigiam um aumento da quantidade de vidas para manter o equilíbrio cósmico.

- Conclusão: “A vida em geral é dada às pessoas não para si mesmas, mas que esta vida é necessária para os referidos Fins Cósmicos Superiores”.

- A Natureza cuida da nossa vida para que flua de forma tolerável e não cesse prematuramente, tal como nós cuidamos de ovelhas e porcos para os abater mais tarde.

- A Servidão ao Propósito Comum e a Diferença entre Homens

“Há na nossa vida um certo propósito muito grande e todos devemos servir a este Grande Propósito Comum”.

- Todas as pessoas são escravas desta “Grandeza” e devem submeter-se ao que foi predestinado pela hereditariedade e pelo Ser adquirido.

- A diferença entre o “homem real” (com o seu “Eu”) e o “homem entre aspas” (sem o seu “Eu”) é que o primeiro, sendo consciente da sua escravidão, pode aplicar parte das suas manifestações para adquirir “Ser imperecível”.

- O segundo, não conhecendo a sua escravidão, serve apenas como uma coisa que, quando não é mais necessária, desaparece para sempre.

- Analogia do Rio da Vida

A vida humana em geral é comparada a um grande rio, e a vida de um homem a uma gota de água nesse rio.

- Num determinado local, o rio divide-se em dois fluxos separados (“divisão das águas”).

- Um fluxo flui para um vale mais nivelado e desagua no vasto oceano.

- O outro fluxo cai em fendas da terra e infiltra-se nas profundezas.

- As águas dos dois fluxos já não se misturam, mas aproximam-se por vezes, e gotas podem passar de um fluxo para o outro.

- Aplicação da Analogia à Vida Humana

A vida de cada homem até à idade responsável corresponde a uma gota no fluxo inicial do rio.

- A divisão das águas corresponde ao momento em que atinge a idade adulta.

- O destino subsequente de qualquer gota é determinado pelo fluxo em que entra na divisão das águas.

- Para as gotas, não há uma predeterminação separada do seu destino pessoal; um destino predeterminado é para todo o rio.

- O “Algo” que Determina o Fluxo

Este “algo”, que na presença comum de uma gota é um fator que atualiza a propriedade correspondente a um ou outro fluxo, é o “Eu” no homem.

- Um homem que tem o seu próprio “Eu” entra num dos fluxos; um homem que não o tem entra no outro.

- O Destino dos Dois Fluxos

O fluxo que desagua no oceano permite que a gota evolva para a concentração superior seguinte, através de processos como o “Pokhdalissdjancha” (ciclo).

- O fluxo que desagua nas “regiões inferiores” da Terra participa no processo de “construção involucionária” dentro do planeta, transformando-se em vapor e distribuindo-se em esferas de novos surgimentos.

- A Possibilidade de Cruzar de um Fluxo para o Outro

Para os que já atingiram a idade responsável e não adquiriram o seu “Eu”, não é ainda tarde demais.

- Investigações e experiências mostraram que a Mãe Natureza previu a possibilidade de os seres adquirirem o cerne da sua essência mesmo após o início da idade responsável.

- Esta possibilidade consiste em cruzar de um fluxo para o outro.

- A expressão “a primeira libertação do homem” refere-se a esta possibilidade de cruzar do fluxo destinado a desaparecer nas profundezas para o fluxo que desagua no oceano.

- A Morte e a Ressurreição durante a Vida

Cruzar para o outro fluxo não é fácil; é necessário um desejo constante e inesgotável e uma longa preparação.

- É necessário renunciar a todas as “bênçãos” (hábitos automaticamente adquiridos) do fluxo de vida atual.

- “É necessário tornar-se morto para o que se tornou a sua vida ordinária”.

- “É justamente desta morte que se fala em todas as religiões”.

- “Sem morte não há ressurreição”.

- Esta morte não é a morte do corpo, mas a morte do “Tirano” de onde procede a nossa escravidão nesta vida.

- Síntese Final e a Propriedade de “Refletir a Realidade de Cabeça para Baixo”

Somando tudo o que foi dito, é necessário enfatizar que todos os mal-entendidos na vida coletiva, disputas, guerras, etc., ocorrem devido a uma propriedade nas pessoas comuns: “o-refletir-da-realidade-na-sua-atenção-de-cabeça-para-baixo”.

- As experiências que inicialmente parecem terrores absolutos, mais tarde, quando recordadas, não valem “um vintém”.

- “No homem médio, os resultados da sua mentalização e sentimentos muitas vezes levam a isto, que, por assim dizer, 'uma mosca se torna um elefante e um elefante uma mosca'”.

- A Psicose de Massa e a Perda da Consciência

Esta propriedade é particularmente intensa durante eventos como guerras e revoluções, quando as pessoas caem no estado de “psicose de massa”.

- Sob a ação de histórias maléficas de lunáticos, as pessoas tornam-se vítimas e manifestam-se automaticamente.

- Durante este período, deixa de existir na sua presença comum a sagrada “consciência”.

- A Natureza já não precisa da psicose de massa para o seu equilíbrio; pelo contrário, esta obriga-a a novas adaptações.

- A Divisão Histórica da Humanidade em Dois Fluxos

Dados históricos mostram que as pessoas de épocas anteriores não se dividiam em dois fluxos de vida, mas fluíam num único rio.

- A divisão começou na época da “civilização Tikliamishiana”, que precedeu diretamente a civilização babilónica.

- Foi estabelecida uma organização da vida que só pode fluir mais ou menos toleravelmente se as pessoas estiverem divididas em mestres e escravos.

- O Compromisso: Tornar-se um Mestre Consciente

Ser mestre ou escravo é indigno do homem, mas dadas as condições fixadas, devemos aceitar um compromisso.

- O compromisso: certas pessoas devem conscientemente definir como objetivo principal adquirir os dados para se tornarem “mestres” entre os seus semelhantes.

- Não mestres no sentido de ter muitos escravos e dinheiro, mas no sentido de, através de atos objetivos e devotos para com os outros, adquirir “aquele algo” que constrange todos à sua volta a inclinar-se perante ele e a cumprir as suas ordens com reverência.

- Citando o ditado antigo: “para ser na realidade um altruísta justo e bom, é inevitavelmente necessário ser primeiro um egoísta completo”.

- Conclusão da Primeira Série e Planos para o Futuro

O autor considera a primeira série dos seus escritos terminada de uma forma que o satisfaz.

- Dá a sua palavra de que, a partir do dia seguinte, não desperdiçará “nem cinco minutos” do seu tempo nesta primeira série.

- Intenção de Descansar e Beber “Velhos Calvados”

Antes de começar a trabalhar na segunda série, o autor pretende descansar um mês, não escrevendo positivamente nada.

- Para estimular o seu organismo, fatigado ao extremo, beberá lentamente as quinze garrafas restantes de “néctar super-mais-super-celeste” chamado “Velhos Calvados”.

- Estas garrafas foram encontradas acidentalmente, enterradas numa cave, provavelmente por monges que viveram longe das tentações mundanas.

- Planos para a Segunda e Terceira Séries

Há um ou dois anos, o autor decidiu tornar apenas a primeira série geralmente acessível.

- Para a segunda série, pretende organizar leituras públicas simultâneas em vários centros grandes.

- Para a A vida é real só quando eu sou, tornar as verdades objetivas acessíveis exclusivamente a ouvintes selecionados da segunda série, de acordo com as suas instruções.

- O objetivo fundamental: provar teoricamente e, posteriormente, mostrar praticamente, que o Inferno e o Paraíso existem, “mas apenas não 'naquele mundo', mas aqui ao nosso lado na Terra”.

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