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Sociedade Akhaldan

CAPÍTULO 23

De acordo com o texto da referida Teleoghinoora e com os dados de que mais tarde tomei conhecimento, pude estabelecer definitivamente, sem sombra de dúvida, que essa sábia sociedade de Akhaldan, originária do continente da Atlântida e composta por seres tricerebrais do planeta Terra, foi constituída 735 anos antes da segunda perturbação transapalniana.

Foi fundada por iniciativa de um indivíduo chamado Belcultassi, que possuía a faculdade de elevar o aperfeiçoamento da parte superior de seu ser ao Ser de um sacrossanto “Indivíduo Eterno”; e essa parte superior do mesmo habita agora no santo planeta Purgatório.

Meu esclarecimento sobre todos aqueles impulsos essenciais, internos e externos, que levaram o referido Belcultassi a fundar aquela admirável sociedade de seres tricerebrais comuns — sociedade que, em sua época, era «invejada» em todo o Universo por sua perfeição — demonstrou que, em certa ocasião em que o referido santo Indivíduo Belcultassi se encontrava entregue à contemplação, conforme é prática de todos os seres normais, e seus pensamentos se encontravam, por associação, concentrados em si mesmos, ou seja, no sentido e no objeto de sua existência, ele percebeu de repente que o processo de funcionamento de todo o seu ser não se desenrolara até então em conformidade com o indicado pela lógica saudável.

Essa constatação inesperada o comoveu tão profundamente que, desde então, dedicou-se inteiramente a reparar, a todo custo, as omissões cometidas em sua vida anterior.

Acima de tudo, decidiu alcançar, sem demora alguma, a “potência” capaz de lhe dar a força necessária para ser totalmente sincero consigo mesmo, ou seja, de conquistar e dominar aqueles impulsos que se tornaram habituais no funcionamento de sua presença comum, em virtude das muitas associações heterogêneas que se desenvolviam nele e que chegavam à sua consciência por meio de todo tipo de abalos acidentais provenientes do exterior e gerados também dentro de si mesmo, ou seja, os impulsos do “amor-próprio”, do “orgulho”, da “vaidade”, etc., etc.

E quando, após incríveis esforços “orgânicos” e “psíquicos”, como se lhes chama, alcançou seu objetivo, começou, sem qualquer consideração por esses impulsos esserais que já se tornaram inerentes à sua presença, a pensar e a recordar quais impulsos esserais haviam tomado conta de sua presença durante o período anterior a tudo isso, em que ocasiões haviam surgido e da forma como, consciente ou inconscientemente, havia reagido diante deles.

Submetendo-se assim a essa autoanálise, começou a recordar quais impulsos haviam provocado determinadas reações em suas partes espiritualizadas de forma independente, ou seja, em seu corpo, seus sentimentos e seus pensamentos, bem como o estado de sua essência durante as reações mais ou menos intensas a determinados impulsos e a forma e o momento em que, como resultado dessas reações, havia manifestado a posse consciente de seu “eu”, ou agido automaticamente, seguindo apenas a orientação do instinto.

E foi precisamente então que o portador daquele que mais tarde viria a ser o santo Indivíduo Belcultassi, relembrando dessa forma todas as suas percepções, experiências e manifestações anteriores, constatou, sem sombra de dúvida, que suas manifestações externas não correspondiam de forma alguma nem às percepções nem aos impulsos que se haviam definido em sua presença.

Posteriormente, começou a realizar novas observações igualmente sinceras a respeito das impressões provenientes do exterior e também daquelas formadas no interior de seu ser, conforme eram percebidas por sua presença comum.

E todas elas foram realizadas submetendo-as regularmente a verificações exaustivas e conscientes no que diz respeito à forma como essas impressões eram percebidas por suas diferentes partes espiritualizadas, como e em que ocasiões eram experimentadas por sua presença total e quais manifestações se transformavam em impulsos.

Essas observações exaustivas e conscientes e essas verificações imparciais acabaram por convencer Belcultassi de que algo se havia desenvolvido em sua própria presença comum de maneira muito distinta daquela aconselhada pela lógica saudável do Ser.

Como ficou claramente evidente em minhas minuciosas investigações posteriores, embora Belcultassi tivesse alcançado uma convicção inquestionável da precisão de suas observações sobre si mesmo, ele ainda duvidava, no entanto, da exatidão de suas próprias sensações e intuições, bem como da normalidade de sua própria organização psíquica.

Portanto, dedicou-se à tarefa de determinar, antes de tudo, se era normal que ele interpretasse e compreendesse tudo isso da maneira como o fazia, e não de outra forma.

Para isso, decidiu investigar a forma como isso era interpretado e percebido pelos demais. Com esse propósito, começou a interrogar seus amigos e familiares a fim de determinar, com o próprio testemunho deles, a forma como todos o interpretavam e como compreendiam suas percepções e manifestações passadas e presentes, embora, evidentemente, com toda a discrição, a fim de não ferir os impulsos antes mencionados, inerentes à natureza de todos eles, ou seja, o “amor-próprio”, o “orgulho”, etc., que não são dignos de seres tricerebrais.

Graças a essas investigações, Belcultassi conseguiu gradualmente obter total sinceridade de seus amigos e das pessoas de seu círculo de conhecidos, resultando de tudo isso que todos interpretavam e viam as coisas em si mesmos, exatamente da mesma forma que ele o fazia.

