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Por que dormes, ó Senhor?
Parabola V7N1 Sleep. Entrevista.
Desperta, por que te abates, ó Senhor? Levanta-te, não nos rejeites para sempre (Salmo 44:23)
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O sono é apresentado como lei universal que rege até mesmo a Criação divina, sendo a alternância entre dormir e despertar condição necessária para a existência de qualquer mundo.
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Nas Leis de Manu, da Índia védica: quando o divino desperta, o mundo se agita; quando adormece, o universo afunda no sono.
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Vishnu repousa sobre a serpente cósmica Ananta (“sem fim”) cada vez que o mundo é suspenso ou reabsorvido.
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As Manvantaras (criações e destruições do mundo) se repetem incontáveis vezes, como em brincadeira, pelo Criador.
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A questão do sono divino abre para a possibilidade de que o mundo inteiro seja um sonho, e o despertar verdadeiro revela apenas Deus como única realidade.
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As ondas surgem na superfície, mas tudo é água, a mesma água; despertar é ver isso.
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Os Upanishads descrevem quatro estados do ser, dos quais o sono profundo sem sonhos ocupa posição privilegiada como fonte de cognição plena e bem-aventurança.
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Os quatro estados são: vigília (jagarita-sthana), sonho (svapna-sthana), sono profundo (sushupta-sthana) e o quarto estado superconsciente (turiya), o próprio Ser (Atman).
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A Mandukya Upanishad define o sono profundo como o estado em que não há desejo nem sonho algum.
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A Brihad-Aranyaka Upanishad compara o ser que mergulha no sono profundo a uma águia que, exausta, recolhe as asas e pousa no ninho.
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A Chandogya Upanishad afirma que no sono profundo o ser reencontra o Atman, o imortal, o sem-medo, o Brahma.
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Tradições ocidentais e orientais convergem ao valorizar o sono como estado propício à contemplação, à visão interior e à aproximação do divino.
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Chuang Tzu escreveu que, no sono, a alma não distraída é absorvida na unidade; acordada, vê os seres separados.
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Bernardo de Claraval louva o “vitalis vigilque sopor”, sono vivo e vigilante, que ilumina os sentidos interiores.
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Al-Ghazzali considerou o sono a analogia mais próxima da visão profética acessível a todos os homens.
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Paracelso refere-se a espíritos inatos no homem que trabalham durante o sono pela Luz da Natureza.
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Avicena evoca a pomba (alma) que, no sono, contempla o que os olhos acordados não podem ver.
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A aspiração mística ao sono como estado superior exige exame rigoroso, pois pode encobrir uma regressão ao útero materno e uma recusa primitiva de enfrentar a existência.
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Fray Francisco de Osuna descreve os que adormecem nos braços do Amado, com o sono valendo tanto quanto a oração.
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O professor Alfred Tomatis, em Liberation d'Oedipe, explica que o recém-nascido, inundado de luz ao nascer, refugia-se no sono como fuga da condição presente e retorno à existência fetal.
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Os limites fisiológicos do sono são frequentemente ultrapassados por uma intenção arcaicamente enraizada de fugir do presente a ponto de não ser.
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O estado de vigília habitual é, ele próprio, uma forma de sono, e o verdadeiro despertar exige reconhecimento da própria ausência de presença consciente.
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Montaigne afirma que a vida é um sonho: dormindo estamos acordados, acordados estamos dormindo.
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O caminho budista em direção ao despertar oferece um modelo de concentração e esforço progressivo como via de saída do sono existencial.
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Buda, da raiz budh (despertar), designa o Desperto, aquele que atinge a realização espiritual.
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O Majjhimanikaya descreve o caminho pelo qual, pela intensidade, constância e concentração da vontade, da energia, do espírito, da investigação e do espírito heroico, alcança-se a liberação e o despertar.
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O verdadeiro despertar não é conquista de algo novo, mas reconhecimento do que sempre esteve presente, exigindo do homem a aceitação consciente de seu papel no mistério da existência.
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Gurdjieff formula: “A vida é real somente quando 'Eu sou'”, o que implica que o que chamamos de vida e de eu são totalmente irreais.
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O aforismo citado diz: um homem pode nascer, mas para nascer deve primeiro morrer, e para morrer deve primeiro despertar.
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As potencialidades adormecidas nunca desaparecem e testemunham a presença sagrada, o deus adormecido interior.
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