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A trajetória eclesiástica de Bogachevsky, atualmente conhecido como Padre Evlissi e assistente do abade no mosteiro principal da Irmandade Essênia — instituição cuja fundação remonta a mil e duzentos anos antes de Cristo e onde se supõe ter ocorrido a primeira iniciação de Jesus —, iniciou-se em Kars como diácono e preceptor, caracterizando-se pela sociabilidade e pela capacidade de harmonizar convivências díspares, inclusive com personalidades rudes do clero local.
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O ambiente intelectual propiciado pelos encontros no alojamento do preceptor, frequentado por engenheiros e oficiais, serviu de catalisador para o despertar do interesse por questões abstratas, transcendendo a monotonia da vida provinciana através de debates sobre temas variados que deixaram marcas definitivas na existência subsequente.
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A investigação sobre o espiritismo e as mesas girantes, tema de interesse absorvente na época, culminou em um experimento prático realizado com uma mesa de madeira sem pregos que se moveu e respondeu a perguntas numéricas, gerando uma impressão profunda sobre a existência de campos desconhecidos que não pôde ser mitigada pela explicação cética e simplista do Deão Borsh, cuja autoridade intelectual passou a ser questionada diante da incapacidade de justificar a complexidade dos fenômenos observados.
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A verificação da validade de fenômenos premonitórios ocorreu através da coincidência exata entre as previsões de um adivinho local, considerado meio-louco, sobre o surgimento de uma enfermidade física específica e o perigo iminente de um acidente com arma de fogo, e a materialização fatídica desses eventos: o desenvolvimento de um carbúnculo no lado direito e um ferimento na perna causado por um disparo acidental durante uma caçada a patos selvagens no lago Alagheuz.
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A constatação do fenômeno inexplicável envolvendo a seita Yezidi, no qual um menino permaneceu aprisionado dentro de um círculo traçado no chão, incapaz de sair voluntariamente até que o traço fosse apagado, suscitou uma perplexidade profunda que motivou verificações experimentais posteriores, as quais confirmaram que a remoção forçada do círculo induz um estado de catalepsia recuperável apenas pelo retorno ao interior do traçado ou após um longo período de horas.
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As tentativas de compreender tais fenômenos através da consulta à intelligentsia local — composta por oficiais, professores e médicos — resultaram apenas em explicações superficiais que atribuíam os fatos a fraudes, magnetismo ou histeria, evidenciando a limitação da ciência positiva contemporânea e alimentando a insatisfação cognitiva e a curiosidade persistente sobre a verdade oculta.
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O confronto com crenças e práticas locais, como o episódio do espírito maligno gornakh que teria possuído o corpo de um tártaro recém-falecido exigindo a degola do cadáver pelos vizinhos para evitar malefícios, reforçou a percepção de um abismo entre o conhecimento teórico adquirido nos livros e a realidade aceita naturalmente por aqueles que vivem mais próximos da natureza e das tradições antigas.
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A evolução espiritual de Bogachevsky procedeu através de uma série de deslocamentos geográficos e existenciais, desde o abandono da capelania e o ingresso no monaquismo russo após desilusões conjugais, passando por peregrinações à Turquia e ao Monte Athos, até a chegada a Jerusalém, onde o contato com um vendedor de rosários da Ordem Essênia permitiu sua admissão na irmandade e subsequente ascensão hierárquica no Egito e na Palestina devido a uma vida exemplar.
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A doutrina moral transmitida por Bogachevsky estabelece uma distinção rigorosa entre a moralidade objetiva, fundada na consciência e nos mandamentos divinos, imutável e universal, e a moralidade subjetiva, conceito relativo inventado pelo homem e variável conforme as convenções de tempo e lugar.
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A relatividade da moral subjetiva é exemplificada pelas discrepâncias de costumes sociais entre diferentes culturas e, de modo mais incisivo, pela inversão de valores nos códigos de honra, onde um oficial é absolvido após mutilar um credor pobre, enquanto outro é impelido ao suicídio por não pagar uma dívida de jogo a um trapaceiro, demonstrando como as convenções sufocam a justiça real.
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A formação de um homem íntegro depende da libertação das convenções que impedem o desenvolvimento da consciência real, devendo o indivíduo guiar-se não pela opinião alheia, mas pela consciência livre e, na sua ausência temporária, pelo princípio imperativo de não fazer aos outros o que não desejaria que lhe fosse feito.
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