A Influência do Deão Borsh e a Estrutura Educacional
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O estabelecimento acidental da relação com o Deão Borsh, autoridade espiritual suprema da região de Kars, constituiu-se como um fator determinante para a formação do estrato secundário da individualidade, iniciando-se através da seleção para o coro da Catedral Militar, onde a benevolência do clérigo para com as travessuras infantis evoluiu para um interesse pedagógico ativo e direto.
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A instrução formal foi rigorosamente organizada com o auxílio de candidatos ao sacerdócio e especialistas médicos, abrangendo um currículo que integrava história, geografia, escrituras, anatomia e fisiologia, exigindo deslocamentos constantes e um esforço intenso de estudo, o qual foi absorvido graças à capacidade inata de aprendizado e ao incentivo dos mentores.
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A Concepção Integrada de Sacerdócio e Medicina
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A visão particular defendida pelo Deão sobre o sacerdócio transcendia o cuidado exclusivo das almas, postulando a inseparabilidade entre corpo e psique e a consequente necessidade de que o verdadeiro sacerdote fosse simultaneamente um médico, apto a diagnosticar e tratar as interconexões entre as enfermidades físicas e espirituais.
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Embora a inclinação natural tendesse à especialização técnica, a preparação seguiu as diretrizes duplas de medicina e teologia, fomentada por leituras extensas e conversas profundas que gradualmente dissolveram a timidez inicial e estabeleceram uma relação de igualdade intelectual e debate respeitoso sobre questões abstratas.
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A Sexualidade, a Maturidade e a Analogia do Madjar
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As instruções sobre a sexualidade enfatizavam o perigo extremo da gratificação precoce da luxúria antes da idade adulta, comparando tal ato à perda irreparável da primogenitura de Esaú ou à corrupção do suco de uva (madjar) pela adição prematura de álcool, o que resulta em vinagre e monstruosidade em vez de vinho fortificado e caráter íntegro.
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A responsabilidade pessoal pelas manifestações voluntárias e involuntárias consolida-se apenas após o término do desenvolvimento biológico, fixado pela natureza e verificado por sábios antigos entre os vinte e vinte e três anos para homens e entre quinze e dezenove para mulheres, recaindo até então a responsabilidade inteiramente sobre os tutores e pais.
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A Lei da Polaridade e a Necessidade do Tipo Oposto
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A negligência contemporânea em relação à questão sexual e à lei da polaridade resulta na irresponsabilidade de muitos adultos, os quais, constituindo em si mesmos algo incompleto, necessitam imperativamente do tipo oposto correspondente para a complementação mútua e a preservação da individualidade real.
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A ausência desse complemento leva à submissão involuntária a tipos não correspondentes e à perda das manifestações típicas da individualidade, razão pela qual se exaltam os costumes ancestrais de noivados precoces, que permitiam a harmonização guiada de hábitos, inclinações e gostos desde a infância para assegurar uma existência coletiva normal.
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Os Dez Princípios Fundamentais da Educação
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Estabelece-se um decálogo educacional rigoroso como base indispensável para que o indivíduo, na idade responsável, se torne um homem real e não um parasita, o qual prescreve a instilação desde a tenra infância de crenças e atitudes específicas:
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A certeza da punição pela desobediência e a esperança de recompensa apenas por mérito.
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O remorso de consciência pelos maus-tratos aos animais.
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O temor de entristecer pais e mestres.
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A coragem e o destemor diante de demônios, cobras e ratos.
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A alegria em contentar-se apenas com o que se possui.
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A tristeza pela perda da benevolência alheia.
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A paciência diante da dor e da fome.
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O esforço precoce para ganhar o próprio sustento.
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A Homenagem Póstuma e a Fidelidade aos Mandamentos
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A impossibilidade de prestar as últimas homenagens ao tutor no momento de sua morte é redimida anos mais tarde através da celebração de um serviço fúnebre completo sobre seu túmulo solitário e esquecido no recinto da catedral, ato que causou estranheza e comoção no clero local.
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Encerra-se o relato com a constatação da fidelidade absoluta aos mandamentos recebidos, mantidos inviolados durante toda a existência, independentemente de se ter ou não justificado plenamente os sonhos daquele que foi reverenciado como um segundo pai.
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