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Tempo (TCI)

The Theory of Celestial Influence

  • O capítulo anterior tratou dos cosmos astronômicos em sua vastidão espacial; agora torna-se necessário pensar não apenas em sua enorme extensão, mas também em suas escalas de tempo quase inconcebíveis, investigando se há uma relação entre espaço e tempo e se é possível medir a duração da Via Láctea ou do Sistema Solar a partir de sua própria vastidão.
  • A pista para essa relação já foi encontrada: o “mundo” de cada cosmos é uma seção transversal de um cosmos superior; tomando como exemplo a célula sanguínea no corpo humano, as seções transversais do corpo ao longo da artéria representam para a célula passado e futuro, de modo que o comprimento ou terceira dimensão do corpo humano representa o tempo ou a quarta dimensão para a célula.
    • Para uma molécula dentro da célula, é a terceira dimensão da célula que representa o tempo; a terceira dimensão do ser humano seria algo fora do tempo da molécula inteiramente, misteriosamente ligado à ideia de sobrevivência após a morte ou à possibilidade de existência repetida — uma quinta dimensão para a molécula.
    • Para o elétron, cuja percepção de tempo deriva da terceira dimensão da molécula, nenhuma extensão ou repetição de sua vida individual poderia penetrar na terceira dimensão do ser humano, absolutamente inconcebível para ele, representável apenas como uma dimensão completamente desconhecida — a sexta — onde todas as possibilidades imagináveis e inimagináveis se realizam.
  • A tradução curiosa de dimensões de um cosmos para outro aplica-se não apenas às três dimensões do espaço, mas também às dimensões do tempo: é necessário supor para cada cosmos um período de seis dimensões — as três primeiras constituindo seu espaço, a quarta seu tempo, a quinta sua eternidade e a sexta seu absoluto — e que a cada mudança de cosmos esse período inteiro de dimensões se desloca, uma sendo abandonada, uma ganha e as demais se transformando cada uma na seguinte.
    • Um ponto sem dimensões, movido, traça uma linha; uma linha movida em ângulo reto a si mesma traça um plano; um plano movido em ângulo reto a si mesmo traça um sólido; um sólido como um ser humano, estendido ao passado e ao futuro, traça uma vida; uma vida, estendida em ângulo reto a si mesma, leva à ideia de tempos paralelos, repetição temporal ou eternidade; a totalidade de tais repetições, projetada em mais uma direção, implica um todo absoluto, a realização de todas as possibilidades, tudo existindo em todo lugar.
  • Cada cosmos pode ser visto de sete formas segundo a percepção do observador: como ponto (sem dimensão), como linha (uma dimensão), como plano (duas dimensões), como sólido (três dimensões), como vida (quatro dimensões), como vida eternamente repetida (cinco dimensões) e como tudo (seis dimensões); adicionando o deslocamento de dimensões de um cosmos para outro, obtém-se uma tabela que revela como as percepções reais dos cosmos seguem essas indicações, embora uma correção mental tão longa e automática tenha sido feita que se esqueceu quais são essas percepções efetivas.
    • O ser humano percebe uma célula, quando a percebe, como um ponto sem dimensões; a Natureza percebe um único ser humano da mesma forma; e o Sol percebe a Terra igualmente assim.
    • O ser humano percebe a vida de uma célula — durante a qual um glóbulo vermelho percorreu muitos quilômetros de artérias, veias e capilares — como um sólido: o próprio corpo; os sólidos de seres humanos, animais, peixes e árvores tornam-se para a Natureza uma película ou plano curvo cobrindo a superfície da Terra, enquanto para a Terra tudo isso é apenas uma trilha ou linha movendo-se no espaço.
  • A memória, para o ser humano, é a chave para perceber a si mesmo e seu entorno como são percebidos por um cosmos superior: lembrando sua vida como um todo, o ser humano se vê como a Natureza o vê; lembrando sua recorrência, se vê como a Terra o vê; lembrando o cumprimento de todas as possibilidades, veria como o Sol vê — pois todas as possibilidades para o ser humano e para cada criatura viva são sólidas para o Sol, existem no sólido real do Sol.
    • O tamanho de cada cosmos está assim ligado ao de todos os outros, e seu tempo perfeitamente engrenado ao deles; a duração de sua vida está implicada tanto em seu próprio diâmetro quanto no do universo; as escalas e durações múltiplas e incomensuráveis do universo reconciliam-se no todo perfeito que evidentemente existe.
