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Máquina Biológica Humana – Além da Melhoria
GOLD, E. J. The Human Biological Machine as a Transformational Apparatus: Talks on Transformational Psychology. Chicago: Gateways Books & Tapes, 2008.
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A maioria dos métodos psicológicos fornece um meio de alcançar o aprimoramento pessoal mudando padrões comportamentais da máquina; os métodos transformacionais reais permitem alcançar a mudança objetiva transformando o si essencial e desconsiderando completamente o efeito que se tem sobre os outros.
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No início, o trabalho se ocupa quase exclusivamente do despertar da máquina de seu sono, estado ao qual todos os seres humanos estão sujeitos no curso ordinário da vida; o trabalho mais inicial consiste em se elevar da fixação impotente da máquina em suas buscas orgânicas ordinárias.
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Mesmo um estudo superficial da situação demonstra claramente que na condição presente há total impotência para impedir que a máquina carregue consigo nessas buscas, a maioria das quais vai completamente contra os mais altos objetivos, aspirações e intenções.
A vida no mundo orgânico ensinou a ser complacente; a maioria dos métodos fornece um meio de mudar a máquina, sendo isso estritamente para pessoas interessadas no aprimoramento pessoal e no efeito que têm sobre os outros; o trabalho aqui, ao contrário, interessa-se pela mudança objetiva e consequentemente trabalha para ser mudado pela máquina.-
O que é exatamente ser mudado? O que está sendo mudado, e para que propósito último? A máquina é apenas uma espécie de fábrica que produz mudança; não se está interessado em usar a máquina como expressão da personalidade, que é de fato apenas outra parte da máquina.
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Se se compreende o valor da máquina como aparato transformacional, ocupa-se da máquina e de sua vida apenas na medida em que produz mudança nos si essenciais, em direção à própria evolução possível; embora se possa conhecer e compreender a máquina em detalhe, não se pode mudá-la diretamente, nem se deseja fazê-lo uma vez que se compreende sua função objetiva como aparato transformacional.
Antes de usar qualquer método para o despertar da máquina, deve-se reconhecer claramente que é a máquina que está adormecida, e não o si essencial, e que apenas uma máquina desperta pode produzir transformação; deve-se também perceber que ninguém pode ativar a máquina em lugar de outro; é preciso ativá-la por si mesmo.-
No início, o si essencial não pode exercer a vontade para despertar diretamente a máquina, embora possa exercer um tipo especial de vontade chamado vontade-de-atenção, que tem o efeito, ao longo de um longo período de tempo, de suavemente despertar a máquina apenas pela pressão inexorável da atenção incessante sobre ela.
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O trabalho de uma escola nos curará de uma vez por todas dessa falta de vontade, dando-nos os meios para despertar a máquina e nos fornecendo novos equipamentos para a vida.
No melhor dos casos, a máquina biológica humana deve funcionar como uma fábrica química e elétrica através da qual se passa em uma série definida de processos, entrando em uma extremidade da fábrica no que se chama nascimento, emergindo na outra extremidade durante a morte da máquina como algo bem diferente, da mesma forma que qualquer matéria-prima entraria numa fábrica e emergiria como produto acabado na outra extremidade.-
Em ambos os casos diz-se que ocorreu uma transformação: no primeiro caso, uma transformação interior extraordinária visível apenas a um observador treinado; no segundo, uma transformação ordinária visível ao olho não treinado.
Na forma humana assumem-se todos os atributos, aspectos e conhecimentos de um ser humano; se a máquina esteve morta durante a passagem por ela, ao deixá-la no fim da vida perde-se tudo, todo o conhecimento e toda a experiência acumulados.-
Se a força elétrica de transformação é ativada, o si essencial é mudado, transformado, de modo que se retém o conhecimento e os atributos de um ser humano; isso é verdade apenas se se passou através de algo vivo, algo que teve um efeito elétrico definido sobre o si essencial; se se passou através de algo morto, frio, inerte, escuro, o efeito elétrico transformacional está ausente e o si essencial emerge ao fim da vida completamente inalterado.
É um terrível desperdício da oportunidade da vida humana, um pecado genuíno, ter falhado em usar a máquina biológica humana para a própria evolução possível; a maioria das pessoas sente que está desperdiçando sua vida e em algum momento reconhece que, se realmente quisesse, poderia descobrir facilmente o verdadeiro propósito da vida humana.-
Não é um segredo particularmente bem guardado, e mesmo uma busca superficial logo revela a resposta; se se compreende que a maioria dos seres humanos de fato sabe que poderia conhecer seu propósito de existência mas nada faz a respeito, compreende-se a base do sono, que às vezes é formulado como: o segredo guarda a si mesmo.
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