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Limiar
Parabola V25N1. The Teacher. Diálogo entre Marvin Barrett e William Segal.
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O limiar é uma interrupção na resposta mecânica habitual da vida, um momento em que a consciência muda e enriquece o ser de forma inesperada.
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A maioria das reações cotidianas é meramente mecânica, e raramente se percebe isso.
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A aparição do ator principal num Noh em Kyoto, ao cruzar a ponte que separa os bastidores do palco, exemplifica esse momento: o modo de andar não era o de um homem comum, mas brotava de uma relação interior, gerando uma tensão quase insuportável e elevando a atenção de toda a plateia.
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A voz do ator, o movimento lento da figura ligeiramente curvada e envolta em trajes, produzia uma vibração que falava a cada espectador, tornando impossível não estar presente a algo diferente da existência ordinária.
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O ator encarnava a imobilidade num estado de passagem entre um mundo que havia deixado e um mundo inteiramente novo.
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A imobilidade é um elemento nutridor que sustenta a elevação do ser contra o princípio negativo da deterioração mecânica e sua trajetória descendente.
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Ao tomar consciência do limiar em si, uma espécie de imobilidade aparece, trazendo consigo a percepção de que se esteve adormecido.
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Nos momentos de transição, quando se consegue aquietar o suficiente, pode raiar uma nova consciência.
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Os limiares a cruzar em direção à imobilidade incluem o reconhecimento da prevalência do sono, o despertar de uma nova consciência e uma abertura em direção a uma existência oculta.
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O presente momento é um prelúdio para um novo começo, um abismo carregado de possibilidades diante do qual se ouve um chamado.
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Ao parar, torna-se possível perceber a presença de uma energia diferente.
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O ser humano possui uma pequena margem de vontade, e dentro dessa margem pode fazer um esforço para mover-se ativamente na direção da transformação.
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Ver a realidade, incluindo o terror da existência, é o que auxilia a travessia dos limiares.
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A humanidade está diante de um limiar coletivo que exige contato com uma vibração sutil de consciência, e a incapacidade de compreender isso pode ter consequências graves.
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Sente-se cada vez mais a necessidade de uma reavaliação de valores.
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A grande natureza pode prescindir da própria Terra caso não haja compreensão suficiente por parte dos seres humanos de seu papel.
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A esperança real para o indivíduo que cruza o próximo limiar está na possibilidade de uma união com o superior e no início da compreensão do destino da espécie humana.
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O nascimento e a morte são limiares, mas é a morte que exige maior preparação, pois representa uma possível virada em nova direção.
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O nascimento ocorre sem participação ativa do indivíduo.
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Há muito a ser feito em relação à própria morte como preparo para esse limiar.
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Qualquer profissão, vocação ou trabalho feito com honestidade e atenção pode abrir a possibilidade de parar um momento e criar condições mais favoráveis para a passagem de um estado a outro.
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A sequência aprendiz, oficial e mestre em um ofício reflete uma estrutura de limiares presente na própria vida.
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Os ritos de iniciação em muitas tradições expressam uma compreensão sólida da necessidade de esforço num momento determinado, como no caso do jovem que entra na vida adulta.
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Encarar a vida como uma série de limiares instila uma atitude criativa no processo de viver, abrindo a percepção das possibilidades infinitas da existência.
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Os contos de fadas e os mitos contêm a ideia de desafio que exige o envolvimento integral do ser, com mente, sentimento e corpo desenvolvidos, pois a esperteza sozinha não é suficiente.
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A noção de “felizes para sempre” contradiz o conceito de limiares, pois o ser humano é sempre chamado a enfrentar o próximo desafio.
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Hamlet é o exemplo clássico de um homem paralisado num limiar pela incapacidade de agir no momento certo.
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Olhar para trás é perigoso, pois a essência do limiar é estar aqui e agora, sem se projetar para o futuro nem se prender ao passado.
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Em cada segundo existem infinitos fragmentos de tempo nos quais se passa de uma experiência a outra, quase sem perceber o movimento que ocorre.
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A questão do tempo é central: saber quando agir e quando se abster é parte da sabedoria do limiar.
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Existem limiares falsos e negativos que podem ser confundidos com limiares verdadeiros, levando à paralisia ou à ilusão.
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A vida cotidiana está repleta de chamados enganosos que reativam apenas associações do passado em vez de abrir passagens reais.
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Alguns limiares são becos sem saída que conduzem à estagnação e ao engano.
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O risco de ser sobrecarregado pela multiplicidade de oportunidades é real, e por isso cada limiar deve ser tratado com seriedade.
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Quando uma porta parece se abrir com a sensação de que pode não permanecer aberta por muito tempo, a tarefa é trazer o ser ao fazer, ou seja, unir presença interior e ação concreta.
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