  • Sem dimensão, como pontos, todos os cosmos parecem iguais e idênticos; em seis dimensões, como Tudo, novamente iguais e idênticos; vistos de uma a cinco dimensões, parecem primeiro cada vez mais diferentes e separados, e depois cada vez mais semelhantes.
    • Uma mosca e um elefante, vistos em três dimensões, não parecem ter nada em comum; vistos em quatro dimensões — no padrão de suas vidas e no funcionamento de suas funções — reaparece um design mútuo; vistos em cinco dimensões — como repetição de ciclos de vida em torno de um centro vital — as criaturas mais diversas, de seres humanos a luas e de células sanguíneas a planetas, revelam uma semelhança surpreendente.
    • É literalmente verdadeiro dizer que quando se percebem as coisas em três dimensões, elas são vistas em seu máximo de diferenciação; os animais, com percepção bidimensional, sofrem muito menos senso de separação entre si e os outros objetos e o mundo; à medida que o ser humano começa a desenvolver percepção quadridimensional, torna-se de novo — mas desta vez conscientemente — ciente de padrão, dependência e unidade comuns; é ao mesmo tempo sua tragédia e sua oportunidade que a percepção com que é dotado pela natureza coloque a maior ênfase possível na individualidade separada.
  • Em qualquer cosmos dado, todas as seis dimensões e modos de aparecer — da linha ao Tudo — estão indivisivelmente e matematicamente conectadas: se fosse possível medir corretamente qualquer dimensão de um cosmos e saber exatamente o que se está medindo, seria possível calcular todas as demais dimensões, velocidades e tempos que esse cosmos contém.
    • Conhecendo a distância de qualquer planeta ao Sol (linha), é possível calcular: a velocidade do movimento orbital do planeta (tempo); o período de sua revolução ao redor do Sol e assim seu número relativo de tais revoluções durante toda a existência deste (recorrência); a intensidade com que a luz solar sobre ele incide e assim a quantidade de energia disponível em relação à fonte de toda energia (absoluto).
    • Isso deve ser assim para qualquer cosmos verdadeiro, pois a totalidade dessas dimensões aparecerá por sua vez como sólida a algum ser ainda superior.
  • O tempo é criado pela rotação em torno do centro vital de um mundo maior — eis a chave geral do tempo e a resposta ao problema da relação entre diâmetro e duração; Kepler reconheceu e expressou esse princípio em sua famosa Terceira Lei, mostrando que a relação entre distâncias ao Sol (linha) e períodos de rotação ao redor do Sol (tempo) é a relação entre raízes quadradas e raízes cúbicas; como todos os cosmos são construídos sobre o mesmo plano geral e a relação entre cosmos aparece similar à relação entre dimensões dentro de um cosmos, essa fórmula pode ser usada para estabelecer a relação geral entre linha e tempo, entre espaço e duração.
    • A Terceira Lei de Kepler sugere que enquanto o espaço linear se desenvolve por cubos, a duração se desenvolve apenas por quadrados; para demonstrá-lo sem cálculo complicado, constroem-se duas colunas paralelas — uma representando espaço, em que cada etapa é uma multiplicação por 31,8 (aproximadamente π³), outra representando tempo, em que o estágio equivalente é uma multiplicação por 10 (aproximadamente π²) —, tendo o ser humano como base com vida de 80 anos e raio (coração às pontas dos dedos) de 1 metro.
  • Os resultados da tabela são, no geral, promissores — notavelmente nos trechos inferior e médio: células comuns com raio de um centésimo de milímetro vivem de fato alguns dias; insetos grandes de alguns milímetros vivem cerca de um ano; animais medidos em decímetros vivem dezenas de anos; elefantes, baleias e carvalhos com circunferências de vários metros vivem séculos; porém a fórmula, facilmente iludida pelo destino e pela fantasia individuais, aplica-se antes a classes gerais e médias estatísticas do que a criaturas ou espécies individuais, assim como o ser humano desfruta de uma vida de setenta anos embora um indivíduo dado morra aos 30, 60 ou 90.
    • Nos trechos superiores da tabela aparecem anomalias estranhas do ponto de vista comum: um raio equivalente ao da Terra corresponde antes a uma era da Natureza, e a idade sugerida para a Terra corresponde ao raio de sua órbita — anomalias a serem tratadas na seção seguinte, ao se considerar o tempo de cada cosmos separadamente.
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