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Homem Invisível, Tarefa Impossível

WEBB, James. The harmonious circle: the lives and work of G.I. Gurdjieff, P.D. Ouspensky, and their followers. Boston: Shambhala, 1987.

  • Uma jornada automobilística pela estrada Paris-Orleans na década de 1920 revela a natureza frenética da condução e a imersão dos passageiros em manuscritos sobre as opiniões de Belzebu acerca da raça humana.
    • Alexander de Salzmann identifica uma estátua de Cristo em uma colina e interpela o motorista sobre a semelhança com sua figura.
    • O condutor reage com incredulidade e desdém à comparação estabelecida pelo artista.
  • Três décadas após o evento, a morte do motorista evoca uma dualidade entre o louvor de seguidores e críticas severas que envolvem rumores sobre hipnotismo e responsabilidades por óbitos suspeitos.
    • Gurdjieff é alvo de uma cerimônia de execração publicada por um escritor católico em substituição ao obituário convencional.
    • Um autor em um periódico filosófico questiona se o indivíduo seria um avatar ou um skandalon, termo eclesiástico para emissários do demônio.
    • Um crítico racionalista nas Nouvelles Litteraires busca desmistificar o alarme ao afirmar que ele não era o diabo, mas um profeta falso e um ignorante pretensioso.
  • A invisibilidade do ser do homem se manifesta na incompreensão daqueles que o observam sob lentes redutoras.
    • Gurdjieff estabelece o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem na França em 1922, atraindo intelectuais após o caos da Revolução Russa.
    • P. D. Ouspensky promove as ideias do mestre em Londres, enquanto Katherine Mansfield falece de tuberculose nas dependências do instituto em Fontainebleau.
    • A. R. Orage permanece em Nova York para disseminar os ensinamentos após a visita sensacionalista do grupo em 1924.
    • Obras como Tudo e Todas as Coisas: Primeira Série, conhecidas como Relatos de Belzebu a seu Neto, constituem o legado deixado após sua morte em 1949.
  • A herança intelectual e prática derivada das figuras centrais expande-se globalmente sob a denominação de O Trabalho, desafiando definições acadêmicas ou religiosas tradicionais.
    • P. D. Ouspensky registra o período de convivência em sua obra Em Busca do Milagroso, publicada postumamente.
    • A controvérsia sobre o caráter e o ensinamento persiste de forma mais intensa do que durante a vida dos proponentes.
  • A compreensão da biografia exige o reconhecimento da invisibilidade como um componente intrínseco da existência do sujeito, que se apresenta mais como uma coleção de incidentes do que como uma vida contínua.
    • O biógrafo confronta a dificuldade de precisar a origem de um ser ser que foge à linearidade biográfica comum.
  • A pluralidade de papéis assumidos compõe um mosaico de imagens desconexas que variam entre o místico moscovita, o guia em zonas de guerra civil e o negociante levantino.
    • Gurdjieff é visualizado como um homem de poder, alternando entre a figura de um guru de olhos encovados em Fontainebleau e um explorador de homens envolto em cinzas de cigarro.
  • As representações externas funcionam como instantâneos fotográficos que não dependem de ordem cronológica para expressar as funções desempenhadas diante de públicos específicos.
    • O ato de tornar o sujeito histórico pode negar o propósito de seu esforço de apagar os rastros de sua própria trajetória.
    • A interpretação de eventos, como o convite a jovens para seu apartamento em Paris, varia entre a gratificação de apetites e o choque intencional contra as ilusões alheias.
  • A disciplina de representar papéis é descrita como um método para alcançar a perfeição externa sem que o interior seja afetado ou se identifique com a situação dada.
    • C. S. Nott cita um texto inédito intitulado Carta a um Dervixe para ilustrar o treinamento na arte da representação.
    • O sinal de um ser ser aperfeiçoado reside na capacidade de executar com perfeição a parte correspondente à situação externa sem nunca concordar com ela.
    • Eu finalmente alcancei um estado em que nada do exterior poderia realmente me tocar internamente; e no que diz respeito à atuação, eu me levei a tal perfeição que nunca foi sonhada pelas pessoas instruídas da antiga Babilônia para os atores no palco.
  • A técnica de representação visa o desapego interno, permitindo que o eu se liberte do papel desempenhado pelo organismo enquanto amplia sua gama de experiências.
    • O lema eu não sou isso orienta o praticante a manter a lembrança de si mesmo mesmo diante de reprimendas severas de Gurdjieff.
  • A fábula de dois amigos ilustra a ocultação do afeto sob papéis de hostilidade mútua para preservar a integridade interna contra as convenções sociais.
  • O registro histórico convencional tende a distorcer a realidade ao focar em aspectos superficiais, enquanto seres seres superiores tornam-se invisíveis por escaparem das armadilhas da seleção arbitrária.
    • P. D. Ouspensky caracteriza a história como a história do crime, priorizando o que é desprovido de importância real.
  • A invisibilidade atinge seu ápice naqueles que conviveram pessoalmente com o mestre, transformando a história do Trabalho em um organismo vivo com significados ocultos.
    • Margaret Anderson publica O Gurdjieff Desconhecido para demonstrar a impossibilidade de se capturar a essência do mestre em literatura.
    • Jean Toomer registra em notas manuscritas que, após quinze anos de contato, nunca conheceu e nunca conheceria Gurdjieff.
  • A trajetória manifesta-se como um símbolo vasto gravado na história, composto pelas interações e vidas de homens e mulheres em busca de uma origem mágica.
    • A busca na Ásia Central e os diálogos entre Orage e Katherine Mansfield formam as linhas desse glifo histórico.
    • Inumeráveis figuras como Peters e Magdalenes buscam a realidade das influências exercidas por Gurdjieff.
  • A posição do biógrafo assemelha-se à de um escriba em Alexandria que analisa interpretações complexas de ensinamentos antigos em meio ao racionalismo grego.
    • O escriba confronta as interpretações de Orígenes sobre o cristianismo, ciente das tensões com o budismo, a cabala e o hermetismo.
  • O objetivo final da disciplina proposta envolve o despertar do homem comum de seu estupor autômato para a conquista de uma identidade permanente e da vida eterna.
    • Orígenes sugere uma aspiração extraordinária que busca o controle sobre ações automáticas através de exercícios físicos, emocionais e intelectuais.
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