Ora bem; entre esses amigos e conhecidos de Belcultassi havia vários indivíduos extremamente sérios que ainda não eram inteiramente escravos da ação das consequências das propriedades do órgão Kundabuffer, os quais, tendo chegado ao cerne da questão, se interessaram seriamente pelo assunto, começando a verificar tudo o que lhes acontecia, ao mesmo tempo em que observavam também as manifestações dos seres que os rodeavam. Pouco tempo depois, por iniciativa do próprio Belcultassi, começaram a realizar reuniões periódicas, comunicando suas observações e constatações pessoais.

Após longas verificações, constatações e observações imparciais, todo o grupo de seres terrestres se convenceu categoricamente, por sua vez, assim como Belcultassi, de que eles não eram o que deveriam ser.

Não muito tempo depois, muitos outros indivíduos juntaram-se àquele grupo de seres terrestres.

E, algum tempo mais tarde, todos eles fundaram a sociedade conhecida pelo nome de «Sociedade dos Akhaldanos». O termo Akhaldano ou Alkhaldan (pode ser dito das duas maneiras) implica o seguinte conceito:

«O esforço para se tornar consciente do sentido e do objeto do Ser dos seres.»

Desde a fundação dessa sociedade, Belcultassi tornou-se seu líder principal, e todas as atividades posteriores empreendidas pelos membros da mesma estiveram sob sua supervisão geral.

Durante muitos anos terrestres, essa sociedade existiu com o mesmo nome, sendo seus membros, na época, designados pelo termo Sovores Akhaldanos; mas, mais tarde, quando os membros dessa sociedade, por razões de caráter geral, se dividiram em um certo número de grupos independentes, os membros dos diversos grupos passaram a se denominar de maneira diferente.

E essa divisão da sociedade em grupos ocorreu pelo seguinte motivo:

Quando finalmente se convenceram de que havia algo extremamente indesejável em suas presenças e começaram a buscar os meios possíveis para extraí-lo, a fim de se tornarem o que, de acordo com a lógica saudável, deveriam ser, em consonância com o sentido e o objetivo de sua existência, cujo esclarecimento, custe o que custasse, deveria constituir a base de todas as suas atividades, e ao passarem a executar essa tarefa decidida de antemão por sua Razão, não demorou a tornar-se evidente que, para sua realização, era absolutamente imprescindível possuir na Razão uma informação o mais detalhada possível sobre os diversos ramos do conhecimento.

Mas, como se revelou impossível que cada um deles adquirisse todos os conhecimentos especializados necessários, dividiram-se em um certo número de grupos, a fim de que cada grupo estudasse separadamente um desses ramos especializados do conhecimento.

Devo observar aqui, querido neto, que foi então a primeira vez que surgiu na Terra um objetivo autenticamente científico, desenvolvendo-se normalmente até a época da segunda grande catástrofe sofrida pelo planeta, e também que o grau de desenvolvimento de alguns de seus ramos separados progrediu certamente a um ritmo vertiginoso.

Como resultado disso, muitas das chamadas “verdades objetivas” do cosmos, grandes e pequenas, começaram gradualmente a tornar-se evidentes naquele período para o restante dos seres tricerebrais que despertaram o seu interesse.

Os sábios membros dessa primeira — e talvez última — sociedade sábia dividiram-se então em sete grupos distintos ou, como também se poderia expressar, em sete “seções independentes”, a cada uma das quais foi confiada uma tarefa precisa.

Os membros do primeiro grupo da sociedade akhaldana foram denominados Foksovores Akhaldanos, o que significava que os indivíduos pertencentes àquela seção deveriam estudar a presença de seu próprio planeta, bem como a interação de suas partes, consideradas separadamente.

Os membros da segunda seção eram chamados de Estrasovores Akhaldanos, o que significava que os indivíduos pertencentes a ela estavam encarregados de investigar o que se conhece pelo nome de “radiações” dos demais planetas daquele sistema solar, bem como a interação dessas radiações.

Os membros do terceiro grupo eram chamados de Metrosovores Akhaldanos, o que significava que seus integrantes deveriam se dedicar ao estudo daquele ramo do conhecimento semelhante ao que, em nossa ciência geral, recebe o nome de “Silkoornano”, e que correspondia, em parte, ao que seus contemporâneos favoritos chamam de “matemática”.

Os membros do quarto grupo eram chamados de Psicosovores Akhaldanos, designando esse termo àqueles encarregados de observar as percepções, experiências e manifestações de seus próprios semelhantes, verificando os dados assim obtidos por meio do uso de métodos estatísticos.

Os componentes da quinta seção eram chamados de Harnosovores Akhaldanos, o que significava que sua missão deveria consistir no estudo daquele ramo do conhecimento que abrangia, na época, os dois ramos que, na ciência contemporânea de seus favoritos, são chamados de Química e Física.

Os membros do sexto grupo eram chamados de Mitesovores Akhaldanos, ou seja, seres encarregados de estudar todo tipo de fatos provenientes do exterior, fossem eles conscientemente atualizados a partir de fora ou surgidos espontaneamente, bem como quais deles e em que casos eram percebidos erroneamente pelos seres comuns.

Quanto aos membros do sétimo e último grupo, chamavam-se Gezpoodjnisovores Akhaldanos; esses membros da sociedade Alkhaldana dedicavam-se ao estudo daquelas manifestações, na presença dos seres tricerebrais de seu planeta, que surgiam neles, não como consequência de diversas funções, provenientes de diferentes tipos de impulsos gerados a partir dos dados já presentes neles anteriormente, mas das ações cósmicas provenientes do exterior e que não dependiam deles mesmos.

Os seres tricerebrais do seu planeta favorito, que passaram a fazer parte dessa sociedade, conseguiram realizar uma aproximação eficaz ao conhecimento objetivo, algo que nunca havia sido feito antes na história terrestre e que muito possivelmente não voltará a ser feito.

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