Gurdjieff (Encontros) – Soloviev

O Encontro com Soloviev e o Cão Philos

  • Contexto e Chegada: Em Bukhara, o encontro com Soloviev ocorreu no contexto de uma estadia focada no estudo do Islã e no contato com dervixes, hospedando-se na casa de uma judia vendedora de kvass com o fiel cão pastor curdo Philos.

    • A Inteligência de Philos: O cão Philos é descrito como dotado de uma psique rara e engenhosidade associativa, demonstrada em episódios como a recusa em comer alcachofras roubadas, a caça autônoma de pardais em Samarcanda (trazendo-os mortos após ser impedido de acompanhar o dono), e o roubo estratégico de alcachofras no mercado para agradar o dono, além de impedir a saída de estranhos do quarto na ausência deste.

  • Atividades Econômicas e Sobrevivência: A sobrevivência dependeu de expedientes como a venda de pardais pintados como “canários americanos” em Samarcanda e a fabricação de flores de papel em Bukhara, aproveitando a demanda das festividades da Páscoa judaica e cristã.

  • O Resgate de Soloviev: A amizade iniciou-se após uma briga em um salão de bilhar, onde a intervenção física salvou Soloviev, então um jovem exilado e alcoólatra, de uma surra. Levado para casa e cuidado, Soloviev revelou sua história trágica durante uma celebração improvisada de Páscoa.

A Biografia de Soloviev

  • Origens e Declínio: Soloviev provinha de uma família de comerciantes de Samara, com pai alcoólatra e mãe nobre empobrecida. A desestruturação familiar e o favoritismo materno levaram a furtos domésticos e expulsão.

    • A Queda no Vício: Apaixonado por uma artista de circo, seguiu-a até Tsaritsyn, onde a desilusão amorosa o lançou no alcoolismo e na miséria absoluta, tornando-se um pária social.

  • Tentativas de Recuperação e Recaídas: Após trabalhar em pescarias e telefonia em Baku, recuperou-se parcialmente e serviu no exército, mas a doença e o contato com um falsário polonês no hospital militar o levaram ao crime de falsificação de dinheiro e nova queda no alcoolismo e vagabundagem.

    • A Cura pelo Hipnotismo: Comovido pela franqueza de Soloviev, o amigo propôs e realizou um tratamento hipnótico que eliminou a compulsão pelo álcool, transformando-o em um assistente sóbrio e dedicado.

A Jornada ao Mosteiro da Irmandade Sarmoung

  • O Convite de Bogga-Eddin: O dervixe Bogga-Eddin facilitou o contato com um ancião da Irmandade Sarmoung, que autorizou a visita ao mosteiro secreto sob juramento de silêncio e vendas nos olhos, permitindo excepcionalmente a companhia de Soloviev.

  • A Travessia Vendada: A viagem guiada por Kara-Kirghizes envolveu doze dias de marcha com olhos vendados, exceto em momentos críticos como a travessia de pontes suspensas aterrorizantes sobre desfiladeiros profundos e o encontro com caravanas, orientando-se por monumentos de santos locais.

  • A Chegada e o Reencontro com o Príncipe: O mosteiro, situado em um vale isolado com picos nevados, revelou-se o local de refúgio do Príncipe Lubovedsky, que se recuperava de uma infecção grave. O reencontro emocionante confirmou a conexão espiritual entre os amigos.

A Vida no Mosteiro e as Danças Sagradas

  • Os Aparelhos de Ensino: No mosteiro, observaram-se aparelhos antigos de ébano e marfim, com articulações esféricas e inscrições, usados para ensinar posturas precisas às futuras sacerdotisas, correspondendo a alfabetos gestuais que transmitiam conhecimentos milenares.

    • As Danças como Livros: As danças sagradas funcionavam como livros, preservando e transmitindo verdades históricas e esotéricas através de movimentos rigorosamente executados e lidos pelos iniciados.

  • A Partida Definitiva do Príncipe: O xeque do mosteiro informou ao Príncipe que lhe restavam apenas três anos de vida, aconselhando-o a passá-los em um mosteiro no Himalaia para melhor aproveitamento espiritual. A despedida foi marcada pela aceitação serena do Príncipe e pela dor da separação definitiva.

A Expedição ao Deserto de Gobi e a Morte de Soloviev

  • O Planejamento Inovador: Integrado ao grupo “Buscadores da Verdade”, Soloviev participou de uma expedição arqueológica no deserto de Gobi para encontrar uma cidade soterrada.

    • Soluções Criativas: Diante da impossibilidade logística de transportar suprimentos, adotaram-se ideias revolucionárias: Karpenko propôs alimentar os animais com uma mistura de areia orgânica e carne dos próprios rebanhos; Sari-Ogli sugeriu o uso de pernas de pau para caminhar acima das tempestades de areia; e Yelov concebeu liteiras transportadas por ovelhas atreladas às pernas de pau.

  • A Execução e o Tragédia: A caravana disfarçada de empreendimento comercial partiu com sucesso, superando tempestades e avançando no deserto. Contudo, a paixão de Soloviev pela caça levou-o a perseguir camelos selvagens, resultando em sua morte trágica ao ser mordido no pescoço por um animal enfurecido.

    • O Enterro e o Fim da Expedição: O corpo de Soloviev foi enterrado solenemente no coração do deserto, e o grupo, abalado, decidiu abortar a busca pela cidade perdida e dirigir-se ao oásis mais próximo, encerrando a jornada com a perda de um amigo leal.